O otimismo tem sido a marca da recém-criada Sociedade dos Forrozeiros da Paraíba, e não podia ser diferente. Afinal, esperamos tantos anos até que nosso Estado se mirasse no sucesso da entidade similar criada pelos cantores e compositores de forró pernambucanos, que se não for com otimismo a coisa não anda. Como forma de impulsionar a Soforró-PB, seus diretores resolveram produzir um CD coletânea com 28 faixas, que será lançado hoje, a partir das 20h, na Praça Antenor Navarro, no Centro Histórico da cidade.
Para Badu, músico eleito para a presidência da Sociedade dos Forrozeiros da Paraíba, a entidade "tem tudo para dar certo". Provavelmente essa é a torcida de todos que já não suportam ter seus ouvidos empestados de deturpações em nome dos legítimos ritmos nordestinos. Consciente de que não será fácil alcançar o sucesso dos vizinhos pernambucanos, o presidente da Soforró-PB, no entanto, não esmorece: "Depende somente de nós mesmos, da nossa organização e do objetivo comum onde as vaidades individuais sejam deixadas de lado", garante.
Com o CD que será lançado no show de hoje à noite todos esperam que a entidade comece a abrir espaços e provocar um debate mais intenso sobre as programações radiofônicas, buscando com isso manter uma disputa em pé de igualdade com o chamado 'forró de plástico'. Entender porque o público paraibano privilegia grupos como Aviões do Forró em detrimento de gênios como Pinto do Acordeon é um dos passos iniciais da Sociedade dos Forrozeiros da Paraíba.
No disco, que servirá como cartão de visitas para os artistas negociarem seus shows e lutarem pelos espaços da mídia, percebe-se a irregularidade na produção dos ritmos tradicionais da região. A necessidade política de não melindrar os menos talentosos, é compreensiva nesse momento inicial, mas isso certamente deporá contra os rumos da Soforró. "Não podíamos discriminar ninguém que se enquadre no que achamos que seja o nosso legítimo forró, com o tempo é que começaremos a discutir o nível dessas produções", comenta Badu.
Claro, se a Sociedade dos Forrozeiros paraibanos quiser se fortalecer vai ter de pensar também em números, mas na palestra de lançamento da entidade, questionou-se bastante a forma relaxada com que muitos artistas do forró pé-de-serra tratam suas composições e seus discos. A cantora mineira Paula Jabour chegou a defender a tese de que "tenho de fazer uma música que possa ser acessível, porque se elevarmos demais o nível pode ser que o público não assimile". A tese não funciona, porque em Pernambuco Maciel Melo, Petrúcio Amorim e Xico Bizerra entre outros, elevam cada vez mais os níveis melódicos e poéticos, e se dão bem.
Como vemos, não será fácil para Badu levar a Soforró-PB sem ter de escancarar o debate e cobrar dos seus pupilos uma música de qualidade elevada. O CD "Coletânea Soforró-PB" tem faixas excelentes como as de Pinto do Acordeon ("Por Amor ao Forró"), Bebé de Natércio ("Falatório lá de Nós"), Biliu de Campina ("Coco Repeado") e Flávio José ("Sedução"); apenas para citar nomes que podem servir de referência e guiar os que ainda tratam com desleixo suas obras.
Se o espelho é a Associção dos Forrozeiros Pé de Serra e Ai, de Pernambuco, a Sociedade dos Forrozeiros da Paraíba tem de começar a ensinar seus pupilos a tratarem bem seus discos, com gravações de qualidade, projetos gráficos criativos, melodias diversificadas e uma poética compatível com a luta. Afinal de contas não basta se dizer um autêntico artista de forró pé-de-serra, tem que praticar a teoria. O que se tem visto por aí é uma overdose de xotes românticos com rimas paupérrimas em "ão" e "or".
inícioO cantor e compositor paraibano Adeildo Vieira, lança, hoje, o primeiro DVD de sua carreira, intitulado "Chega Junto". O evento acontece no Gabinete Cultural do vereador Fuba, na Praça Antenor Navarro, às 21h. Logo após a apresentação do DVD, acontece o show de Zé Violla Progessive Band, uma das maiores referências do cenário musical de João Pessoa na atualidade.
O DVD "Chega Junto" foi gravado em novembro do ano passado no Teatro Santa Roza e nele Adeildo Vieira canta músicas de sua autoria e parcerias. Há participações especiais de Gláucia Lima, Eleonora Falcone, Débora Vieira, Clara Costa, Dida Vieira, Glória Fonseca, Juraci Azevedo, Manuela Azevedo e Neuza Flores (viúva de Jackson do Pandeiro).
Os músicos que acompanham Adeildo nesse trabalho são: Léo Meira (guitarra), Gledson Meira (bateria), Hélio Medeiros (teclados), Jorge Negão (baixo), Jefferson dos Santos (percussão), Dida Vieira (vocal) e Salvador de Alcântara (bandolim). As imagens e a edição foi feira pela TV Cidade de João Pessoa e a produção geral de Fátima Amaral.
Adeildo Vieira é cantor e compositor paraibano atuante há mais de vinte anos no cenário cultural do Estado. Foi integrante do Musiclube da Paraíba, entidade de músicos e compositores paraibanos por onde passaram artistas como Pedro Osmar, Chico César, Milton Dornellas, Paulo Ró, Totonho, Escurinho, entre outros.
Atua intensamente dentro e fora das fronteiras da Paraíba, produzindo shows e participando de festivais de música, tendo vencido vários.
Lançou, no ano 2000, seu primeiro CD, intitulado "Diário de Bordo", que ganhou o Troféu Imprensa, por ter sido considerado o melhor disco produzido naquele ano no Estado. Ganhou, no mesmo ano, o mesmo prêmio na qualidade de melhor compositor paraibano. Os prêmios foram conferidos pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Paraíba.
Em junho de 2006 lançou o "Diário de Bordo" em Portugal, onde está sedimentando espaço para sua obra e demais compositores paraibanos.
Atualmente prepara seu segundo CD, que será lançado ainda este ano. Informações 8853-2520.
inícioA Companhia Cara Dupla de Teatro mantém em cartaz, durante todo este mês de maio, de sexta-feira a domingo, sempre às 20h, no Teatro Lima Penante, o espetáculo "As Branquelas... Em Busca da Fama". A comédia é protagonizada pelos irmãos Romildo e Romilson Rodrigues, que interpretam a dupla Diet e Light (os dois personagens animam programas e promoções da Clube FM 103.3). Os ingressos estão sendo vendidos com preços promocionais de R$ 10 e R$ 5. Mais informações pelo telefone 8600-1817 ou pelo e-mail dietlightproducao@bol.com.br.
Segundo Romildo - ele é autor do texto e faz o personagem Light -, a proposta inicial de "As Branquelas... Em Busca da Fama" é movimentar o Teatro Lima Penante, contribuindo para despertar a atenção do público para aquela que é uma das mais importantes casas de espetáculo da capital paraibana. "O Lima Penante merece todo apoio da classe artística, mas o público também deve prestigiar a casa", acrescentou.
Em "As Branquelas... Em Busca da Fama", as irmãs gêmeas Diet e Light, logo após assistirem pela televisão um show de Penélope Mel, descobrem que querem ser como ela, ou seja, linda, famosa e rica. Acontece que em toda história existe a figura do vilão. Aqui, este papel caberá à madrasta, que, com a ajuda da filha Febrônia, tudo fará para transformar o sonho das irmãs em pesadelo.
Como o mundo é pequeno, Diet e Light acabam encontrando no mercadinho próximo a sua casa a idolatrada Penélope Mel. Daí em diante surgem as Branquelas, que irão ver de perto como é a realidade do mundo da fama para alguns artistas. "Esta é uma história interessante e engraçada, passada de uma forma sadia para todos os tipos de público", explica Romilson.
"A nossa linha de trabalho, ou seja, a nossa proposta, enquanto atores, é trabalhar com improviso, de uma maneira sadia, onde existe a contrapartida do público com os atores. Há uma troca de energia entre palco e platéia, e isso é muito importante para nós", acrescenta Romildo.
"Os irmãos Romildo e Romilson Rodrigues são autores de comédias como "As duas filhas de Francisca", e têm larga participação em espetáculos de humor criados na Paraíba, a exemplo do "Pastoril Profano", da Companhia Paraibana de Comédia. A dupla também trabalha com montagens infantis, a exemplo de "Scoobi-Doo" e "Espantaram o espantalho", além de compor o elenco de "Cinderela", de Tony Silva.
inícioOutro dia li que a Academia Paraibana de Letras e o Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba prestaram homenagens post-mortem ao dramaturgo e folclorista Altimar de Alencar Pimentel, integrante ele mesmo das instituições - basilares - da cultura e da história do Estado. Na certa, foram homenagens dignas, e justas, a quem durante anos trabalhou com empenho no ofício de escrever sobre duas expressões fundamentais do conhecimento e do espírito regional. De fato, no teatro e na pesquisa folclórica, e até em incursões no campo da antropologia cultural, ele traduziu com lucidez e brilho, em plano local e nacional, a universalidade do nosso saber - o saber paraibano.
Convivi com Altimar de perto, em tempos idos. Ele pertencia, por assim dizer, ao que se convencionou chamar de Círculo Virginiano, isto é, fazia parte de um grupo de artistas, poetas, escritores e jornalistas que tinham no crítico literário Virgínius da Gama e Melo uma espécie de mentor intelectual. Altimar, como eu, de resto, contava com o apoio crítico e o afeto daquele que foi, sem dúvida, uma luz incandescente na vida intelectual da Paraíba. Uma peça, um poema, um artigo, qualquer publicação local recebia, sempre, a consideração estimulante daquela inteligência rara, alerta e generosa - o "velho" Menestrel, para os íntimos.
Nos ano de 1970, trabalhando no Instituto Nacional do Livro sob a gestão do general Umberto Peregrino, nordestino estudioso do nosso folclore, Altimar, como assessor qualificado, ajudou-o a expandir o raio de ação daquele organismo, em especial na difusão de mostras itinerantes do acervo da nossa cultura popular. No setor editorial da instituição, esteve particularmente empenhado na promoção de livros voltados para o estudo do nosso folclore - livros hoje de valia inestimável. Foi nesta fase de sua vida que ficamos mais próximos, quando, de algum modo, no Rio, ajudei-o na encenação da sua peça premiada, "A Construção", transformada em êxito do teatro carioca de vanguarda naquela temporada.
Altimar Pimentel, como seria legítimo afirmar, foi um espírito renascentista. Não escreveu sobre política, mas se fez vereador por Cabedelo. Sem cuidar de encenar peças, foi eficiente diretor do Teatro Santa Roza. Conferente ou coisa que o valha no Porto de Cabedelo, este paraibano por adoção se fez professor universitário, historiador, diretor de rádio, consultor, conselheiro, além de gestor de departamentos e secretarias. Isto, com o suor de sua imaginação e muito trabalho.
Conheço de perto outro paraibano que muito se assemelha ao renascentista Altimar Pimentel. Ele se chama José Nêumanne Pinto, um infatigável trabalhador intelectual que, no campo das letras e das artes, se fez respeitado nacionalmente sem jamais perder a matriz do saber paraibano. A esta altura da vida, não é preciso enumerar os dotes, as conquistas e o caráter de José Nêumanne, sobejamente conhecidos pelos que se interessam pelas letras nacionais. Jornalista, editor, comentarista político, conferencista, poeta, romancista, compositor, com uma vintena de livros publicados e bem-sucedidos, este paraibano de Uiraúna tem sabido como poucos dignificar o ofício de escritor.
Como ser humano, ele é solidário e de uma generosidade sem limites, principalmente com os conterrâneos, aos quais dedica tempo, afeto, recursos e ajudas diversas. De minha parte, nunca vi Zé Nêumanne recusar pedido de ajuda de quem o procura, sobretudo quando se trata de promover talentos ou feitos de sua terra.
Meu último testemunho do quanto ele é considerado pelas instituições culturais do país deu-se quando, depois de receber o almejado prêmio literário Senador José Ermírio de Moraes, com o seu romance "O Silêncio do Delator", foi ovacionado de pé e por bastante tempo pelos distintos membros da Academia Brasileira de Letras. Entre tantos acadêmicos, lá estava o grande jurista e filósofo Miguel Reale, que se deslocou de São Paulo, nos seus provectos 93 anos, especialmente para cumprimentá-lo. Humilde, suas palavras de agradecimento foram as de exaltar a Paraíba como fonte suprema da sua criação literária, em prosa ou verso.
Hoje, como se sabe, Zé Nêumanne, na condição
de romancista, poeta e jornalista, é candidato a uma cadeira na Academia
Paraibana de Letras, na vaga do saudoso Altimar, justamente a de número
1º, cujo patrono é o poeta Augusto dos Anjos, um monumento das
letras nacionais saído do Engenho Pau D'Arco para encantar o mundo.
Quero crer que a APL saberá acolher este escritor admirável,
que tem sabido honrar como poucos a melhor tradição das letras
paraibanas no cenário da inteligência brasileira.
Seria um gesto de reconhecimento justo e necessário.
Como "ler" um filme? Quais os elementos narrativos que ajudam o espectador a entender melhor o que se passa na tela? A resposta para essas e outras perguntas serão respondidas no curso "Linguagem do Cinema", que começa neste sábado (10) à tarde, no Zarinha Centro de Cultura, localizado na Avenida Nego, 140, Tambaú. O curso será ministrado pelo jornalista e crítico de cinema Renato Félix, e terá a duração de sete sábados. Mais informações pelo telefone 4009-1130.
Segundo Renato Félix, as aulas serão todas ilustradas por seqüências de filmes, de vários períodos e estilos da história do cinema. "Abordaremos desde a influência e significados das posições e movimentos das câmeras até elementos mais sofisticados da linguagem cinematográfica, como ironias e metáforas, passando por recursos como os flashbacks, fusões e montagens paralelas - tudo isso será comentado e visto na prática, através das obras de mestres do cinema", acrescenta o jornalista.
Este é o terceiro curso que Renato Félix apresenta no Zarinha Centro de Cultura. Antes, ele ministrou por duas vezes o curso de História do Cinema, também ilustrado com cenas de filmes. Mas o jornalista informa que não é preciso ter feito o curso anterior para se inscrever neste.
O Zarinha Centro de Cultura dispõe de salas de aula climatizadas e equipadas com modernos equipamentos audiovisuais, além de uma sala de cinema. O ambiente, portanto, é ideal para quem deseja conhecer melhor o fantástico universo da chamada sétima arte.
O crítico e jornalista Renato Félix escreve há 12 anos sobre cinema na imprensa local - desde que era estudante de Comunicação Social, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Atualmente, é o único crítico na Paraíba que mantém um acompanhamento semanal do circuito local de cinema nas páginas dos jornais. É colaborador da revista Set e também escreve sobre cinema em seu blog (http://minhavidadecinefilo2.zip.net).
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