Nem vila, nem povoado, muito menos aldeia. Marcada por momentos de sangue, paz, traição e lealdade, a então batizada Nossa Senhora das Neves já nasceu cidade. Foi em 5 de agosto de 1585, na quinta tentativa expedicionária, que a Capital dos cinco nomes nascia formalmente, através de um acordo de pazes entre colonizadores portugueses e índios tabajaras - ambos forasteiros nessas paragens. O nascimento, porém, não trouxe consigo a ação desbravadora da conquista. Era a primeira vez que emissários da coroa portuguesa aportavam por aqui. Mas, apesar da chegada bem sucedida, não houve festa. E assim começou a história oficial da cidade que até hoje desperta sentimentos dúbios, antagonismos velados e narrativas paralelas, como esta que começa agora.
Onze anos antes dos pés portugueses pisarem a margem esquerda do Parahyba, os colonizadores lusitanos já haviam criado a Capitania Real que levava o mesmo nome do rio. A partir daí, por quatro vezes a coroa européia fracassou em suas tentativas de conquista, sempre derrotada pela força e garra dos índios potiguaras, que aqui habitavam. "A formação da cidade foi muito difícil. Em 1574 ela começa a existir de direito, mas não de fato. Porque não houve ocupação. Só em 5 de agosto de 1585 é que fincaram pé para criar a cidade que seria o núcleo básico da Capitania, que até então só existia nominalmente", explica o historiador José Octávio de Arruda Mello, autor de "História da Paraíba - lutas e resistência" e um dos principais estudiosos dessa trajetória.
Mesmo que os índios não sejam considerados os reais conquistadores da área, não foi Portugal quem "descobriu" a Paraíba. Isso porque os franceses já cultivavam bom relacionamento com os nativos locais e tinham livre acesso para piratear em terras cobiçadas pela coroa portuguesa. "Antes mesmo da chegada dos portugueses, os franceses já pirateavam aqui e mantinham boa relação com os potiguaras. Os piratas não eram expedicionários franceses, não faziam parte da corte, do poder, mas eram incentivados pela coroa francesa, claro, interessada em quebrar o monopólio lusitano", explica Arruda Mello. Os piratas franceses, portanto, tinham na região interesse momentâneo, longe da preocupação em fixar-se por aqui.
Foi com base nas diferenças tribais entre potiguaras e tabajaras - esses chegados por aqui bem depois dos primeiros - que os portugueses efetivaram a conquista. Há exatos 423 anos, a Capitania Real da Parahyba aportou nas terras que levaram mais de uma década para ser conquistadas. Ao acenarem com as pazes aos tabajaras, os portugueses deram início a uma guerra indígena sangrenta. Considerados traidores de sua raça, a tribo aliada - e liderada por um pajé de quase 90 anos chamado Piragibe - venceu os potiguaras com a ajuda lusitana. Uma estratégia traçada desde o dia 2 de agosto de 1585, quando a menor de todas as expedições portuguesas partiu de Pernambuco rumo à terra até então impenetrável por eles.
"No dia seguinte chegava João Tavares (escrivão da Câmara e juiz de órfãos de Olinda) à embocadura do rio, onde encontrou Piragibe, com quem concertou as pazes. Subindo pelo rio, fez disparar vários tiros a fim de afugentar os potiguaras, os quais supondo grande a força invasora, recuaram às pressas para o interior", descreve o historiador Horácio de Almeida, em seu livro "História da Paraíba": No dia de Nossa Senhora das Neves, vinte homens lusitanos e dois índios chegaram à margem direita do rio que hoje abraça, de braços dados com o mar, mais de 600 mil habitantes pessoenses.
"Os potiguaras foram dizimados e expulsos. Foram para o Rio Grande do Norte, que acabou ganhando o nome de terra dos potiguaras. Se a história fosse escrita na perspectiva técnica, hoje nós deveríamos ser chamados potiguaras. Mas, com ela é construída do ponto de vista dos vencedores, diz-se que a Paraíba é a nação tabajara", enfatiza Arruda Mello. As pazes que provocam a guerra, a passagem da pirataria francesa à violência portuguesa-tabajara, a conquista não festejada, a cidade tomada, mas não inaugurada.
inícioHoje, 5 de agosto, comemoramos o aportar da caravela portuguesa à margem do Parahyba e as pegadas lusitanas-tabajaras como conquistadores. As primeiras obras de construção na cidade, porém, só aconteceram mais tarde e a fundação de Nossa Senhora das Neves, de fato, só aconteceu três meses depois, a 4 de novembro de 1585. "A cidade surge com função administrativa, política, mas principalmente militar e religiosa. Religiosa para agregar os povos e militar para assegurar a defesa, pois já havia sido muito difícil chegar aqui. E começou a ser erguida no alto. É uma cidade acropolitana, no sentido da acrópole grega, com o templo no alto. Assim, todos estão vendo, adorando à divindade, e ao mesmo tempo temos o elemento de defesa, com a visão estratégica", especifica o autor de "História da Paraíba - lutas e resistência". Qual seria, então, a verdadeira data de inauguração dessa cidade de elementos históricos tão antagônicos ou, no mínimo, complementares?
Passada a serventia dos tabajaras aos portugueses, os lusitanos não titubearam em trair os aliados perseguindo, cerceando e punindo aqueles que os ajudaram na conquista da Capitania Real da Parahyba. Traição por traição, sangue por sangue, manchando assim mais uma vez o chão de Nossa Senhora das Neves, considerada a terceira mais antiga do Brasil. A igreja, construída onde hoje está localizada a Catedral Basílica que leva o nome da padroeira da Cidade, foi o ponto de partida para a difícil e lenta expansão da Capital dos cinco nomes.
De lá os portugueses abriram duas vias. Uma das ruas desce a encosta até o Porto onde são embarcadas as mercadorias - será a futura ladeira de São Francisco. O outro caminho recebe o nome de rua Nova, em frente à capela e que mais tarde passará a ser chamada avenida General Osório. Nessa história, porém, há mais de dois caminhos a seguir. Mas, enquanto a religiosidade portuguesa massacrava o paganismo indígena outros povos esperavam mesmo o momento certo para invadir e fazer da cidade o seu território.
A recém-conquistada Filipéia de Nossa Senhora das Neves ainda não completara dez anos quando por aqui chegou, em janeiro de 1595, um visitador chamado Heitor Furtado de Mendonça. A autoridade sacerdotal trazia consigo um documento que marcaria novo período violento por essas terras: o Primeiro Auto da Santa Inquisição celebrado na Capitania da Parahyba, lido e instaurado no dia oito daquele mês. "No Edito da fé dá o senhor visitador quinze dias de termo para toda a dita Capitania virem perante ele denunciar qualquer pessoa que tenha dito, feito ou cometido contra nossa Madre Igreja e no Edito da graça concede o dito senhor quinze dias de graça e perdão para que os que nele vierem (...) perante ele confessar suas culpas e fazer delas inteiras e verdadeiras confissões sejam recebidos com muita benignidade e não se lhes dê pena corporal nem penitência pública nem se lhes seqüestrem nem confisquem seus bens como melhor e mais largamente se contém e declara nos ditos Editos", é o que diz um trecho do Auto.
Segundo o historiador Horácio de Almeida, em "História
da Paraíba", no ano de chegada do movimento inquisidor por aqui
foram registradas 16 denúncias, entre casos de bigamia, homossexualismo
e blasfêmia - esse último o pecado mais denunciado. O que se
segue a isso, porém, são cenas violentas em nome da ordem divina,
como nos conta o historiador Wellington Aguiar, citando a obra "História
da Província da Paraíba, de Maximiano Lopes Machado. "A
nossa terra, só superada pelo Rio de Janeiro, sofreu tremendamente
os horrores do fanatismo religioso. Nos século dezoito, por exemplo,
dezenas de conterrâneos viram-se punidos pela inquisição.
A maioria deles residia nos sítios e engenhos que constituíam,
até então, distrito desta Capital".
banhados de sangue
Antes mesmo de ser inaugurada de fato, a cidade ganha um complemento ao primeiro nome dado. Em 29 de outubro de 1585, passa a ser chamada Filipéia de Nossa Senhora das Neves, em homenagem ao rei da Espanha D. Felipe II, quando Portugal passou ao domínio espanhol. Se estivéssemos hoje sob domínio holandês, não seria estranho ver faixas espalhadas pela cidade com frases tipo "Parabéns, Frederikstadt". Esse foi o nome adotado em 26 de dezembro de 1634, quando a Holanda conquistou Filipéia e deu à ela um nome em homenagem ao príncipe Frederico Henrique. Assim, abrasileirado, Frederica foi como passou a ser chamada a cidade dos cinco nomes até 1º de fevereiro de 1654, quando os portugueses retomaram ao poder, retomando à cidade uma saudação à Capitania Real.
arahyba agora era o nome que se espalharia para além da Capital e daria identidade ao Estado. Finalmente, em 4 de setembro de 1930, aquela que foi conquistada em sua quinta tentativa, nascida a 5 de agosto de 1585 ganha seu quinto nome: João Pessoa.
Se foi difícil conquistar e manter-se na terra antes habitada pelos potiguaras, formar e desenvolver esse núcleo populacional e geograficamente parecia ainda mais desafiador. "A capital sempre foi uma cidade de formação difícil, pois tinha uma dificuldade histórica para se estabelecer. E tinha que se estabelecer, porque se não fosse assim não haveria capitania. A nossa foi uma das mais difíceis do Brasil, e depois que os portugueses conquistaram a terra as dificuldades permaneceram. O problema é que a cidade é muito mal localizada, nos fundos dos mangues, cercada pelo mar e pelo rio, não tinha comunicação com o interior. Até o governo de João Pessoa, o interior da Paraíba era todo articulado com Recife. A cidade ficava isolada e desacelerada", conta o historiador José Octávio. Como resultado dessas dificuldades de expansão, entre 1872 e 1890 a população da cidade diminui notadamente. "Outro problema", diz o historiador, "é a proximidade com Olinda e depois Recife. Por conta desses fatores a formação da cidade é lenta e atrasada".
As águas sempre fizeram parte da história da Capital João Pessoa. Conquistada pelo rio, inaugurada praticamente às margens do Paraíba, a cidade procura expandir-se e em 1910 descobre na lagoa um novo desafio a ser vencido. O que hoje chamamos Lagoa do Parque Solon de Lucena apresentava dimensões bem maiores que as de agora. A formação natural obrigou os que procuravam desenvolver fisicamente a cidade sanear a área - alguns dizem que boa parte foi apenas aterrada. Foi quando o povo da Parahyba passou a sentir com mais intensidade uma nova brisa. Era o mar que se aproximava do cenário daquela cidade nascida da água doce.
Noite alta de um dos primeiros dias de agosto de 1930 quando um caminhão do Exército da Parahyba estaciona em frente à casa do comerciante Antônio Bandeira de Miranda. Apressados, os soldados fazem subir ao veículo os três filhos, a esposa e a sogra do comerciante, que seria apanhado logo mais, no 22º BC, onde estava preso. Junto a outras famílias o grupo viajou durante a madrugada até chegar a Recife, onde foi deixado ao relento. Entre os expatriados estava o menino Nivalson Miranda, de apenas quatro anos. "As crianças iam soltas dentro do caminhão, as mães tentando segurar, chorando. Minha família foi deixada em uma das calçadas da avenida João de Barro, na Encruzilhada. Ficamos todos ali, escorados em uma parede, debaixo de uma chuva grossa. Aquilo eu não esqueço nunca", relembra o historiador e heraldista.
O motivo do exílio forçado era o clima de violência e descontrole que tomara conta da capital paraibana naquele ano. Assassinado com um tiro disparado pelo advogado João Dantas, dentro da confeitaria Glória, em Recife, João Pessoa e sua morte desencadearam sentimentos de histeria, comoção e vingança entre a população da até então Parahyba. Mesmo sabendo que um posicionamento político contrário ao de João Pessoa não significava culpa pela morte violenta do presidente estadual, qualquer correligionário do coronel José Pereira, o homem mais poderoso do sertão paraibano, passou a ser tratado como cúmplice no assassinato que marcaria a história.
A violência provocada pelo morte de João Pessoa segui para o interior do Estado, onde cenas de morte, estupros, saques e torturas eram notórias. Uma desses episódios o professor Nivalson Miranda faz questão de contar. "Quando souberam que João Dantas tinha matado João Pessoa, a notícia correu com muita velocidade e chegou em Teixeira. Lá, as duas irmãs de Dantas estavam dando aula em um colégio. Foram retiradas de sala, na frente dos alunos, pela polícia, e levadas para o "Cadeião", o presídio local. Aquelas duas professores foram largadas lá dentro, junto com todos os outros presos. O que é que elas tinham a ver com a tragédia?", questiona.
O culto a João Pessoa foi tão intenso que o historiador José Octávio assinala que até milagres foram atribuídos ao presidente assassinado. "Foi um momento de exaltação. E o pessoal diz 'mas é um momento alucinado' e eu digo e quem disse que alucinação não constrói história? A Revolução Francesa e um exemplo disso. O que é a Marselhesa, se não uma canção revolucionária? Capistrano de Abreu, em História Cruenta, diz que 'os alicerces do Brasil foram edificados sobre sangue'. A Paraíba é uma conseqüência disso", afirma.
Foi o ex-deputado Otacílio Queiroz quem declarou, radical: "A Paraíba é 30 e nada mais". O historiador José Octávio de Arruda Mello ratifica essa opinião. "Tirando a Revolução de 30, nossa história é toda um desdobramento de Pernambuco. Aquele foi o único momento em que a Paraíba se afirmou, em nível nacional. Sem isso, o Estado ficaria sem história própria". Fanatismo, manifestação popular, idolatria, medo, comoção, violência. Sentimentos conflitantes que perpassam toda a trajetória histórica da cidade dos cinco nomes. Até hoje.
início
Uma programação focada na cultura popular encerra hoje as comemorações da festa dos 423 anos de fundação da cidade de João Pessoa e da padroeira da capital, Nossa Senhora das Neves. A "Orquestra de Câmara Cidade de João Pessoa" e a "Banda Tuareg's" são as atrações principais.
"Estamos valorizando a produção artística local, cultura popular e teatro. Queremos mudar a lógica de festas de rua para que as pessoas tenham, além da diversão, uma melhor informação para o público", destacou Milton Dornellas, diretor adjunto da Fundação João Pessoa (Funjope).
A parte profana do evento teve início na última sexta-feira, 1º de agosto, com shows musicais, apresentação de folguedos e várias manifestações da cultura popular paraibana. Hoje, no Teatro das Neves, haverá a apresentação do “Presépio Mambebe”, do grupo Geca. Já na parte de cultura popular, a programação conta a Lapinha Jesus de Nazaré, de Mandacaru; Coco de Roda do Mestre Benedito, de Cabedelo; Ciranda do Sol, do bairro dos Novais; e Sandra Belê, de Zabel.
Já na programação da Tenda do Cordel, que tem ocorrido sempre a partir das 21 horas desde o início da festa, contarão declamadores, repentistas cordelistas e bandas de pífano. Estarão presentes a Banda de Pífano São Sebastião, de São José de Piranhas, os cordelistas Francisco Diniz e Valentim Quaresma, e Chico do Canolino, de Baixio, do Ceará.
No Casarão 34 está sendo promovida a Exposição Iconográfica “Jackson do Pandeiro”, com fotos e vídeos do acervo de Fernando Moura, além de Banner's, e objetos pessoais, a exemplo de vestuário, instrumentos musicais e discos.
Na parte religiosa da festa, acontece às 9 horas a solene celebração eucarística em homenagem a Nossa Senhora das Neves, com o arcebispo Dom Aldo Pagotto. À tarde, por volta das 16 horas, está previsto o início da procissão da padroeira. O cortejo sai da Catedral Basílica, com a imagem de Nossa Senhora das Neves. Os fiéis seguirão pelas principais ruas do Centro da Capital e retornarão à Basílica, onde assistirão a uma missa solene, também celebrada pelo arcebispo.
Às 18h30 a cidade de João Pessoa receberá a homologação do tombamento da cidade como Patrimônio Cultural Nacional, no palco principal da Festa das Neves, com a presença do presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Luiz Fernando de Almeida.
inícioEra às margens do Rio Sanhauá, área do nascedouro de João Pessoa, que há muito tempo embarcações e visitantes chegavam por aqui. Chamado Porto do Varadouro, popularmente conhecido como Porto do Capim, o local era ponto de conexão com outros estados. Segundo relatos históricos, o nome popularmente dado ao porto surgiu devido à quantidade de carga de capim que ali desembarcava para alimentar os animais que serviam de transporte naquela época.
À beira do Rio Sanhauá, o Porto do Capim agregava todo o comércio da cidade, já que no local eram realizados os grandes negócios na Capital. A partir de 1935, porém, a sorte do local começa a mudar, com a inauguração moderno do Porto de Cabedelo. Desde então, o Varadouro foi aos poucos sendo desativado, mudando a realidade da comunidade que vivia - e vive - em seu entorno. "Morar aqui na área do Porto do Capim é difícil. Sem condições de segurança, de lugar correto pra se viver. Não é fácil", lamenta Maria das Neves Firmino, moradora.
Andar pelas alamedas do Porto do Capim, de fato, é como voltar aos tempos das embarcações. Prédios fechados, vigas de ferro onde atracavam embarcações ainda existem ali, mas fora de lá a cidade cresceu, mudou, desenvolveu, se modernizou - e o Porto parece perdido no tempo, naufragado na memória de seus moradores.
Esta semana, porém, será lançado um projeto que pretende revitalizar o Porto do Capim. A proposta marca o início das comemorações dos 20 anos de cooperação Brasil-Espanha. O lançamento será na próxima quinta-feira 7. O projeto de revitalização do espaço prevê a adequação do espaço do Porto e da região do Varadouro, com adequações de equiapamentos de lazer, cultura e turismo. Oito imóveis serão restaurados, e será criado, ainda, toda uma infra-estrutura no parque ecológico da região e a reorganização do comércio de rua, com envolvimento dos agentes e moradores locais.
A revitalização do Porto do Capim possui três pilares, segundo o projeto elaborado pela Prefeitura da Capital: a relocação dos moradores na mesma área, mas em condições adequadas de mobilidade e infra-estrutura; a capacitação dos moradores através dos próprios recursos culturais, históricos e econômicos da área; e a geração de emprego e renda, fomentando uma economia sustentável para a comunidade. Em 2004, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep) realizou uma medição do local e constatou que o Porto do Capim abrange uma área de 410 hectares, com 6.443 imóveis e aproximadamente mil moradores.
Toda essa estrutura, até então aparentemente esquecida pela cidade em desenvolvimento, agora será assistida de forma adequada. "Serão realizadas, na Praça do Varadouro, obras em habitações, requalificação das edificações históricas e a construção de uma praça cívica. Os moradores serão relocado para muito próximo. É um trabalho de inserção social. Até então eles vivem em um conjunto de habitações que chamamos subnormais. Com o projeto, todos passarão a habitar em edificações regulares, adequadas. Isso tudo acompanhado de requalificação do espaço urbano", adianta Raglan Gondim, coordenador de Arquitetura e Ecologia do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep).
No berço da cidade, onde a economia da Capital pulsou mais forte, um projeto de inserção social, econômica e cultural buscar dar ao Porto e a seus moradores a devida importância. Transformando esse lugar, chamado Capim, em um jardim de boas oportunidades e vida digna.
inícioSeria fácil promover a edificação em plena época de Jogos Olímpicos na China, mas o imóvel com mais características da arquitetura oriental da Capital vai muito além dessa conexão de datas. Construído em 1931, durante o governo de João Pessoa, o Pavilhão do Chá foi palco de momentos de encontro entre famílias nobres da Cidade, um lugar que fazia jus aos que admirava e nutriam o hábito britânico de degustar o famoso chá das cinco e um lugar de aconchego. Hoje, praticamente abandonado, o Pavilhão volta a receber atenção, em um processo de revitalização iniciada há três semanas e que pretende redescobri-lo à sua própria gente.
Na verdade, o Pavilhão do Chá foi erguido onde antes existia
uma pista de patinação, na Praça Venâncio Neiva
- essa construída pelo presidente Camilo de Holanda, em 1917. O local
também abrigava jardins, fontes e coretos. João Pessoa mandou
demolir o rinque e erguer o pavilhão central. "O que temos ali,
na verdade, é um imóvel do estilo arquitetônico chamado
ecletismo. E a arquitetura eclética tinha, entre outras, influência
da arquitetura oriental", explica Raglan Gondim, coordenador de Arquitetura
e Ecologia do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico
do Estado da Paraíba (Iphaep).
A primeira etapa dessa revitalização, porém, está
diretamente direcionada à Praça. Iniciadas há cerca de
três semanas, as obras serão de recuperação de
todo o calçamento do local. "Trata-se de um processo de reurbanização
da praça Venâncio Neiva, dentro de um conjunto de obras, que
terão, agora, intevenção maior no Ponto de Cem Réis,
especialmente no viaduto Damásio Franca", especificou Rodrigo
Marques, diretor de obras da Secretaria de Infra-Estrutura de João
Pessoa (Seinfra). O conjunto, aliás, faz parte do Programa de Revitalização
de Sítios Históricos (PRSH) da Prefeitura. O valor da obra é
de R$ 402.120,65 e os trabalhos devem ser concluídos, na Praça,
deve acontecer em aproximadamente 60 dias.
Mas o Pavilhão do Chá não ficará apenas assistindo à reurbanização do seu entorno. Ele próprio receberá cuidados especiais, em uma segunda etapa de revitalização. "O local vai receber serviços de conservação e reestruturação. Lá deverá funcionar uma biblioteca e uma área de exposição", adianta Gondim. E mais: o britânico chá das cinco poderá até não voltar aos hábitos do local, mas certamente a área contará com um Café Cultural aos leitores e visitantes das mostras ali inseridas. Ainda haverá a instalação de novo mobiliário urbano, iluminação e arborização.
inícioO governador Cássio Cunha Lima fez uma prestação de contas do que o Governo do Estado tem realizado em cidade de João Pessoa, por ocasião do aniversário de 423 anos da capital paraibana, nesta terça-feira, dia 5. Durante o Programa Boa Tarde Paraíba, ele confirmou a construção do Centro de Convenção, cujo processo de licitação será lançado ainda neste mês, e que se constituirá numa das principais obras de sua gestão na Capital.
Durante o programa, o governador também destacou as obras que seu governo vem realizando na área de saúde na Capital, destacando as obras da Maternidade Frei Damião, Clementino Fraga e no Complexo Arlinda Marque, entre outros.
O governador também ressaltou os investimentos feitos na área de cultura, com a implantação do Museu da Cidadede João Pessoa, que será instalado numa antiga casa na Praça da Independência, onde morou por algum tempo o ex-presidente que deu nome à capital, além da Casa do Artista Popular, onde os artesãos têm um lugar para comercializar seus produtos.
Na área de educação, cássio lembrou a reforma do Hotel Globo e o Mercado de Artesanato que está sendo construindo próximo à PBTur, além de destacar a construção de centros sociais em diversos bairros. O governador pontuou ainda a chegada do gás natural nas residências.
Na área da Cagepa, os recursos provenientes do PAC estão direcionados para oito lotes de obras - o primeiro deles relacionado à melhoria do sistema de abastecimento d'água das cidades de João Pessoa e Santa Rita. Financiado com recursos da ordem de R$ 17.490.950,51, o projeto beneficia os bairros pessoenses do Bessa (R$ 4.920.677,38), Valentina de Figueiredo (R$ 6.033.225,62), Cidade Recreio (R$ 2.757.590,70), Praia do Seixas e Penha (R$ 270.508,41), e ainda a sede do município de Santa Rita (R$ 3.508.948,40).
Estão sendo empregados R$ 20.894.717,18 em obras de implantação e melhoria do sistema de coleta de esgotos em oito bairros da Capital: Jardim Cidade Universitária (R$ 4.891.067,00), Altiplano (R$ 1.364.043,71), Manaíra (R$ 2.274.143,61), Padre Zé e José Américo (R$ 1.746.223,16), Cruz das Armas (R$ 2.679.544,78), Funcionários I e José Américo (R$ 657.418,83), José Américo (R$ 5.212.647,93) e Jardim Ester (R$ 2.069.628,16). As obras já foram iniciadas, salvo no José Américo, onde só começarão após o período eleitoral.
inícioNestes 423 anos de existência, a cidade de João Pessoa seguiu o avanço natural decorrente do tempo. Novos empreendimentos foram surgindo e o comércio, antes concentrado no centro, foi se expandindo para as BRs. O historiador Arion Farias afirmou que houve uma mudança radical nas ruas e na cultura do povo pessoense em virtude do desenvolvimento tecnológico, necessidade evolutiva e de consumo.
O historiador lembrou que a primeira rua da cidade chamava-se Ouvidor Geral Martim Leitão, posteriormente nomeada Rua Nova e mais tarde Marquês do Herval. Hoje a mesma via pública é batizada de General Osório, situada no Centro da Cidade.
Além da mudança de nomenclaturas, as ruas de João Pessoa receberam investimentos em pontos, antes isolados, como a orla. "A cidade mudou-se para a praia, e a avenida Epitácio Pessoa transformou-se num corredor de pontos comerciais, um verdadeiro shopping. Nela ainda temos boates, casas de show, restaurantes e outras formas de divertimento", frisou Arion Farias. Os meios de transportes já não são os bondes, mas frotas de ônibus que fazem o transporte público coletivo dos moradores. A cidade também foi invadida por automóveis das mais variadas marcas e modelos que, segundo Arion Farias, "encurtou a distância entre os bairros".
Ele recorda que há muito tempo as residências deixaram de ser casarões rodeados por muretas e janelas espaçosas. Segundo Arion Farias, o lar atual do pessoense é rodeado por altos muros, onde no topo, muitas vezes estão as cercas elétricas. Isso porque a falta de segurança, mesmo com menor gravidade do que em outras Capitais, também chegou a João Pessoa. Ainda há a opção das construções verticais, que muitas vezes são escolhidas em nome da segurança.
"Ao contrário do que ocorria no passado, as crianças hoje vão e vem da escola acompanhadas e os grandes empreendimentos venceram. Hoje se vê o cinturão de concreto no litoral da cidade e as ofertas existentes nos shoppings estão à vista de qualquer cliente", afirmou o historiador.
inícioAo refletir sobre as mudanças de comportamento dos conterrâneos
da Capital paraibana, Arion Farias rapidamente se remete aos áureos
tempos da Festa de Nossa Senhora das Neves, padroeira da cidade. Décadas
atrás, ele conta que as mulheres desfilavam com um vestido novo a cada
noite. O evento, segundo ele, era aguardado durante um ano pela sociedade,
mas hoje está em declínio.
"Na Festa das Neves as damas da sociedade se vestiam com figurino francês,
copiado das revistas importadas. Hoje o evento entrou em declínio pelo
progresso e foi substituída pela feira Brasil Mostra Brasil",
frisou.
Diferentemente do que ocorre hoje, os jovens de décadas atrás flertavam durante o passeio na praça, chamado corso. Arion Farias lembra que rapazes e moças iam e viam no passeio público e quando se cruzava trocavam olhares.
Ao comentar o vestuário das mulheres, o historiador lembrou que nos anos de 1960 as jovens pessoenses faziam um misto para compor seu visual. Enquanto vestiam roupas com traços de modelos franceses, no rosto estampavam batons vermelhos, seguindo o estilo das atrizes americanas que apareciam nos cinemas da época. Já os homens usavam cabeleira lustrada com o cosmético chamado brilhantina. "O cabelo deles parecia pára-lama de automóvel", brincou o historiador. Já a aparência do bigode nos rostos masculinos era de um traço fino, à moda Clark Gable, ator norte-americano. Já o traje usado era uniforme completo.
No quesito vestimenta dos pessoenses, o historiador fez uma comparação com os dias atuais. Ao invés dos paletós, os rapazes usam hoje bermudas irreverentes. "Nos rapazes a cintura da calça baixou, sendo que é necessário que a cueca apareça de uma forma sensual".
Nas mulheres ele também observou que a cintura mudou de lugar. Ele comenta que na última década ela subiu a blusa e baixou a altura do cós, descobrindo o corpo. "Agora está decretada a guerra. Quem baixar mais ganha a disputa".
Nas ruas, os pessoenses também relembram as mudanças apresentadas na cidade. Os registros na memória popular vão desde a extinção de cinemas antigos como o "Municipal", na Rua Visconde de Pelotas, até as críticas ao velho terminal de ônibus do Varadouro, que hoje se transformou em um terminal de integração. "A cidade transformou-se muito ao longo do tempo. As ruas e o trânsito mudaram de aspecto. Novas obras como a Estação Ciência chegaram e os cinemas famosos da Visconde de Pelotas como o Municipal e o Plaza foram extintos", disse o aposentado Paulo Carvalho, que trabalhou como gerente do Municipal.
Ele lembrou que centenas de pessoas formavam longas filas no quarteirão para assistir aos filmes do Municipal. Paulo Carvalho frisou que, na época, o comércio que existia na rua, como restaurantes, ajudava no movimento da antiga sala de exibição. Mas com a chegada dos shoppings, que aliaram lojas, para de alimentação e lazer em um único local, a decadência da empresa de cinema foi inevitável.
Já o comerciante Nivaldo Correia recordou a criação do Farol do Cabo Branco e a chegada da Casa de Artesanato, em Tambaú. Sobre os antigos costumes que existiam entre o povo ele citou a valorização da família. "Antigamente o respeito entre pais e filho era indiscutível", destacou.
A funcionária pública Lúcia Malheiros disse que as alterações
na cidade são marcantes na parte física. "João Pessoa
está mais limpa e organizada", sintetizou. Já o carioca
Alex Sandro Gomes da Silva, que adotou a Capital paraibana como seu atual
lar, exaltou as qualidades do ponto extremo oriental das américas.
"Aqui moramos, nos divertimos e comemos bem. Ainda temos tranqüilidade.
Tem cidade melhor para se viver? Mas acho que o poder público deveria
dar mais atenção ao Centro Histórico", sugeriu.
A artesão paulista, Neide Branquinho, veio a João Pessoa a trabalho
e acabou ficando permanentemente. "Uma das mudanças marcantes
da cidade foi o terminal de ônibus do Varadouro, que hoje está
muito organizado".
(Alexsandra Tavares)
Uma estrutura de concreto, vidro e aço, espalhada por mais de 8.570 metros quadrados e com um vista panorâmica para o mar. Essas são algumas características do mais importante presente recebido pela cidade de João Pessoa, nesses seus 423 anos. Nascida nos traços do arquiteto Oscar Niemeyer e destinada a ações culturais, educacionais, científicas e artísticas, a Estação Ciência, Cultura e Artes Cabo Branco tem se tornado ponto de referência para estudantes, turistas e até mesmo aquele pessoense que pouco sai de casa para andar pela própria cidade.
Visitar a Estação Ciência é como reencontrar os antigos espaços de convivência com a família, com amigos e, principalmente, com o mar. "Essa vista, daqui de cima, é algo que só quem mora em apartamentos de frente para o mar poderia ter. Agora podemos aqui na Estação Ciência subir e ficar horas olhando para esse marzão. É uma maravilha", descreve Ana Maria Magnólia, moradora do bairro da Torre, encantada com a primeira visita ao local. Durante a semana, veículos com estudantes de escolas públicas se alternam no estacionamento da Estação. Aos sábados e domingos, centenas de pessoas deixam o lugar ainda mais movimentado.
A torre principal que lembra um disco voador, o espelho d'água, o
auditório, as peças em exposição, o anfiteatro,
o gramado, a música que se espalha por todo o ambiente fazem do presente
a João Pessoa um espaço de pura integração. Entre
cliques e sorrisos, o casal de turistas cearenses Nalberto e Mônica
Maciel não poupa elogios. "Já viemos à cidade diversas
vezes, mas dessa vez está sendo muito especial. Esse lugar é
mágico, com essa vista, essa estrutura toda e esse clima", declara
Mônica. "Agora nós temos mais um motivo para estar aqui
outras vezes", completa o marido.
Inaugurada no último dia 3 de julho, a Estação, que tem
capacidade para receber pelo menos 500 visitantes por dia, já foi alvo
de polêmicas. Além de estar localizada sobre uma área
de preservação ambiental, a falésia do Cabo Branco, a
edificação não conta com equipamentos adequados para
pessoas portadores de necessidades especiais - o que está sendo providenciado,
após determinação do Ministério Público.
Até agora, porém, polêmica ou ajuste algum conseguiu diminuir o encantamento dos que chegam ao local. "É lindo. Nunca tinha entrado em um lugar tão grande, tão bonito", descreve Maria Eduarda, de apenas seis anos.
Quem chega pela primeira vez à Estação Ciência Cabo Branco tem o olhar direcionado quase que automaticamente para a torre/mirante que se assemelha a um disco voador. O prédio, principal das cinco edificações que compõem toda a estrutura, é composto por dois pavimentos suspensos apoiados em base única. Ali estão uma estação científica, hall de exposições permanentes e temporárias, um restaurante, café e terraço panorâmico com visão de 360 graus que dá ao visitante olhar para o mar ou para a mata.
O segundo prédio em destaque no complexo projeto por Niemeyer é o auditório com capacidade para 500 pessoas e duas salas para convenções com 200 lugares, além de um conjunto de salas especiais para a formação artístico-cultural de alunos da rede pública. Com acesso independente, no local podem ser realizados eventos diversos, sem que isso interfira em outras atividades da área. Um painel que lembra obras de xilogravura marca a estrutura, pelo lado de fora. Para programações em espaço aberto, foi projetado um anfiteatro com palco, camarim e banheiros. Acomoda um público de 300 pessoas sentadas, podendo atingir o dobro dessa capacidade com a ocupação das calçadas.
O visitante encontra, ainda, espaço com lojas de souvenirs e lanchonetes e um estacionamento para quase 200 veículos. A sonorização uniforme, com caixas espalhadas e camufladas pelos jardins, contribui para o clima de passeio. A obra, orçada em R$ 33,5 milhões e financiada pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, é mesmo o maior presente da modernidade à tão antiga João Pessoa. Um presente com vista para o mar - e os olhos no futuro.
inícioO prefeito da Capital que mais realizou foi o médico Walfredo Guedes Pereira, em 1924, no governo de Solon de Lucena.
Dentro do projeto de reurbanização, Walfredo Guedes Pereira vem detendo o recorde, haja vista a Lagoa do Parque Solon de Lucena, onde plantou 76 palmeiras imperiais, reabriu varias dezenas de ruas nas adjacências, doou os terrenos da Praça da Independência, do Mercado Central e reorganizou vários bairros.
Demoliu as igrejas das Mercês (Praça 1817) e construiu na rua Padre Meira; desapropriou a Igreja N.S. do Rosário dos Pretos (ou Homens de Cor), onde hoje é a Praça Vidal de Negreiros, defronte ao Edifício Regis, para construir o abrigo de passageiros de bondes, desapropriando dezenas de casas, becos e vielas existentes na retaguarda da igreja, inclusive o Bar de Luzia Gaga.
Na imagem que ilustra essa coluna, cedida pelo professor Nivalson Miranda, e oriunda do escritor e sócio do Instituto Histórico e Geográfico da Paraíba, Adauto Ramos, e que agora faz parte do nosso acervo (imagem raríssima), podemos observar na imagem, em 1924, a terraplanagem do terreno onde hoje é a Praça Vidal de Negreiros. Ao fundo o casarão de Azulejos, que foi residência do Barão de Maraú (parente próximo do prefeito Marcus Odilon Ribeiro Coutinho).
Vale salientar que neste prédio, na época, cuja fachada dava para a rua Duque de Caxias, funcionava na parte térrea as oficinas do jornal Correio da Manhã, de Ruy Carneiro, e na parte superior a redação e residência do mesmo. No último andar havia uma "república" de estudantes, inclusive ali residiu o desembargador Paulo Bezerril. Na parte térrea, na retaguarda, funcionava a Biblioteca Pública, cujo diretor, o poeta Américo Falcão, foi o autor da idéia da mudança do nome da Capital.
Podemos observar atualmente, defronte ao Palace Hotel, o Casarão de Guilherme da Silveira, hoje invadido pelos "Sem-teto".
A construção da praça tornou-se o “Cartão Postal” da Paraíba, com uma torre em estilo art nouveau, com 16 metros de altura por quatro de largura, e abaixo da cúpula nas laterais, mostradores de relógio (os quais se encontram na torre do Palace Hotel) e encimado com uma "biruta" com os quatros pontos cardeais.
A inauguração foi em 12 de outubro de 1924, cujo orador foi
o presidente Solon de Lucena.
Na década de 50 do século passado, o prefeito Oswaldo Pessoa, no intuito de reurbanizar a cidade, reconstruiu dezenas de logradouros, como as praças Pedro Américo; Aristides lobo; 1817; Lavanere Wanderlei; Antônio Pessoa e outras, acharam adequado que devia reformar o Centro da cidade e modificou o "Cartão Postal" que "morava" no coração dos pessoenses: a Praça Vidal de Negreiros. Trocou o abrigo de passageiros de bonde elétrico por dois pavilhões para engraxates; demoliu a "Torre do Relógio"; uma grande intenção que resultou em um grande mal.
Damásio Franca foi um prefeito visionário, que observou o
congestionamento do trafego de veículos em direção à
cidade, em sentido à Lagoa do Parque Solon de Lucena, e sem os meios
econômicos oriundo de Projetos e sem ajuda governamental. Agigantou-se
usando operários da própria edilidade, tendo à frente
o arquiteto Mário Glauco Delicio e desafogou o tráfego sentido
bairro de Cruz das Armas, o que resolveu o problema de congestionamentos.
Criou uma passagem de nível, uma pequena fonte, área de lazer
e ambiente para comemorações cívicas.
O trabalho de Damásio Franca cumpriu sua finalidade, porém foi
desativado por questões políticas, questionado na Justiça.
Um Memorial está sendo implantado a Damásio, pelos seus familiares,
tendo à frente o seu filho, o Tabelião Zito Franca. Ele era
um memorialista, que documentou a cidade com 157 filmes cinematográficos
em 16 mm, 8 mm e Super-8, além de centenas de fotos. Agora mesmo está
sendo homenageado como Patrono de uma Cadeira na futura Academia de Cinema
da Paraíba, que está sendo implantada pelo historiador irrequieto,
Willes Leal, e apoiado pelo crítico cinematográfico, João
de Brito.
(Arion - Fone: 8840-4663)
Jomar Morais Souto foi o poeta que, com mais felicidade e riqueza de detalhes, poetizou a cidade de João Pessoa com o seu "Itinerário Lírico da Cidade de João Pessoa", que está em sua 6ª edição e no próximo ano receberá uma versão digital (CD - Pindorama) em comemoração aos 50 anos do movimento literário Geração 59. No momento ele está em sua casa, no bairro dos expedicionários, preparando seu mais novo trabalho literário, uma coletânea de poesias de sua autoria que deve ser lançada em 2009 pela Editora Girafa com antigos e novos poemas.
O escritor Jomar Morais Souto foi um dos poetas que movimentou o cenário artístico-literário em décadas passadas. Ele é um remanescente da Geração de 1959, que assim como Vanildo Brito (falecido no mês passado), Luiz Correa, Tarcísio Meira César, João Ramiro Farias de Melo, Rejane Sobreira, Marlene Almeida, José Bezerra Cavalcanti, Ivan Freitas, Marcos Agripino, Jurandy Moura e outros buscavam firmar uma expressão poética moderna para a poesia paraibana.
O imortal Mauro Mota, em uma entrevista para o jornal A União nas Letras e nas Artes, classificou a poesia de Jomar como uma das melhores e promissoras do Estado naquela época, pela capacidade que ele tem em se colocar diante dos novos métodos de assimilação poética.
Quando falamos sobre sua poesia ele diz que hoje faz uma poesia sem pensar, sem rótulos. "Procuro me distanciar da poesia tradicional, parnasiana. Hoje eu me considero um poeta que faz uma poesia sem rótulo. Deixo a critério da critica a colocação dentro de qualquer escola", disse.
Com uma longa trajetória literária teve seu primeiro contato
com as letras no Ginásio Pio X dos irmãos Maristas, onde recebeu
uma medalha de bronze no Prêmio Poesia. Em 1952, ingressou no jornal
O Estado escrevendo crônicas e reportagens. Mas, é no ano de
1959 que seu trabalho poético toma impulso. Jomar se integra ao movimento
Geração 59 e publica a antologia de poemas com o mesmo nome.
No ano de 1961 é laureado com o Prêmio Augusto dos Anjos, concedido pela Secretaria de Educação e Cultura pela publicação do livro de poemas "Pedra da Espera". Um ano depois lança por sugestão de Virginius da Gama e Melo o livro "Itinerário Lírico da Cidade de João Pessoa", com ilustrações em bico de pena do pintor polonês Borys, lançado no Congresso Brasileiro de Crítica e História Literária. Para Jomar as décadas de 50 e 60 foram tempos alegres, em que reinava uma atmosfera de ideais.
Profundamente engajado com a poesia ele escreve "Elegia para um camponês
morto na Fazenda Miriri", poema publicado posteriormente no jornal A
Última Hora, do nordeste e na Revista Leitura em 1963, no Rio de Janeiro.
Ainda com uma visão introspectiva e saudosista da poesia ele ingressa
na carreira jurídica onde faz carreira como promotor de justiça
em São José de Piranhas, sertão paraibano.
Escritor, poeta e agora advogado Jomar se engaja na música e no cinema
paraibano. Na música vence o Festival de Música Popular Brasileira
em João Pessoa musicando Reina Calma no País, de autoria do
compositor Marcos Vinícius. É quando Vital Farias traz para
a música o poema "Sabiá, Sabiá" ,de autoria,
em que obtém expressiva aceitação pública em um
dos festivais de música promovido pela Teatro Santa Roza.
Os laços com cinema paraibano são estreitados quando recebe o convite de Vladimir de Carvalho para recitar os versos de "A Boladeira", que dá nome ao filme. O curta-metragem recebe o Prêmio Nacional do Festival de Cinema de Manaus, em 1968. Com o sucesso de A Boladeira é convidado novamente pelo cineasta para escrever a trilha poética do longa-metragem O País de São Saruê, filme que passou oito anos para ser exibido devido a vigência do Ato Institucional no 5, imposto pela ditadura militar no país.
No período sombrio da ditadura Jomar Morais Souto se volta para o direito e ingressa na vida administrativa exercendo atividades junto ao Ministério Público, em várias unidades jurisdicionais do interior do Estado e no Gabinete do ex-governador Tarcisio Burity. É quando em 1980 edita pela Editora Universitária da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) o livro de poesia Fazenda de Murmúrios. Cinco anos depois concorre e vence o Prêmio de Poesia do IV Centenário, promovido pela Fundação da Paraíba com poema Canto da Capitania de Nossa Senhora das Neves, que versava sobre a fundação da cidade de João Pessoa, que completava naquele ano 400 anos. Ao comentar sobre o poema ele disse que na verdade pretendia juntar Canto da Capitania ao Itinerário Lírico, porque ele era uma continuação livro anterior revisto e ampliado.
inícioJomar Morais Souto é natural de Santa Luzia do Sabugy, interior do Estado, cidade onde guarda uma visão introspectiva do lugar, da família e dos pensamentos que nem sabia que poderia virar poesia. Dentre outros destaques literários está o surgimento de sua poesia no livro de Poemas Contemporâneos, uma publicação da Roswitha Editores, em que ele aparece ao lado de nomes como: João Cabral de Melo Neto, Ferreira Gular, Mauro Mota, Carlos Nejar e outros. E na antologia de Nordestinos, editada em Lisboa, Portugal, pela editora Fragmentos. Além do poema Agrarianas e outros poemas, editado pela Ars Poética de São Paulo, com prefácio de Ariano Suassuna.
Em 1986, a Universidade de Brasília edita o livro País de São Saruê, com todo o roteiro cinematográfico de Vladimir Carvalho e os versos de Jomar Morais Souto, considerações da crítica que vão desde Jean Claude Bernadet a Ariano Suassuna, José Nêumanne Pinto, Ruy Guerra, Glauber Rocha, Silvie Pierre, esta do Cahiers du Cinéma, de Paris, Anne Head, do Observer de Londres, Leonard Greenwood, do Los Angeles Times.
Sobre a nova geração de poetas paraibanos Jomar Morais Souto diz que existe um grupo que está revigorando a poesia e cita Chico Lino, Morais Assunção e Sérgio Castro Pinto como poetas tão bons quanto os existentes em outras épocas. Na opinião de Jomar a universidade tem um importante papel na formação dos novos poetas.
Geração 59 - Foi um movimento poético que se opunha
à poesia tradicional, parnasiana, da geração de 1945.
Para consolidar o movimento o grupo criou o Clube do Silêncio, uma coletânea
de poesias de autores locais que curiosamente iria se chamar geração
58, mas, um atraso da gráfica na entrega do material passou a ser chamado
de geração 59, porque somente foi entregue naquele ano.
O conflito entre as gerações era normal. Na opinião de
Sérgio Castro Pinto, um dos criadores do grupo Sanhauá, que
surgiu anos depois do movimento Geração 59, todos os movimentos
poéticos se repetem em gênero, grau de conflitos de gerações.
Muito pouco registro histórico em livro pode ser encontrado sobre o movimento. O professor e literato Hildeberto Barbosa Filho, em sua tese de mestrado junto ao departamento de Letras da UFPB versando sobre o Grupo Sanhauá faz referência ao movimento da geração 59.
Para Jomar Morais Souto a geração 59, embora o movimento tenha sido bastante questionado posteriormente pelos intelectuais por não ser um realmente modernista, foi importante para a poesia paraibana, que serviu para acordar a cidade. "Se havia algum laivo de poesia que não fosse moderna na minha ou de qualquer outro poeta da época, era normal para quem estava engatinhando", finalizou. (Adriana Crisanto)
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