Jornal O Norte

João Pessoa, Quinta-Feira, 28 de Agosto de 2008

Agnaldo Almeida


É uma campanhazinha

Entre os políticos-candidatos e a Justiça Eleitoral não há nenhuma dificuldade em escolher o lado certo para se ficar. A Justiça ganha de mil a zero. Os candidatos precisam mesmo ser vigiados de perto e fiscalizados o tempo todo. Qualquer descuido, e eis que eles aproveitam essas brechas para sair dos limites da lei que, como pretendentes à representação popular, deveriam seguir religiosamente.

Mas na vida tudo tem limites. A legislação eleitoral está sendo interpretada com tanto rigor pela magistratura que praticamente não há como se falar em campanha eleitoral. A TV, o rádio e os jornais estão sem condições de repercutir a campanha. Tudo o que se disser pode dar causa a um processo.

Os mais antigos não estranham muito até porque nos chamados anos de chumbo, em que o regime militar fazia e desfazia o que bem entendesse, a situação era praticamente a mesma. Nas eleições de 1974, entrou em vigor a Lei Falcão, que proibia os candidatos de dizer, na propaganda eleitoral, qualquer coisa que não fosse o seu nome e o seu número.

Estranha muito que em plena democracia as coisas continuem do mesmo jeito. Os guias eleitorais dos candidatos a vereador, por exemplo, vão se transformando num imperdível programa de humor, tantas são as curiosidades apresentadas no horário.

A imprensa, cuja liberdade está expressa na Constituição Federal, vai deixando o período passar, com justificado receio de não ter que responder a processos que, quando nada, causam enorme prejuízo de tempo.

Campanhas eleitorais frias, como esta que ocorre agora, só ajudam a quem já detém cargo público. Vereadores e prefeitos que estão no exercício de seus mandatos se dão muito melhor do que os seus concorrentes. Há quatro anos está na mídia, tiveram seus nomes expostos e, para o bem ou para o mal, consolidaram as suas imagens pessoais. Candidatos desconhecidos do grande público enfrentam, por assim dizer, uma concorrência desleal. Brigam quase anonimamente contra adversários que já são largamente conhecidos da população.

Vejam os leitores se não é assim. Da lista oficial dos candidatos a vereador em João Pessoa, a coluna retirou os seguintes nomes: Toinho do Bolo, Tavinho, Flavinho, Chikinho, Hiltinho, Bosquinho, Corujinha, Marcelinho, Quinho, Lourdinha, Socorro Queridinha, Pedrinho, Silvinha, Terezinha e Dinho.

Não são nomes inventados. Os próprios candidatos disseram ao TRE que querem ser identificados desta forma. A lista está no site da corte eleitoral.
Na opinião de vocês, isso é trágico ou é engraçadinho?
Isso é uma campanha ou uma campanhazinha?

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