Jornal O Norte

João Pessoa, Quarta-Feira, 07 de Janeiro de 2009

Márcio Cotrim


À beça

Em certo momento de nossa história, uma pendenga acendeu grande discussão:

incorporar ou não as terras do Acre ao Estado do Amazonas. De um lado, o jurista alagoano Gumercindo Bessa, defendia bravamente a causa dos acreanos. Do outro, Rui Barbosa, era favorável à incorporação.

O debate foi acalorado, mas Bessa venceu apresentando argumentos tão numerosos, irrefutáveis e esmagadores, o que elevou às alturas seu prestígio nos meios jurídicos. Passada a refrega, certo dia um cidadão procurou o presidente Rodrigues Alves defendendo determinado pedido com tal eloqüência que o presidente observou: "O senhor tem argumentos à bessa..."

Com o passar dos anos, a maiúscula de Bessa desapareceu e os dois esses foram substituídos pelo cê cedilha. Só ficou a pronúncia para lembrar o velho e aguerrido Gumercindo...

CATUPIRY - Esse queijo, que só existe no Brasil, foi criado em 1911 pelo casal Mário e Izaíra Silvestrini, na cidade de Lambari (MG), estância hidromineral que faz parte do delicioso Circuito das Águas. Catupiry em tupi-guarani quer dizer excelente. Em 1922 virou destaque no catálogo internacional de queijos Les Fromages como "o requeijão do Brasil". Com goiabada então, nem se fala...

ADIDAS - Uma das marcas de tênis mais antigas e famosas do mundo, foi criada em 1920 na Alemanha por um cidadão chamado Adolf Dassler. O nome surgiu do apelido familiar de seu primeiro nome, Adi mais as três primeiras letras de seu sobrenome, das. Nas Olimpíadas de 1936 , em Berlim, Hitler ficou possesso ao ver o negro americano Jesse Owens- que ele considerava de raça inferior - ganhar quatro medalhas de ouro e estabelecer três novos recordes olímpicos. Sabe que marca de tênis o vitorioso atleta usava em todas as provas? Adivinhou, era Adidas!

ESTELIONATO - O berço dessa palavra nos remete ao camaleão, pequeno lagarto coberto de manchas como pequenas estrelas. Em latim, o nome do bicho era stellio, de stella, estrela. Como ensina o etimólogo Whitaker Salles, desde a Antigüidade o camaleão é considerado símbolo de dissimulação, por sua capacidade de mudar de cor para passar despercebido, disfarçado, confundido com o ambiente. Daí para chegar a estelionato, do latim stellionatu, crime de falsificação, foi um passo, pois ele nada mais é que o delito da velhacaria e da fraude, tão impunemente praticado nestas terras tupiniquins...

MORDOMO - Esta é bem curiosa. Vem do latim majordomu, major, maior + domu, casa. Designa o chefe dos empregados, o criado mais importante da casa. Aquele que, nas histórias policiais inglesas, aparece quase sempre como o principal suspeito. E com alguma pontinha de razão...

BAIONETA - Num conflito entre franceses e espanhóis, quando a munição acabou, os franceses amarraram facas na ponta de seus rifles e venceram a batalha. O episódio ocorreu no sudoeste da França, perto da cidade de Bayonne. A partir de então, ali se passou a fabricar a nova arma, um sabre adaptado à boca do fuzil, daí a palavra francesa baïonnette, que em português virou baioneta. No cinema ela aparece nas cenas em que soldados enfurecidos a enfiam com força na barriga dos inimigos. Em torno, o sangue esguicha.

***

O leitor José Fernando Vieira de Melo, de João Pessoa, PB, tem dúvida com relação à palavra xará. Ela vem do tupi sarara, que significa justamente meu nome, designando a pessoa que tem o mesmo nome de outra. Coincidência feliz mas que, em certas ocasiões pode causar problemas. Que o digam os Josés da Silva, Joões, Antônios e Marias destes brasis na hora de fazer um cadastro. Tanto pilantra por aí...

*Republicado em função do recesso da coluna no Natal e no Ano Novo.
marcio.cotrim@correioweb.com.br
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