Na década de 40 do século passado até 1960, houve uma mudança radical nos hábitos dos pessoenses, face ao desenvolvimento tecnológico e as necessidades evolutivas.
Para se deslocar até o comércio local no Varadouro (cidade baixa) notadamente nas ruas Maciel Pinheiro, que já foi Rua Conde D`Eu, das Convertidas e do Comércio ou a Rua do Melão, (Rua Beurepaire Rohan); estando nos bairros e para utilizar um coletivo, dizia-se "Vou tomar a sopa"; ele queria dizer um transporte coletivo; com uma adaptação da carroceria de um caminhão.
Quanto a "Pegar o Lorê" ele queria dizer, ir de coletivo, Bonde elétrico, o qual conduzia uma composição férrea em reboque para (transporte de mercadorias), também denominado de "segunda" pois era fechado com assentos laterais o que favorecia espaço para mercadorias e a metade do preço das passagens
As "madames" para adquirir mercadorias para afazeres domésticos ou similares (como hoje vamos ao shopping) diziam "Vou tomar a sopa e descer" (isto é, no transporte coletivo e ir ao comércio) e no regresso dizia-se "Vou subir no Lorê."
Descendo do coletivo o Bonde número 12 da linha do Comércio, cujo motorneiro o Sr. Piloto, um criuolo alto, cabelo carapinhado, estrábico, filho do Sr. Paulo e sr. Jo e residiam na av. Conceição, vizinho ao Sr. Rosendo o "Rei das casas de palha" ao descer do bonde no geral se dirigiam ao Abrigo de passageiros de bonde, que ficava em frente onde hoje é o Edifício Regis; em cujo interior varias unidade de apoio como bomboniere do sogro do médico (já falecido) Dr. Jarbas Maribondo Vinagre, uma floricultura do Sr. Eduardo Sctukert, um fiteiro do Sr. Eufrosino, genitor do consagrado médico Dr, Genival Veloso; no centro do abrigo uma lanchonete do lendário Sr. Antonio Muribeca, genitor do emérito grastroentologista Galvani Muribeca; aquela lanchonete, vendia dentre outras guloseimas a "gasosa" que foi o precursor do Guaraná. com vários sabores, como limão, Uva, Pêra, Laranja e Maça (a mais gostosa) e conforme o referido médico, o sr. Muribeca introduzia na essência um liquido gaseificado do qual importava.
Vale lembrar que o Sr, Muribeca, era um empresário bem sucedido e proprietário do famoso Café Alvear; era o ponto de encontro dos políticos da terra, e para ser importante ou seja ter "status" era necessário ter encontros no Ponto de Cem Réis e notadamente tomar um café pequeno no Alvear (vizinho a Padaria Fluminense, que já foi a Padaria Cahino); Sr. Muribeca, era sócio do seu irmão Pedro Muribeca, na torrefação onde os quais exploravam o café em pó, Alvear; na rua Miguel Couto n. 42; (vizinho ao Foto Condor) o café em pó acima citado era considerado de primeiríssima qualidade e puro.
Na década de 40 do século passado, não era habito dos pessoenses, residir na praia ou fazer ponto de encontro, inclusive a inexistência de shopping.
O hábito domingueiro dos familiares, eram levarem seus filhos a Lagoa para passearem com suas melhores roupas, a mulheres com leque, sombrinha na cor do vestido, os meninos com roupas tipo marinheiro e as mocinhas em vestidos de organdi, já com laço de fita na parte posterior; os homens com chapéu e guarda sol; os rapazes e moças, ficavam defrontes ao Cassino da Lagoa, fazendo o "corso", (passeio dos rapazes e moças indo e vindo) ouvindo o som das melodias das Bandas Musicais do Exercito e da Policia os quais se revezavam, a do Exército o 22 BC (hoje 15 RI) cujos regentes alternadamente na semana Tenente Joaquim Pereira ou Tenente Picado.