Jornal O Norte

João Pessoa, Quinta-Feira, 28 de Agosto de 2008

Márcio Cotrim


Soltar a franga

Mais do que preferir determinada opção sexual, essa expressão significa assumir a posição homossexual, ao adotar o comportamento do sexo oposto. Conhecida e praticada desde tempos imemoriais, ela tem ganho maior notoriedade como resultado da revolução dos costumes a partir dos anos 70, na esteira acontecimentos de repercussão mundial como Woodstock, guerra do Vietnã, etc. Hoje, as passeatas gay reúnem milhões de indivíduos, assumidos ou enrustidos, que desfilam e proclamam, urbi et orbi, seu chamado orgulho gay.

Mas a expressão tem conotação mais ampla. Ela se aplica, por exemplo, a momentos de explosiva liberação pessoal, não necessariamente homossexual.

- Esta noite, vou perder todos os meus pudores, vou soltar a franga! Talvez, menos uma virgem no mundo...

Mas onde é que a franga entra nisso? Os ornitólogos ensinam que a galinha é um dos animais com mais longo período de cio, praticamente incessante. Por outro lado, não existe franga, somente galo/frango/galinha. O neologismo ironiza, de modo brincalhão, a existência de um terceiro sexo, que não existe, apenas transgêneros operados e travestis - o que não constitui um outro sexo. Como os galináceos domésticos ficam presos em cercados, em estado de quase permanente cio, soltá-los seria a forma metafórica de liberar o ser humano das amarras sociais.

Sobre o assunto, tem sido enorme a quantidade de estudos, opiniões leigas e científicas. Com sua verve habitual, o saudoso Sérgio Porto, conhecido como Stanislaw Ponte Preta, dizia que o terceiro sexo já está passando para segundo . . .

Lembrando Oscar Wilde, que sofreu ao assumir sua homossexualidade na conservadora sociedade britânica, diz a piada hetero que, no começo, o homossexualismo era terminantemente proibido na velha e loura Albion. Depois, passou a ser tolerado. Melhor ir embora, antes que seja obrigatório . . .

FOFOCA - O disse-me-disse, a especulação, o que é comentado em segredo sobre outrem, muitas vezes com maldade. O vocábulo tem origem no idioma africano banto, mas foi no inglês que ficou conhecido como gossip, mexerico, boato. Falar da vida alheia, aliás, é prática do tempo das cavernas. Os homens pré-históricos buscavam informações da vida de outros humanos para lhes bisbilhotar as fraquezas, medos e o que faziam para conquistar e vencer. Como não havia escrita, as informações eram transmitidas oralmente. Assim, a fofoca passou a fazer parte da História, até como estratégia política, pois é capaz de derrubar governos, sem falar em seu efeito devastador para disseminar a cizânia, destruir casamentos e famílias, e enterrar valores consolidados. Tem feito a fortuna de editores de revistas. Basta ver as gigantescas vendas em função da divulgação de fofocas. O muxoxo de namorado numa festa pode virar um tsunami jornalístico, comentar quem dormiu com quem, tudo isso produz dinheiro, e muito. A propósito, você sabia que 25 de outubro é o Dia da Fofoca?

***

A leitora Tereza Lúcia Halliday, de Recife, PE, pergunta de onde vem a palavra brigadeiro, para designar o doce feito de leite condensado e chocolate, em forma de bolinhas, que circula em todas as festas de aniversário infantil. Tereza ouviu dizer que é uma homenagem ao brigadeiro Eduardo Gomes e indaga: nesse caso, por que a homenagem?

Vou lhe dar duas explicações: uma, inocente; a outra, irreverente.

Eis a primeira: logo após a Segunda Guerra Mundial, havia racionamento de açúcar, ovos e leite no Brasil. Alguém quis fazer um doce e teve a idéia de misturar leite condensado com chocolate. Sucesso instantâneo. Mas, e daí? Onde entra o brigadeiro nessa história? Entra na campanha do candidato à Presidência da República, brigadeiro Eduardo Gomes. Bonitão, conquistou o coração de um grupo de mulheres do bairro paulistano do Pacaembu, que resolveram organizar festas para ajudar na campanha e, em sua homenagem, inventaram um doce batizado de brigadeiro. Apesar de toda a torcida e do slogan "vote no Brigadeiro. É bonito e é solteiro", quem ganhou a eleição foi o general Eurico Gaspar Dutra, homem de poucas luzes - diziam que, ao cumprimentar o presidente Truman, dos EUA, travou-se o seguinte diálogo: - How do you do, Dutra? E ele: - How tru you tru, Truman?

Agora, a interpretação irreverente: consta que, numa revolta militar no Rio de Janeiro, o brigadeiro foi ferido na genitália e perdeu os testículos. Daí porque o doce ficou sendo o único feito sem ovos...

marcio.cotrim@correioweb.com.br
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