O Jornal O NORTE foi fundado pelos irmãos Oscar Soares e Orris Eugênio Soares em João Pessoa (PB), no dia 7 de maio de 1908. Na época, a capital paraibana se chamava Parahyba.
O NORTE foi concebido dentro de padrões jornalísticos modernos para o período, com boa qualidade gráfica e textual, revolucionando a imprensa de seu estado de origem. Seu lançamento fora noticiado até pelo concorrente direto, o jornal "A União", hoje o jornal mais antigo ainda em circulação na Paraíba.
Inicialmente impresso em apenas quatro páginas e diagramado em sete colunas de texto, O NORTE noticiou em suas primeiras edições a euforia política vivida durante os anos iniciais da República. Sempre possuiu editoriais bem escritos e de temática predominantemente política, em postura relativamente conservadora. Nos primeiros exemplares, suas reportagens geralmente vinham dispostas em colunas, como no caso de "Telegramas" (onde eram veiculadas comunicações entre políticos).
Atualmente figura como um dos títulos mais tradicionais do jornalismo impresso paraibano, sendo o segundo jornal mais antigo da Paraíba ainda em circulação. A primeira sede de O NORTE funcionava na rua Visconde de Inhaúma, hoje João Suassuna, na Cidade Baixa. Hoje, 100 anos após sua fundação, o jornal encontra-se instalado na Avenida Pedro II, no Centro da Capital.
Em seus tempos mais antigos o jornal contou com o trabalho de Orris Soares, Abel da Silva, Sinésio Guimarães, Inojosa Varejão, Enéias Leite, José Porphyrio, entre outros. Mesmo com tal equipe, até princípios da década de 1920 o jornal não trazia um expediente, expondo apenas o endereço de sua redação e impressão, algo normal para a imprensa da época.
Nos primeiros anos O NORTE trazia reportagens, editoriais, colunas de cunho social, notas gerais e promoções locais. Circulava inicialmente como uma folha independente de vínculos e disputas políticas.
Mas por volta de 1915, motivado por dificuldades financeiras, o jornal deixa de lado seu aspecto apartidário e passa a se envolver em brigas políticas locais e nacionais, dando apoio explícito à candidatura do paraibano Epitácio Pessoa à Presidência da República (que de fato assumiu o cargo em 20 de julho de 1919). Entre 1915 e 1919 o jornal chegou a ser considerado o "órgão oficial" do epitacismo. O NORTE chegou a criar intensa rivalidade com o "Diário do Estado", que era favorável a Walfredo Leal e contrário a Epitácio Pessoa.
Boa parte do rigor político de O NORTE passou a justificar-se também pelo ingresso de Oscar Soares à vida política: em 1918 o fundador do jornal assume um cargo na Câmara Federal, conquistado devido à campanha de seu diário em prol de Epitácio Pessoa.
A passagem de folha independente para noticiário claramente político desagradou boa parte dos leitores d'O NORTE, ocasionando um declínio em seu prestígio editorial. Em contrapartida, o jornal lançava-se em cruzadas próprias, pelo bem do comércio e da sociedade locais: criticou o cangaço e sua sustentação ligada ao coronelismo, defendeu a criação do hospital Santa Isabel e encabeçou campanhas pró-ferrovias.
Desde os primeiros tempos O NORTE mostrou-se defensor do progresso industrial e do cientificismo paraibano. Mesmo com tanto ideal progressista, nos seus primeiros 50 anos o jornal encontrou períodos de dificuldade: passou por crises financeiras e por três vezes foi fechado e reaberto por motivos políticos.
O primeiro destes momentos de crise ocorreu na década de 1920, culminando com o fechamento temporário do jornal. Após este episódio, pouco esclarecido historicamente, os irmãos Soares vendem o periódico ao comerciante Januário Barreto, que também denota ao jornal um cunho político. Januário deixou a direção e a gerência do periódico, respectivamente, a cargo de Rocha Barreto e Raymundo N. da Costa.
No ano de 1930 O NORTE foi fechado pela segunda vez. Nesta época o jornal fazia parte de uma linha favorável ao Presidente da República Washington Luís e opositora a João Pessoa, então presidente do Estado da Parahyba e candidato derrotado à vice-presidência na chapa da Aliança Liberal. Por ser desfavorável ao político paraibano, a vendagem de O NORTE caía vertiginosamente. Após o assassinato de João Pessoa, somado ao sucesso da Revolução de 1930, o jornal fora invadido e depredado por uma população raivosa, deixando de circular por impossibilidade técnica. Januário Barreto decide então vendê-lo a Manuel Velloso Borges, que adquire a empresa em 1932, precisando de reformas.
Em 1935 o jornal volta a circular, sob a chefia de redação de Matheus de Oliveira, com uma linha editorial mais noticiosa e menos política, crítica e doutrinária. Entre 1933 e 1936 Eudes Barros assume como novo diretor de O NORTE. Pouco tempo depois de assumir o cargo, Barros é perseguido (literalmente) pelo capitão paraibano João Costa, por conta de matéria publicada a seu respeito. Costa chegou a avançar sobre Barros, pelas ruas de João Pessoa, armado com um pedaço de pau. Depois deste episódio, por volta de 1936, Barros deixa a direção d'O NORTE para José Leal.
Em 1939 o jornal volta a suspender sua publicação, por conta de desavenças com a política ditatorial do Estado Novo. Seria reaberto somente em 10 de janeiro de 1950, agora pertencente ao senador Virgínio Velloso Borges e com forte engajamento na candidatura de José Américo de Almeida ao Governo do Estado da Paraíba (que saiu vitorioso).
Sob a propriedade do senador Borges o jornal contava com a direção geral do então ex-deputado Ivan Bichara Sobreira e com a direção de redação de José Leal (ambos eram articulistas nesta época, assim como José Souto e Hilton Freire). Ivan Bichara promoveu nas páginas do jornal sua campanha à reeleição como deputado e, saindo vitorioso, no mesmo ano de 1950, a direção de O NORTE passou a ser feita integralmente por José Leal (que passou a figurar em seus expedientes como diretor-executivo).
Virgínio Borges havia atualizado o parque gráfico do jornal, sobretudo pela compra de equipamentos do jornal concorrente O Estado da Paraíba.
Nesta época O NORTE possuía boa circulação pela Paraíba, chegando a quase todos os seus municípios.
No ano de 1954 José Leal afasta-se do cargo de diretor do jornal, deixando-o para Júlio Guedes C. Gondim, que mal pôde aproveitar sua função gestora: no mesmo ano O NORTE é comprado por Assis Chateau-briand e passa a integrar os Diários Associados. Depois deste marco, nunca mais deixou de circular.
Ao ser comprado por Assis Chateaubriand, O NORTE passou a ser administrado por um condomínio acionário, em sistema criado pelo dono dos Associados para facilitar a gestão de seus inúmeros jornais e emissoras de rádio e TV. Atualmente, o condomínio de cada empresa normalmente é composto por cerca de 20 cotas detidas por funcionários de destaque dentro dos Associados.
A partir do ano de 1957, com a fundação do Diário da Borborema, por parte de Chateaubriand, os Associados passam a contar com mais de um veículo em solo paraibano - agora em Campina Grande. Dada a boa qualidade editorial articulada para a implementação do DB, vários textos produzidos originalmente para suas páginas acabavam sendo republicados em O NORTE. Nesta época, começo da década de 1960, o diário pessoense contava com a direção de Antônio Pereira Diniz.
Nos anos 1960 destacou-se n'O NORTE um suplemento cultural dominical chamado O Norte Literário, que publicava textos de Nelson Rodrigues, Humberto de Campos, Adalberto Barreto, entre outros. Só personalidades de calibre figuravam neste encarte, um sucesso na época. Em 1961 a direção do jornal passa às mãos de João Gusmão Bastos (suas gestões seguintes passaram para João Calmon, novamente Antônio Pereira Diniz e Aluísio Mota).
Mesmo pertencendo aos Associados, por volta de 1965 O NORTE passou por uma crise financeira. Tal situação foi lentamente superada e o jornal voltou a liderar o mercado de mídia impressa na Paraíba já na década de 1970.
Chateaubriand falece no ano de 1968, deixando pelo Brasil inúmeros órgãos de imprensa órfãos. O NORTE, assim como o restante dos veículos de sua rede de comunicação, permaneceram exclusivamente sob gestão acionária. Neste mesmo final da década de 1960 o noticiário policial ganha maior espaço nas páginas do jornal. Nesta época surge no NORTE o personagem "Zé da Silva", criado em cartum pelo jornalista Cecílio Batista.
Em uma trajetória histórica marcada por pioneirismos locais, em 10 de agosto de 1973 O NORTE foi o primeiro jornal paraibano a ser impresso no sistema off-set. A data marcou também o início de um novo projeto gráfico para O NORTE, o mais moderno do Nordeste, e sua conseqüente liderança na imprensa diária paraibana.
Na década de 1970 o jornal cria, em parceria com o Diário da Borborema, o Suplemento Social Feminino, veiculado semanalmente em ambas as publicações. Em 1978 João Calmon volta ao cargo de diretor.
No ano de 1980 o jornal passou por uma crise financeira que culminou com a demissão de 36 funcionários. Na década de 1980 os Associados lançaram na Paraíba a rádio FM O NORTE e a TV O NORTE, em ligação direta com o jornal. Por volta de 1985 destaca-se em O NORTE o suplemento cultural Gente e Lazer, que contou com colaborações de inúmeras personalidades paraibanas.
Em 1991 O NORTE tornou-se o primeiro diário da Paraíba a ter sua redação informatizada, com máquinas obsoletas de datilografia sendo substituídas por computadores. No ano de 1995 o jornal marcou-se como o primeiro do eixo Norte-Nordeste a possuir uma versão na internet, com o lançamento do site www.onorteonline.com.br. Em 29 de setembro de 2002 o sítio do jornal passa a ser o primeiro portal de jornalismo da Paraíba, veiculando na rede matérias que não se limitavam ao conteúdo impresso de O NORTE e disponibilizando notícias atualizadas em tempo real.
Ao longo de sua história, após as composições iniciais de sua redação, o jornal estampou textos de Abelardo Jurema Filho, Alfredo Bernardo, Aluísio Moura, Antônio Cabral, Biu Ramos, Cecílio Batista, Edmilson Lucena, Enoque Pelágio, Erialdo Pereira, Evandro Nóbrega, Fernando Wallach, Frutuoso Chaves, Genésio de Souza, Giovanni Meireles, Gisa Veiga, Hilton Gouveia, José Leal Ramos, Josélio Gondim, Juarez Félix, Júlio Santana, Jurandir Moura, Luiz Augusto Crispim, Martins Neto, Nathanael Alves, Oduvaldo Batista, Paulo Souto, Pedro Moreira, Teócrito Leal, Walter Galvão, entre outros.
Vários colaboradores de projeção nacional tiveram textos transcritos nas páginas de O NORTE: Assis Chateaubriand, Austregésilo de Athayde, Câmara Cascudo, o sociólogo Gilberto Freyre, Tereza Alkmin, entre outros.
Hoje, O NORTE conta com Joezil dos Anjos Barros em sua presidência e Cecílio Antônio Azeredo Fonseca é o diretor-superintendente dos Associados Paraíba. Luiz Carlos de Sousa é o diretor de Jornalismo do grupo na Paraíba e Joanildo Mendes responde pela editoria geral de O NORTE.
No conteúdo atual d'O NORTE encontram-se páginas sobre o cotidiano de João Pessoa e do interior paraibano, assim como política (local e nacional), esportes, cultura, notícias gerais sobre o Brasil e o mundo, colunas opinativas, economia, polícia, moda, televisão, variedades, eventos, classificados, entre outros temas.
O jornal possui seções semanais sobre terceira idade, "Revista da TV", que expõe as novidades da programação televisiva brasileira, além das matérias especiais, onde assuntos específicos são desenvolvidos em maior profundidade, em comparação ao noticiário diário.
O NORTE é impresso no Recife (PE), no parque gráfico do jornal Diário de Pernambuco, também pertencente aos Associados.
O jornal possui, em sua sede, um arquivo com edições posteriores à década de 1950. O acervo d'O NORTE, entretanto, está completo apenas a partir do ano de 1973. A coleção das quatro primeiras décadas do periódico fora perdida durante mudanças de sede e devido a um alagamento nos arquivos do jornal, em 1984.
No início do século 21, O NORTE passa a fazer parte da Agência de Notícias do Direito da Infância (ANDI). O jornal ainda acumula em seu currículo títulos como o Prêmio Esso de Jornalismo pela série de reportagens "Incentivos para uma economia de Cordel", publicada em 1975 pelo jornalista Luiz Augusto Crispim; o Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo, em 2002, pela foto intitulada “Jocréia”, de autoria do fotojornalista Marcus Antonius; o concurso internacional “Momentos Incríveis”, promovido em 2004 pelo National Geographic Channel, pelo trabalho da fotógrafa Mônica Câmara; além de três edições consecutivas do Prêmio BNB de Jornalismo (em 2004, 2005 e 2006), por reportagens assinadas pelo jornalista Henrique França; duas vitórias no Prêmio AETC de Jornalismo, com textos de Nara Valuska Miranda; entre outras premiações ligadas ao trabalho dos jornalistas Evanice Gomes, Célia Leal, Luiz Conserva, Clóvis Roberto, José Euflávio e dos fotojornalistas Ovídio Carvalho e Helder Pinto.
O NORTE recebeu ainda, pela Câmara Municipal e pela Assembléia Legislativa de João Pessoa, votos de aplausos pela reportagem "As ligas camponesas, os EUA e o Golpe de 1964", publicada em 2 de abril de 2006 por Nara Valuska.
Coleção de O NORTE disponível no acervo da Biblioteca Nacional
ARAÚJO, Fátima. História e ideologia da imprensa na Paraíba. João Pessoa: Ed. Ilustrada, 1983.
ARAÚJO, Fátima. Paraíba: imprensa e vida. Campina Grande,PB: Grafset, 1986.
sítio http://jornal.onorteonline.com.br/terca/80anos/
sítio http://jornal.onorteonline.com.br/quarta/aniversario/
inícioCumpre-nos recordar fatos e coisas da nossa terra, sobretudo, aqueles que, se não fomos participantes, ao menos tivemos a ventura de ser contemporâneo. Com relação à história do jornal O NORTE, se bem que não tenhamos participado da equipe que atuou nos primeiros anos da sua existência, viemos, com o correr dos tempos, precisamente a partir de 1943, a nos identificar de tal maneira que o consideramos partícula da nossa carreira no periodismo conterrâneo.
Tentarei, nas linhas seguintes, sintetizar a crônica de O NORTE, que teve períodos áureos e temporadas de vil e negra depressão.
Era de estagnação o meio jornalístico provinciano, no momento em que surgiu O NORTE, com um programa de renovação do periodismo, rompendo com a enervante rotina observada a que se escravizavam as publicações que vinham circulando no primeiro decênio deste século.
Ainda não havia se diluído a influência avassalante de Artur Achiles e do grupo que se aglomerou em torno da sua pessoa, recebendo dele lições de ética jornalística, assimilando-lhe os processos e se inspirando nas atitudes de combatividade, dentro, porém, do rígido respeito à pureza da língua vernácula, elegância de estilo, sobriedade dos conceitos. Mas isto não impedia que o marasmo invadisse o meio, não havendo, portanto, ambiente propício para novas iniciativas no campo editorial, por isso, o jornal foi recebido como o sucessor do famoso “O Commercio”, que teve momentos de glória, mas pagou elevado tributo ao direito de agir com independência face aos acontecimentos que tinham a capital como teatro de sua projeção.
Artur Achiles foi um jornalista espontâneo e vibrante, tendo exercido singular influência sobre os espíritos jovens do seu tempo. Criou escolas, formou discípulos e, sobretudo, sou conquistar dedicações, mas viu-se, pelas duras contingências da vida, compelido a declinar da missão de orientador da opinião pública, para trocar a pena do editorialista pela do contabilista e, por fim, mergulhar na mediocridade da burocracia, a fim de assegurar a sobrevivência dos seus familiares. As gerações atuais ignoram esse nome gigantesco do periodismo paraibano, que devia estar sempre presente na memória daqueles que adotam a ingrata carreira do jornalismo, à qual ele deu brilho e devotou boa parte da sua vida de paraibano dedicado à terra natal.
Nasceu O NORTE nessa situação, numa terra em que a pena sobrevivia, em precárias condições, o órgão oficial e o periódico da Diocese, cifrando-se neles as únicas atividades do periodismo naqueles dias.
O jornal idealizado por Orris Soares, com a cooperação do seu irmão Oscar Soares, quebrou os velhos padrões do jornalismo provinciano, apresentando ao público uma folha cuidadosamente organizada, otimamente impressa e surpreendentemente bem redigida. Movimentada em condições, portanto, para ser bem recebida, indício da era de renovação e de modernização manifestada em todos os pontos do país. Toda matéria obedecia a um padrão elevado, quer os editoriais, sueltos e simples registro dos fatos diversos, indicando a mentalidade evoluída dos seus dirigentes.
As reportagens, as notícias do dia-a-dia recebiam ênfase que lembravam a desaparecida "Gazeta da Paraíba", de Eugênio Toscano, por isso alcançou facilmente extraordinária penetração, não somente na capital como, igualmente, nos pontos mais recuados da Paraíba, levando a toda parte a informação em primeira mão, o comentário pertinente acerca do acontecimentos, dando a versão exata dos fatos. Refletia com precisão absoluta o panorama social, político e econômico do Estado, aspectos sempre descurados pelos demais periódicos que o precederam na senda publicitária.
Na fase inicial integram a redação elementos categorizados do periodismo local, destacando-se, dentre eles, Abel da Silva, egresso da imprensa do Pará, onde fizera carreira frutuosa ao tempo em que Belém era reputada a capital mais europeizada do Brasil, tendo, tempos depois, atuado em jornais do Rio, em pontos de destaque. Era tido como um dos melhores periodistas da nossa terra e manteve esse conceito até a sua morte.
Proclamando-se órgão apartidário, sem compromissos de ordem política, se bem que seus diretores fossem "personas gratas" da corrente epitacista, assim viveu vários anos, mas quebrou essa linha de imparcialidade ao eclodir o choque político que dividiu o Estado em dois campos de luta inconciliável, situando-se ao lado de Epitácio Pessoa e dando cobertura à sua campanha contra a situação simbolizada por monsenhor Walfredo Leal, convertendo-se em jornal partidário extremado, acarretando o desgaste da popularidade, a que estão sujeitos os periódicos nitidamente políticos, fenômeno brasileiro determinante da originalidade de nenhum partido político manter diário sob sua exclusiva responsabilidade.
A conversão do jornal, de puramente informativo, em órgão de debate político, refletiu-se na tiragem, embora aos poucos conseguisse restabelecer a situação anterior, ajudada pelo bafejo do oficialismo através dos diretores, sobrinhos do então governador Camilo de Holanda.
O êxito que assinalou a carreira política dos proprietários do jornal, impondo o afastamento do Estado de ambos, para se radicarem no Rio, impôs a entrega da direção da folha a elementos que não estavam capacitados para reerguê-la, gerou a necessidade da sua transferência a outros donos.
Assim é que o comerciante Januário Barreto veio a adquiri-lo, convocando para a redação o jornalista Rocha Barreto, um dos profissionais da pena mais eficientes e honestos que conhecemos, o qual, apesar das suas qualidades de jornalista experimentado e apaixonado da profissão, não teve meios para operar a restauração que se impunha.
E sobrevindo a campanha da Aliança Liberal, O NORTE mal-avisadamente se colocou ao serviço da corrente que combatia João Pessoa, granjeando, com essa atitude, a antipatia popular, porque, naqueles dias trepidantes, incorria na pena de excomunhão cívica quem não participasse ativamente do movimento de rebeldia que empolgava a alma paraibana.
Os distúrbios que se registraram com a notícia da morte de João Pessoa envolveram o jornal. As suas oficinas foram devastadas pelos populares em fúria e a folha teve de suspender a circulação durante vários meses. Ao reaparecer era um jornal a agonizar, sem vitalidade e sem vibração. Daí a decadência precipitou, sustada somente quando, em 1932, o dr. Manuel Veloso Borges adquiriu o título e as oficinas com o propósito de remodelar a folha, tanto no aspecto material quanto no seu conteúdo literário.
Caminhava o jornal para a morte inglória, quando Manuel Veloso Borges em face da necessidade de um órgão para dar cobertura aos candidatos à Constituinte, que iriam disputar o pleito, decidiu adquirir o que tinha sido o melhor jornal do seu tempo. E de começo esteve sob a direção do dr. Matheus de Oliveira, figurando, na equipe de redatores, elementos do nível intelectual de Matias Freire, Adalberto Ribeiro, Maurício Furtado, Dustan Miranda e alguns outros. Após o pleito, a redação foi sendo abandonada pelos membros da primeira equipe, passando a direção às mãos de Eudes Barros, um dos espíritos mais brilhantes da sua geração que acabava de regressar do Recife, impelido pela reação em face da sua conduta durante a recente luta política.
Deste conterrâneo recebemos a direção do jornal, uma vez que lhe foi impossível a continuação devido a um atrito havido com oficiais da força pública. Dirigimos até que, sobrevindo, o advento do Estado Novo, fomos obrigados a sustar a publicação do jornal, para esperar melhores dias.
Essa oportunidade, no entanto, só surgiu ao eclodir a luta pela governança do Estado em 1950. O NORTE, remodelado, ressurgiu das próprias cinzas para se converter no arauto da candidatura José Américo.
Marcou essa fase um período áureo do velho jornal, que alcançou tiragens espetaculares, penetrando em todos os cantos do Estado, onde seus exemplares eram disputados, sendo que, somente em Campina Grande, a venda avulsa alcançava milhares de exemplares.
A equipe que operou o renascimento de O NORTE contava com elementos do porte de Ivan Bichara, Pereira Dinis e tantos outros que prestaram colaboração ativa à causa da restauração democrática da Paraíba.
Em 1954 o Dr. Virginio Veloso Borges, que até então detinha todas as ações da empresa, cedeu parte dos seus interesses aos Diários Associados, passando daí para cá O NORTE a figurar como uma das unidades daquele grande consórcio editorial brasileiro.
Filho de São João do Cariri (nascido em 1891) saiu de lá com as primeiras letras, os primeiros estudos, fazendo o aprendizado posterior com o que fosse encontrando em leitura e experiência de vida. Adolescente, fez seu primeiro jornal manuscrito na cidade natal.
Em 1915já aparecia na imprensa da capital com uma crítica ao prefeito de Alagoa Grande, cidade onde demorou trabalhando na construção da estrada de ferro. Em Alagoa Nova, onde conheceu a família da jovem que viria ser sua mulher, Ester Romero, fundou um jornal, O Momento.
Em 1927 aparece correspondente dos jornais "A União" de João Pessoa e "A Noite" do Rio de Janeiro. Em 1930 engajou-se nos jornais que faziam a campanha da Aliança Liberal.
Manteve-se coerente com as hostes aliancistas e seus líderes maiores até seu último posto de liderança na imprensa, quando secretariou a redação de O NORTE como porta-voz da campanha pela eleição de José Américo ao governo do Estado, em 1950.
Foi editorialista e colunistas do jornal, com as suas "Notas do dia" até 1954, quando o jornal do grupo Virgínio Veloso Borges foi incorporado à cadeia Associada.
Dedicado aos estudos históricos, deixou vários livros, destacando-se Este pedaço do Nordeste (1943), Reencontro da vila 91961), Vale da Travessia (1971 (Dicionário Biobibliográfico Paraibano (1980) entre outros estudos e memórias. Faleceu em 25 de outubro de 1976.
inícioO Commercio foi o primeiro jornal da Paraíba depois do itinerante "O Republico" de Borges da Fonseca, com uma proposta e uma prática de jornalismo informativo e de opinião seriamente independente. Antes dele, houve a "Gazeta da Parahyba", de Eugênio Toscano, um jornal que inaugurou esses padrões, mas ligado às idéias republicanas, de certo modo político. O fundador de "O Commercio"e principal redator, Arthur Aquiles dos Santos, dominou a cena política, social e cultural escudado apenas no vigor de sua pena livre e corajosa. Ele, de uma personalidade irradiante, era o próprio jornal. Temido e respeitado, tinha em seu favor, além do talento jornalístico de viés polêmico, uma vida de moral irrepreensível. Não via ninguém maior ou mais poderoso do que a sua verdade, fosse o oligarca Álvaro Machado, que mandou e desmandou durante quatro governos consecutivos, fosse o representante de Deus na terra, como ao pé da letra se reputava Dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, o primeiro Arcebispo da Paraíba.
A edição de 1-o1-1901, até bem pouco tempo conservada na Biblioteca Nacional, revela a cultura ou o ideal que "O Commercio" representou. Não muito diferente dos melhores jornais do país.
Precisa ressaltar que, na época, o desenvolvimento tecnológico da imprensa, seus prelos, suas caixetas de composição, não fazia muita diferença entre cidades como São Paulo, Recife, Rio ou João Pessoa. Belém do Pará, nos começos da República, era a Meca para onde convergiam os grandes talentos jornalísticos do Norte-Nordeste. Dizia-se a capital mais europeizada do Brasil. Há vestígios atuais dessa época, simbolizados pelo seu teatro. A diferença era menos no equipamento do que nos talentos e valores culturais, sobrepondo-se o Rio de Janeiro, sob esse aspecto, como a grande matriz do jornalismo, da literatura e das artes em geral.
O homem só de Ibsen
Vamos encontrar na 1ª. página do jornal paraibano que se despedia
do século XIX, alusões a Goutier, Baudelaire, Mallarmé,
Anatole France, Emile Zola, Verlaine, Victor Hugo, Renan, Heredia, Daudet,
Gourmont, século em que as grandes estrelas e os grandes feitos giravam
em torno desses heróis. A menção a eles, numa primeira
página da Paraíba, não devia ser um exibicionismo isolado,
mas um reflexo da elite cultural com que se comunicava a folha.
Foi esta lição de jornal formador de talentos que Artur Achiles trouxe do século XIX para a abertura do século XX. Herança posta nas mãos operosas de Coriolano de Medeiros, Celso Mariz, Alvaro de Carvalho Augusto dos Anjos, Leonardo Smith e, nesse meio, Orris Soares, um dos fundadores de O NORTE, que surgia na João Pessoa, antiga Parahyba, do começo do século XX.
Em 1908 fecha-se a tenda laboriosa de Achiles, que Álvaro de Carvalho, professor ilustre, governador no período revolucionário de 30 e, sobretudo, escritor (herdeiro do grande mestre) fecha o capítulo com este registro: "Lutou com idealismo, generosidade, desassombro e compostura. Criou o jornal moderno no meio estreito que era a Paraíba de então, sacrificando-lhe tempo, repouso, tranqüilidade e dinheiro. Era o homem só de Ibsen, assim evocado pelo filho Santos Neto que, morto o pai, foi encontrar seu lugar como advogado e militante das letras jurídicas no Rio de Janeiro.
Depois veio Orris Soares, com O NORTE, introduzindo, na imprensa da terra, nova técnica jornalística sob a orientação de Joaquim Ribeiro Dantas, um precursor dos editores que viriam sessenta anos depois.
A proposta de O NORTE não ficava muito longe do perfil gráfico e editorial dos jornais metropolitanos do começo do século XX. Não será ousadia afirmar que a relação de dependência dos jornais, únicos veículos formadores de opinião da época, fosse mais forte nos grandes centros do que mesmo nas províncias. Pelo menos na nossa província de Borges da Fonseca, Eugênio Toscano, seguidos por Artur Achiles e os Soares da fundação do novo jornal.
Quem leu Recordações do Escrivão Isaias Caminha, de Lima Barreto, que foi redator de um dos mais independentes jornais cariocas (assim se proclamava) o "Correio da Manhã", sofreu profunda decepção com a imprensa de conveniência que se praticava por trás de nomes consagrados depois pela História. E quem andou mais longe e leu as "Ilusões perdidas", o clássico de Balzac, menos motivo terá de amargar decepções.
Predominava a instituição da panelinha, do rasga-seda fácil, da troca de elogios envolvendo as estrelas da política, da sociedade e da cultura, para a grande desilusão do leitor de boa-fé.
Do ponto de vista político era lastimável, na metrópole, o grau de subserviência do jornal aos mandões do dia. O documento mais descarado dessa relação comprometedora é de um ex-presidente , o dr. Campos Sales, em seu livro "Da propaganda à presidência". Ele confessa haver comprado, com fundos públicos, a opinião da maioria dos jornais encomendando elogios sobre sua política econômica. Uma figura da época, Carlos Brasil, não esquece, em depoimento, de figuras como Machado de Assis redigindo discursos para membros do governo, uma prática que se formalizou e se profissionalizou com o tempo.
Quem leu a "História da Imprensa Brasileira" de Sodré vê que se restringe ao "Correio da Manhã", na escala dos grandes jornais, o exemplo de jornal com algum foco de real independência nos começos da República. Conclamava o povo à luta por melhores condições de vida, criticava o arbítrio, sobretudo a forma violenta como foi feita a campanha da vacina e a revolução urbana do Rio.
Há uma passagem, em Isaias Caminha que denuncia outra forma de dependência ao capital estrangeiro: "Antigamente, entre nós, o jornal era de Ferreira de Araújo (fundador da Gazeta de Notícias), de José do Patrocínio (fundador de A Cidade do Rio) ... Hoje de quem são? A Gazeta é do Gaffrée, sócio dos Guinle no monopólio da eletrificação do Rio; O Paiz é do Visconde de Morais ou do Sampaio (banqueiros) e assim por diante. E por trás dela, a imprensa, estão os estrangeiros, senão inimigos nossos, mas quase sempre indiferentes às nossas aspirações".
Pode-se compreender, por aí, por que o grande romancista salvo pelo tempo, Afonso Henriques de Lima Barreto, era um rejeitado pela elite social da época. E também pela elite cultural que se acumpliciava com esse mundo do poder e do dinheiro. Consagrado e amado pela posteridade como romancista e grande cronista diário, foi rejeitado pela Academia Brasileira de Letras onde pontificava um astro da mesma origem humilde e da mesma raça negra.
Era esta a grande imprensa no tempo em que Orris e Oscar Soares saíam
da escola cívica de Arthur Achilles para fundar um jornal a serviço
das aspirações sociais dos paraibanos.
Para isso o jornal não se ligava, até aí, a nenhum grupo
político, como era norma naquele tempo e continuou anos afora.
O surgimento de O NORTE não fugia, também da euforia exportada pela Europa e pela América diante do novo século. Aos olhos gerais ia nascer um novo mundo. O Rio de Janeiro, capital federal e principal centro de irradiação cultural, dá um basta ao modelo insalubre da velha cidade imperial e “civiliza-se”, como foi o grito de guerra da época. Eclode uma revolução urbana, o “bota abaixo” do prefeito Pereira Passos com iniciativas há séculos reclamadas, como o saneamento e a campanha contra a febre amarela, o mal que comprometia a entrada do século, campanha capitaneada por Oswaldo Cruz.
O povo vive tão intensamente essa transformação na capital modelo do país que um paraibano, da mesma geração de Orris, converte em romance de repercussão nacional o drama, com alguns fumos de tragédia, dessa modernização. É o romancista José Vieira, também cronista de "A cadeia velha" (memória da Câmara dos Deputados) que encarna tudo isso no seu "Bota abaixo", um de seus muitos romances que a indústria editorial não reeditou.
Era este o clima, reproduzido por uma revista da época: "A República é garota, tem apenas onze anos, mas é uma garota orgulhosa. Liberta da escravidão e do império, tem pressa em afirmar o Brasil como nação moderna. (...) Corpo e alma da República, a cidade do Rio de Janeiro irá desafiá-la com suas doenças e com a urgente necessidade de se adaptar aos novos tempos".
O NORTE veio para isto, para cobrar saneamento básico, democratização
do ensino que se restringia à elite, urbanização, saúde
e comunicação ferroviária e rodoviária.
Cobrando o que o jornal de Arthur Achiles tanto exigiu dos governos - saúde,
escola e saneamento - os fundadores do jornal conseguiram testemunhar, à
luz de suas penas, os passos fundamentais na implantação do
abastecimento de água da cidade, já posto a serviço do
núcleo central da cidade em 1910, no governo de João Machado.
Não será por simples coincidência que, em outubro do mesmo ano em que é fundado o jornal (7 de maio de 1908) é lançada a pedra fundamental do primeiro hospital regular da cidade, o Santa Isabel, em cuja caixa especial é guardado o exemplar do jornal que sempre fez do assunto a sua matéria principal.
É ilustrativo saber a quanto andava, nesse tempo, a economia da Paraíba, que fazia seus primeiros progressos no transporte ferroviário. Até aí, durante trezentos anos, todo o produto paraibano vinha por tropas de burro ou pelas barcas do rio. Sonhava-se com o projeto de Beaurepaire Rohan de assorear o rio Paraíba a partir de Itabaiana, aumentando o calado das embarcações do nosso açúcar.
Na chegada do século, o sonho era levar a linha férrea aos centros de produção algodoeira além-Borborema. Continuávamos atormentados pelos desvios do comércio sertanejo para o Recife em detrimento da praça da Paraíba e do Porto de Cabedelo, que os governos sucessivos faziam corpo mole pela sua inviabilização. Lutava-se pela inclusão da estrada de ferro central da Paraíba no plano nacional de viação. O sonho era: "Os nossos trilhos prolongar-se-ão autonomamente, além de Campina e através de Taperoá, Patos, Pombal até Cajazeiras, chegando a Talha, no Ceará".
Era o sonho de um dos editoriais do jornal, provavelmente escrito por seu redator-chefe, Joaquim Ribeiro Dantas, que a pesquisa tem dificuldade em traçar o seu perfil, ele que foi o braço direito do empreendimento, limitado, na crônica histórica, ao "competente", ao "laborioso", como essas pessoas que se escondem por trás do balcão e são os grandes motivadores do sucesso e da venda.
Ao partir para a leitura do seu público, O NORTE compunha, letra por letra de metal das suas reportagens e artigos à luz de querosene, no máximo do mal cheiroso e perigoso acetileno. O grande progresso da iluminação das ruas centrais desse tempo foi substituir os vinte lampiões de azeite de mamona por duzentos combustores de querosene.
É nessas circunstâncias que O NORTE se instala no sobrado número 9 da Rua Visconde de Inhaúma, a mesma rua onde funcionara O Commercio. No dia 8 de maio, "A União", em seu registro, se deixa impressionar pelos equipamentos montados, tudo novo, completo; pelo sistema de recepção telegráfica direta do Rio, pelo conforto das salas amplas distribuídas em dois pavimentos. Provavelmente melhor instalados que o jornal do próprio governo, o grande concorrente.
Mas a grande diferença estava na proposta editorial. Em lugar do clássico soneto que encimava as primeiras páginas da época ou dos folhetins traduzidos dos jornais franceses , o jornal do dr. Orris abria espaço à reportagem que já começara a se impor nos jornais metropolitanos. Nos primeiros números abre fogo contra o cangaço, a insegurança daqueles tempos que, como o tráfico de drogas de hoje, em tamanho infinitamente menor, tinha a sua sustentação em facções do coronelato. O NORTE já sustentava que não bastava combater o cangaceirismo isolado, mas quem o homiziava, seus "costas-quentes".
Nessa primeira fase, e durante bom tempo, em vez de porta-voz de grupos políticos, preferiu o partido das classes produtoras, principalmente do comércio, onde os Soares tinham tradição a partir de Adolfo Soares, português que escolheu a Paraíba, depois de passagem por Pernambuco, para os seus negócios. Na crônica de Coriolano de Medeiros e de Celso Mariz o comércio era, no tempo,o contingente social mais progressista, fomentando em seus cafés e "senadinhos" da Maciel Pinheiro as idéias remanescentes do abolicionismo recém-vitorioso, das práticas positivistas, do cientificismo. Não era sem motivo o surto cultural que conferir aos letrados, ao intelectual, mais prestígio social e político.
inícioNascido em 4 de outubro de 1891, em Umbuzeiro, cidade paraibana que fica a 112,8 quilômetros de João Pessoa, Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, ou simplesmente Chatô, sempre foi um homem simples e avesso às modernidades. Uma das provas disso é que, embora tivesse acesso às novidades tecnológicas da época, nunca quis aprender datilografia, preferindo usar lápis preto e incontáveis resmas de papel para escrever sua coluna diária, durante 50 anos, nos Diários Associados, prestigiado grupo que fundou.
Segundo conta a história, nem mesmo na noite de núpcias ele poupou a esposa Maria Henriqueta de suas esquisitices, preferindo vestir um camisolão e uma touca com elástico em lugar de um pijama convencional. Excêntrico, ele usava ainda uma espécie de 'queixeira' durante a noite para "manter a boca fechada e evitar o ronco", dizia.
Gago até os dez anos de idade, ficou curado sem tratamento e sem explicação. Era magro, baixinho e tinha vergonha do próprio corpo. A timidez o fez enveredar pelo caminho da escrita e, aos 15 anos, fez sua estréia no jornalismo, escrevendo textos polêmicos para a Gazeta do Norte, no Rio de Janeiro.
Chateaubriand criou e dirigiu a maior cadeia de imprensa do país, os Diários Associados, composto por 34 jornais, 36 emissoras de rádio, 18 estações de televisão, uma agência de notícias, uma revista semanal (O Cruzeiro), uma mensal (A Cigarra), além de várias revistas infantis e uma editora.
O nome de Chatô ficou mais conhecido quando ele venceu um concurso para lecionar Direito, mas essa ocupação não durou muito tempo, porque o paraibano decidiu dedicar-se à redação de jornal. Mesmo assim, ainda passou três anos nos tribunais. Enquanto isso, juntou dinheiro e somou muitos contatos. Em 1924, comprou O Jornal, onde produzia reportagens dinâmicas e polêmicas. Um ano depois, adquiriu outro jornal - o Diário da Noite - de São Paulo.
Assis Chateaubriand conseguiu transformar seu jornal em líder no mercado em quase todo o país. Incansável, decidiu apostar também no rádio, inaugurando, em 1935, a Rádio Tupi de São Paulo. O diário O Jornal, adquirido em 1924, foi o ponto de partida para o complexo empresarial que iria formar, incluindo o Diário da Noite de São Paulo; o Estado de Minas, em Belo Horizonte; o Correio Braziliense - em 1960, na inauguração de Brasília - o Jornal do Commercio do Rio de Janeiro e o Diário de Pernambuco - estes, os dois mais antigos jornais em circulação da América Latina - e mais de 30 jornais em todo o país.
Firme em seu objetivo de crescer, Assis Chateaubriand, muitas vezes desagradou a grupos e pessoas poderosas, criando inimigos. Um deles, o industrial Francisco Matarazzo Júnior, que ameaçou resolver a questão à moda napolitana: “Pé no peito e navalha na garganta". Chatô não se amedrontou e avisou: "Responderei com métodos paraibanos, usando a peixeira para cortar mais embaixo.”
Mas, os intentos de Assis Chateaubriand não pararam por aí. Ele foi o responsável também pela chegada da televisão no Brasil. Em 1949, após conhecer a novidade no exterior, decidiu trazer para o país a inovação que revolucionou costumes. Inaugurou a TV Tupi Difusora São Paulo em 1950. Era a primeira estação de TV da América Latina e a ela se juntaram 18 estações associadas.
Para a primeira transmissão, convidou os homens mais influentes do país, mas surpreendeu ao mandar servir guaraná e pão com mortadela para todos. É claro que havia os pratos finos, mas quem quisesse degustá-los, teria que pagar. Com o dinheiro, Chatô iria comprar quadros para expor no Museu de Arte de São Paulo, realizando um de seus grandes sonhos.
Sua trajetória foi marcada ainda pela política, negociando empréstimos com os presidentes Getúlio Vagas e Eurico Gaspar Dutra. Conseguiu ocupar uma vaga no Senado por duas vezes, mas acabou deixando o cargo para ser Embaixador do Brasil em Londres, em 1957.
Assis Chateaubriand sofreu uma trombose em 1960. A doença o deixou tetraplégico e em uma cadeira de rodas, mas lhe preservou a consciência. Por isso, continuou a escrever seu artigo diário graças a um mecanismo próprio na máquina de datilografia, equipamento que tanto abominara.
Lutando contra as limitações, ela já não conseguia dar conta de suas “crias”. A revista O Cruzeiro, que já havia vendido até 800 mil exemplares, não tinha mais a mesma circulação. E o mais grave para Chatô: nas mãos de outras pessoas, seus jornais começaram um período de decadência, dívidas, chegando ao ponto de trocar as grandes reportagens por matérias pagas. Neste período, começava a surgir a era de Roberto Marinho, que viria a tornar-se o “todo poderoso” da comunicação.
Percebendo a ascensão do rival, lutou para convencer o Congresso Nacional a abrir uma CPI para verificar um empréstimo obtido por Marinho com o grupo americano Time-Life, que seria utilizado para iniciar as atividades da Rede Globo de Televisão. Chateaubriand considerava a operação fraudulenta e, em seguida, partiu para o ataque pessoal, que de nada adiantou. Morreu em 4 de abril de 1968, deixando seu maior patrimônio, os Diários e Emissoras Associados, para um grupo de 22 funcionários.
Na edição de 9 de abril de 1960, a revista O Cruzeiro brindou os leitores com alguns escritos sobre a personalidade controversa de Assis Chateaubriand. Na época, já doente, ele contabilizava milhares de admiradores no Brasil e no mundo. "Não se cortam as asas a um condor", dizia o texto. "Assim, não se pode furtar a Chateaubriand o movimento. Pois se ele é justamente um símbolo de vida, de força criadora, de revolução, de disseminação, de agitação. Um dinâmico, um tenso, um afinado para as grandes tocatas. Como aceitá-lo imóvel?".
Inteligente e modesto. Assim era Assis Chateaubriand, como conta O Cruzeiro. Certa vez, no meio de um banquete, em Nova York, virou-se para seu secretário e perguntou: - Você tem um microfone aí, meu filho? Pouco depois interrompeu o discurso que estava fazendo, em inglês, e perguntou-lhe bem alto: - Como é mesmo que se diz fumaça em inglês?
Em outra ocasião, ao passar, com o mesmo secretário, por um
famoso militar soviético, perguntou-lhe: - Você sabe russo? -
Sei. - Então não perca tempo. Entreviste o homem. Jornalista
precisa ser agressivo.
E ele sabia russo? Sabia coisa nenhuma. É que a Chateaubriand, em trabalho,
nunca se diz "não".
Chateaubriand, segundo relatos publicados na revista O Cruzeiro, gostava muito de narrar as histórias que tinha vivido, que havia presenciado, que ouvira contar, mas detestava falar a seu próprio respeito. “Só se revela aos pedacinhos, quase sem querer, ao sabor das circunstâncias. Emotivo, dissimula a emotividade. Lírico, esconde o lirismo. Sensível, faz caretas de bicho-papão. É capaz das atitudes mais nobres, mais delicadas, mas sempre as faz metido numa armadura. Diz que detesta sentimento de família, mas já foi surpreendido em contradição. E quando está furioso? Saiam de perto". Mas, seu temperamento ia de um extremo ao outro. “Suas nuvens temperamentais, embora carrancudas, escondem montanhas de compreensão humana”.
Assis Chateaubriand foi de tudo um pouco: jornalista, fazendeiro, escritor,
industrial, senador, acadêmico, embaixador, “sempre realizando
e se realizando”, como bem o definiu aquela edição de
O Cruzeiro.
Homem simples, bebia pouco, vinho ou champanhe, nas horas das refeições.
Gostava de água de coco, de cajuada, de jerimum, de maxixe, de picadinho
na faca, de frigideira, de camarão ao leite de coco, e fazia propaganda
da comida brasileira pelo mundo afora. “Em toda a minha vida, tenho
sido apenas um repórter”, dizia ele.
Assis Chateaubriand era um homem decidido. Quando queria uma coisa, se empenhava, sem pensar nos meios para chegar ao seu objetivo. Um dos exemplos citados pelo historiador José Octávio Arruda Melo foi a criação da Lei Teresoca, nos anos 40, quando Chatô ameaçou e Getúlio Vargas cedeu à pressão do magnata das comunicações.
Na época, durante o Estado Novo, o jornalista havia se separado de Cora Acuña e os dois lutavam pela guarda da filha que se chamava Teresa. Ele conseguiu de Vargas a promulgação de um decreto que lhe dava direito a ficar com a menina. Nesse episódio, proferiu uma frase célebre: “Se a lei é contra mim, vamos ter que mudar a lei”.
Outro episódio de Chatô ganhou destaque foi na época em que namorava a cantora Dóris Monteiro. “Ela participava do popular concurso anual que escolheria a Rainha do Rádio, mas todos sabiam que suas chances eram de conquistar, no máximo, um terceiro lugar. Chatô, que não sabia perder, mais uma vez usou seu 'poder' para burlar o concurso e dar o título a ela", contou o historiador.
Comprou todo o encalhe da revista acumulado desde o início do concurso daquele ano. Todos os cupons encartados foram contabilizados como votos para Dóris, que foi eleita a Rainha do Rádio com 875.605 votos, contra 161 mil dados a Bárbara Martins e 76 mil a Julinha Silva.
"A gente não pode analisar os personagens históricos à luz da moral. O embuste e a dissimulação fazem parte da história", analisou José Octávio. Para ele, a grande figura não é aquela com quem a gente necessariamente concorda, mas a que ocupa um grande espaço. "E seu espaço, Chatô garantiu. Ele estava sempre em evidência, estava sempre imaginando coisas", observou.
Fernando Morais, no livro “Chatô - O Rei do Brasil”, diz uma coisa muito certa, como afirmou o historiador. "Ele era inteligente, mas achava que o povo era burro", verificou. Em certa ocasião, num comício realizado no município de Santa Rita, Chateaubriand, que era candidato a senador, disse que queria apenas o voto das mulheres. Os homens se irritaram e proibiram suas esposas de votar. Resultado: Chatô, que havia ficado no cargo durante dois anos, gastou muito dinheiro, mas não conseguiu se reeleger para o segundo mandato, perdendo, junto com Virgínio Veloso, para João Arruda e Argemiro de Figueiredo, em 1954.
Chatô também passou por maus bocados um pouco antes desse episódio.
Enquanto acontecia a Revolução de 1930, quase foi fuzilado no
meio da rua, sendo salvo por um representante da cidade, que o identificou
para os soldados, livrando-o da morte. Foi nesse período que sua ascensão
jornalística teve início. "Ele era um homem de escrever
três, quatro artigos por dia, e seus escritos eram publicados em todo
o País. Naquela época, a revista mais importante era O Cruzeiro,
da qual era dono. A palavra de Chatô era muito importante, mais do que
a de Roberto Marinho, que nunca foi jornalista", observou.
Doente, conseguiu uma enfermeira que chamava de “anjo da guarda”.
Ela entendia todos os seus sinais. Conseguia cuidar de Chateaubriand como
ninguém. Com a saúde abalada, ele continuou produzindo seus
artigos na máquina de escrever adaptada. O criador dos Associados morreu
escrevendo. Após sua morte, em agosto de 1968, vários artigos
inéditos do jornalista ainda foram publicados, mas isso foi se tornando
cansativo porque, segundo José Octávio Arruda Melo, não
houve uma seleção do material.
Orgulho para sua terra natal, Chateaubriand mal viveu na Paraíba. "Aqui não havia espaço para ele", comentou o historiador. Por isso, ainda adolescente, foi logo para Recife, onde começou a se destacar. Na Europa, fez questão de divulgar a culinária nacional. Numa de suas viagens à França, espalhou a receita de um prato que considerava símbolo da cozinha tupiniquim: banana com canela.
Durante a Segunda Guerra, mais uma história curiosa de Chatô.
Ele queria ter uma divisão dele para lutar e ganhar dinheiro, e convidou
vários soldados. No entanto, o Ministro da Guerra soube das intenções
do dono dos Associados e determinou que o soldado que atendesse ao chamado
de Chateaubriand seria expulso da corporação.
"Não concordo com algumas coisas que ele fazia, mas o admiro muito.
Ele foi um dos maiores jornalistas do Brasil e, inclusive, votei nele na eleição
para Paraibano do Século", acrescentou. "Chatô era
extremamente polêmico, mas somou grandes feitos. Um deles foi a criação
dos museus, entre eles, o de Campina Grande. Criou uma cadeia poderosíssima
de jornais, apesar de sua total falta de escrúpulos. Era um homem muito
desbocado", disse.
Em sua trajetória, Assis Chateaubriand contabilizou amigos, mas também
muitos desafetos. O jornalista Samuel Weiner, dono do extinto jornal 'Última
Hora', foi um dos inimigos de Chatô. Weiner morreu em 1980. Seu livro
póstumo "Minha razão de viver", lançado em
1987, foi resultado de 58 fitas (1.200 laudas) repletas de depoimentos com
revelações bombásticas, e algumas impressões do
jornalista sobre Chateaubriand.
Assis Chateaubriand tinha acesso direto aos presidentes das República. Os contatos com os governantes brasileiros eram constantes. Durante a Revolução de 1930, Chatô apoiou o movimento que levou Getúlio Vargas ao Palácio do Catete, sede da Presidência da República, quando o Rio de Janeiro era a Capital do País.
Depois a era Vargas, o fundador do então Diários Associados continuou sendo recebido e respeitado pelos presidentes. Foi assim, por exemplo, com Jânio Quadros e Juscelino Kubitschek.
HOMENAGEM A CHURCHILL - Entre as invenções originais de Chatô está a “Ordem do Jagunço”, quando ele se vestia a caráter, com chapéu na mão, e concedia o 'prêmio' a seus escolhidos. O ex-primeiro-mi-nistro britânico Winston Churchill foi um dos que receberam o título de "Cavaleiro da Ordem do Jagunço". Entre os convidados para a coroação, até a rainha Elizabeth II, da Inglaterra, estava presente na Abadia de Westminster, em Londres.
A história aconteceu durante um leilão beneficente, quando Chatô comprou, a peso de ouro, alguns quadros pintados por Churchill, só para ter a oportunidade de conhecer um dos líderes da 2ª Guerra Mundial.
Convidado por Churchill para passar um dia em sua casa de campo, Chatô aprontou uma nova surpresa: tirou da malinha um chapéu de cangaceiro e disse que iria prestar uma homenagem ao inglês. E disse: "Winston Churchill, eu vos armo comendador da mais valorosa hierarquia do Nordeste do Brasil, a Ordem do Jagunço". A foto da esquisita homenagem ganhou os jornais de mundo inteiro.
A partir de 1957, assumiu o cargo de Embaixador do Brasil nas terras inglesas. "Ele não era um embaixador de carreira. Na época, era como um cargo honorário", explicou José Octávio de Arruda Melo.
O jornalista Gonzaga Rodrigues, colunista de O NORTE, contou que viu Assis Chateaubriand algumas vezes entrando no jornal, mas nunca teve o prazer de falar com ele. "Chateaubriand nunca se dirigiu a mim", lamentou. "Mesmo assim", continuou "considero o fundador dos Associados uma figura extraordinária do ponto de vista da ousadia de empresário, de jornalista. Ele nunca teve fortuna, não herdou dinheiro, mas era muito inteligente e conseguiu aliados. Foi um homem genial nesse aspecto", lembrou.
Para Gonzaga, do ponto de vista da globalização, Chatô também se destacou. "Ele sempre foi um conservador quando o Brasil lutava pelo petróleo, pela soberania de suas riquezas", analisou. Além disso, Chateaubriand liderou campanhas de postos de puericultura; fez experimentos com as fazendas de algodão, que ele disseminou na Paraíba; estimulou a criação de campos de aviação. O Nordeste inteiro, como recordou, foi beneficiado com as idéias dele.
Quem teve contato com Chatô, diz que sua grande característica era a ousadia. E uma frase que o descreve muito bem, como observou Gonzaga Rodrigues, foi proferida por José Américo de Almeida. "Tudo que faz é loucura até ser feito", dizia o escritor. "Ele queria dizer que Chateaubriand tinha projetos que as pessoas comuns achavam uma loucura, como os Associados, por exemplo. Mas, ele acreditava, e as idéias davam certo", verificou.
"Chateaubriand morreu e não deixou herança para a família, como milenarmente se faz. Ele preferiu dividir os bens com as pessoas que o ajudaram a construir seu patrimônio", finalizou Gonzaga Rodrigues.
Em meio a discursos solenes e espetáculos teatrais, ele costumava dar uns cochilos, mas sempre avisava a seu secretário para lhe acordar, caso fosse necessário. Dizia Chatô: "Enquanto for apenas um cochilo, deixe-me dormir em paz que eu acordo logo. Quando começar a roncar muito alto, chute minha canela sob a mesa."
Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo nasceu em Umbuzeiro, na Paraíba, no dia 4 de outubro de 1892.
Freqüentou no Recife o Ginásio Pernambucano cursando, a seguir, a Faculdade de Direito da capital pernambucana. Lá, se tornou professor, após concurso para a cadeira de Filosofia do Direito, em que conquistou o 1º lugar. Membro da Academia Brasileira de Letras, eleito em 30 de dezembro de 1954 e empossado em 27 de agosto de 1955.
Desde a juventude, dedicou-se ao jornalismo, escrevendo no "Jornal Pequeno" e no veterano "Diário de Pernambuco".
Em 1917, já no Rio de Janeiro, atuou no "Correio da Manhã", publicando impressões da viagem à Europa, em 1920.
Em 1924 assumiu a direção de "O Jornal" - o denominado "órgão líder dos Diários Associados", entidade que iria abranger no futuro um conjunto de 28 jornais, 16 estações de rádio, 5 revistas e uma agência telegráfica.
Assis Chateaubriand tomou o partido da Aliança Liberal, na campanha que teve por desfecho a vitória da Revolução de Outubro de 1930. Contudo, dois anos depois, seu apoio à Revolução Constitucionalista o levaria ao exílio.
Em março de 1941, promoveu a "Campanha Nacional de Aviação", com o lema - "Dêem asas ao Brasil".
Organizou o Museu de Arte de São Paulo, uma de suas mais importantes criações.
Eleito senador pelo Estado do Maranhão, em 1957, acabou renunciando para ocupar o cargo de Embaixador do Brasil na Inglaterra.
Com a morte de Getúlio Vargas, em 1954, candidatou-se a vaga deixada pelo ex-presidente na Academia Brasileira de Letras.
A maior parte da obra do diretor dos Diários Associados, encontra-se dispersa em seus artigos para a imprensa. Em livros, contribuiu com as obras "Em defesa de Oliveira Lima"; "Terra desumana"; "Um professor de energia - Pedro Lessa" e "Alemanha" (impressões de viagem).
Em data recente o jornalista Fernando de Morais publicou "Chatô", impressionante biografia de Chateaubriand, magnificamente documentada e que se constituiu em notável êxito de livraria desde o seu lançamento.
Assis Chateaubriand era inovador. Em sua época, trouxe para o Brasil a Multicolor, mais moderna máquina rotativa de que se tinha notícia. Seu grupo foi o primeiro e único a possuir o equipamento por um longo tempo. Foi assim também com os serviços fotográficos da Wide World Photo, que possibilitavam uma transmissão de fotografias do exterior com uma rapidez muito maior do que possuía qualquer outro veículo nacional.
Na publicidade, firmou grandes contratos de exclusividade para lançamento de produtos com a General Eletric, e para o pó achocolatado Toddy, cujos anúncios estavam sempre nas páginas de seus jornais e revistas. Além disso, a moda dos anúncios em jornal pegou e nas páginas dos jornais dos Diários Associados apareciam anúncios sobre Modess e cheque bancário, itens que na década de 1930 eram revolucionários.
Publicou quase 12 mil artigos assinados em seus jornais dando oportunidades a escritores e artistas desconhecidos que depois virariam grandes nomes da literatura, do jornalismo e da pintura, dentre eles Graça Aranha, Millôr Fernandes, Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Cândido Portinari, entre outros.
Em 10 de agosto de 1967, Assis Chateaubriand entregou ao Magnífico Reitor da Fundação Universidade Regional do Nordeste (hoje UEPB), Prof. Edvaldo de Souza do Ó, o primeiro acervo do Museu Regional de Campina Grande, localizado em Campina Grande - PB. O acervo foi chamado de "Coleção Assis Chateaubriand, com 120 peças. A partir daí o museu passou a ser chamado de "Museu de Artes Assis Chateaubriand".
Em 1952 é eleito senador pela Paraíba e em 1955 pelo Maranhão, em duas eleições escandalosamente fraudulentas. É temido pelas campanhas jornalísticas que move, como a em defesa do capital estrangeiro e contra a criação da Petrobras.
Funda o Museu de Arte de São Paulo em 1947. Com o suicídio de Getúlio Vargas, assume a cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras. Trabalha até o final da vida, mesmo depois de uma trombose ocorrida em 1960, que o deixa paralisado e capaz de comunicar-se apenas por balbucios e por uma máquina de escrever adaptada.
inícioEles eram jovens, ricos e visionários. Filhos de comerciantes portugueses que fizeram fortuna na capital paraibana, à época chamada Parahyba do Norte, os irmãos Oscar e Orris Soares foram os responsáveis pelo nascimento do Jornal O NORTE, o segundo mais antigo do Estado. Lançado com estardalhaço em 7 de maio de 1908, O NORTE tornou-se um capítulo à parte na rica trajetória desses empreendedores.
Mas, afinal, quem eram Oscar e Orris Soares? Sobre o primeiro deles há pouco o que falar - ou poucos registros. O nome de Oscar praticamente só é citado em relação ao lançamento de O NORTE e a uma vaga, em 1918, assumida na Câmara Federal, onde permaneceu até 1930.
O professor Arion Farias desvenda o quase anonimato histórico desse que era ligado à vida política nacional. "Não há muito o que falar sobre Oscar Soares porque ele foi embora, voltou para Portugal". A volta para terras do além-mar deu-se, evidentemente, após seu mandato - conquistado, em parte, pelo partidarismo a Epitácio Pessoa, então presidente do Brasil.
Diferente do irmão político, porém, Orris Eugênio Soares teve uma vida agitada no cenário cultural brasileiro. Logo no primeiro ano do século XX, em 1900, o ainda adolescente Orris (alguns grafam seu nome Órris) tornou-se amigo do poeta paraibano Augusto dos Anjos, de quem tornou-se grande admirador.
Os dois tinham mais em comum do que a paixão pela poesia: ambos nasceram em 1884, ingressaram no curso de Humanidades do Liceu Paraibano em 1900 e conquistaram seus bacharelados em Recife - Orris em Direito, Augusto em Letras.
A cumplicidade entre Orris e Augusto era tamanha que após a morte do poeta, em 1914, foi do amigo luso-brasileiro a iniciativa de reeditar o livro “Eu”, lançado por Augusto dois anos antes de sua morte, custeado pelo irmão Odilon. Além de trazer de volta ao cenário o polêmico livro do amigo, Orris Eugênio, como era conhecido por alguns intelectuais, foi o responsável por completar a coletânea original com versos póstumos, em 1920. Daí o título que conhecemos hoje: "Eu e Outras Poesias".
Orris também foi o prefaciador dessa edição ampliada da obra, onde descreveu o amigo ausente como um tipo excêntrico de pássaro molhado. No texto intitulado "Elogio de Augusto dos Anjos", Soares também apoiou a postura do poeta em não se filiar a nenhuma escola literária, enfatizando que "isso de escolas é esquadria para medíocres". Orris Eugênio também foi o responsável por revelar manias e qualidades do amigo-poeta. Dizia que Augusto costumava compor "de cabeça", gesticulando e pronunciando os versos, excentricamente, para depois transcreve-los para o papel.
E mais: o então bacharel em Direito confessou que só conseguiu passar no exame de latim porque se valeu do colega Augusto que o ajudou a destrinchar Horácio. Mas Orris não ficou no âmbito judicial. Teatrólogo, biógrafo, jornalista, orador, ensaísta e funcionário público - essas foram algumas das assinaturas de Orris ao longo da vida.
Autor das peças teatrais “Rogério” e “A Cisma” - ambas de 1920 -, Orris conquistou elogios do consagrado escritor carioca Lima Barreto. Em uma crônica que seria inserida na coletânea “Marginália”, Barreto não poupa elogios a Rogério: “Admirei muito a peça, o estudo dos personagens, da protagonista, embora me parecesse ela não possuir uma certa fluidez. Isto nada quer dizer, porque é qualidade que se adquire. As que não se adquirem são as que ele têm: poder de imaginar, de criar situações e combiná-las". E não pára por aí: “É uma peça revolucionária, inspirada nos acontecimentos da atual revolução russa - o que se denuncia por alusões veladas e claras no decorrer dela. O autor não esconde a sua antipatia pelos revolucionários não só russos, como os de todo o jaez. Isto ele o faz com o pensamento geral da peça, como também nos detalhes. A cena final da loucura do terrível revolucionário - Rogério - julgando-se rei e coroando-se com uma caixa de papelão, é maravilhosa, e intensa", escreve Lima Barreto.
Tão boas referências como escritor não poderia refletir tão bem a influência dos Soares no modo de fazer jornalismo do início do século XX. Apesar de não terem na comunicação seu principal terreno de atuação, Oscar e Orris chamaram a atenção de leitores e especialistas por fundar um jornal "surpreendentemente bem redigido", segundo relatos históricos. "O NORTE já nasceu dentro dos moldes do jornalismo moderno e bem elaborado", confirma a escritora Fátima Araújo, em seu livro “Paraíba: Imprensa e Vida”. E o sucesso editorial da dupla parece ter se perpetuado em família, pois Oscar e Orris são também conhecidos como os tios-avós do apresentador e multimídia Jô Soares.
E a idéia bem sucedida de fundar O NORTE chegou a Orris logo após sua formatura em Direito, em Recife. A parceria com o irmão Oscar não poderia ter sido mais adequada. Em época de efervescência política e cultural, Oscar montou estratégias nas câmaras parlamentares e Orris cuidou de burilar o texto, a forma e cuidado editorial desse hoje centenário e orgulhoso Jornal. E foi ali, no dia 7 de maio de 1908, que os irmãos Soares deram, sem dúvida, um novo Norte ao jornalismo feito no Estado da Paraíba.
inícioNo dia 7 de maio de 1908 os irmãos Wright apresentava ao mundo seu primeiro artefato voador no escritório de patentes americana. Também em maio de 1908 nascia John Wayne, o cawboy mais famoso do cinema americano. Na América Latina, em maio de 1908, o Uruguai suspendia o ensino religioso nas escolas.
Nesta época, no Brasil, o médico Zeferino Vaz conduzida à construção da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no interior de São Paulo e na Parahyba os irmãos Oscar e Orris Soares inauguravam o Jornal O NORTE, que tempos mais tarde estaria atrelado a uma das maiores corporações de comunicação do país.
O grupo Associados, criado pelo paraibano Assis Chateaubriand como Diários Associados, continua fazendo história na imprensa brasileira. Hoje são 14 jornais (Estado de Minas, Correio Braziliense, Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio, O NORTE, Diário da Borborema, Diário de Natal, O Poti, O Imparcial, Diário Mercantil, Monitor Campista, Diário da Tarde, Aqui BH, e Aqui DF), 13 emissoras de rádios: Tupi AM e Nativa FM (RJ), Planalto AM e 105 FM (DF), Guarani (BH), Clube AM e FM (PE), Clube FM O Norte (PB), Cariri AM e Borborema AM (PB), Poti AM, Clube FM Natal (RN), Ceará Rádio Clube (CE).
O grupo controla ainda as emissoras de televisão: TV Alterosa (MG), TV Minas Sul (MG), TV Centro-Oeste (MG), TV Tiradentes (MG), TV Borborema (PB), TV Clube (PE), TV O Norte (PB), TV Brasília (DF), recuperada em 2008. Possui também o Teatro Alterosa (MG), a Fazenda Manga (MG) e Alterosa Cine Vídeo (MG). Além da Fundação Assis Chateubriand.
A participação dos Associados no setor de comunicação virtual vai além do sites de seus veículos. Os portais de notícias do grupo estão entre os maiores do país, oferecendo acesso à rede mundial de computadores ao Distrito Federal (CorreioWeb), Pernambuco (Pernambuco.com), Minas Gerais (Uai), DN On Line, O Norte On Line (João Pessoa) e DB On Line (Campina Grande).
De acordo com dados da Fundação Assis Chateubriand são 250 mil exemplares de tiragem paga dos jornais por dia, 160 mil assinaturas de jornais, 50 mil assinantes de Internet, 11 milhões de Page-views por mês (audiência Internet).
O Grupo possui 80 anos de existência e apresenta como sócio majoritário o Condomínio Acionário, com características únicas: exerce seu poder via Assembléias Gerais e Conselhos de Administração e é formado por 22 cotas que são de propriedade de funcionários das empresas que tenham demonstrado desempenho diferenciado e lealdade à filosofia empresarial do grupo. As cotas são incomunicáveis, inalienáveis e intransferíveis, e não podem ser parte da herança, o que assegura a estabilidade do controle. Quando um condômino falece, um novo membro é eleito, podendo ser apenas funcionários das empresas do Grupo.
Com isso Assis Chateubriand desejava que o grupo de empresas crescesse e perpetuasse não apenas como um patrimônio ou negócio repassado por herança familiar, mas que fosse sendo dirigido por terceiros, como ainda é. A vaga de acionista é sempre substituída através do voto, ou seja, caso a trajetória de um funcionário seja promissora este poderá levar a vaga de condômino.
Na Paraíba, os Associados, além do jornal O NORTE, que completa
100 anos de fundação, é integrado por mais oito veículos
de comunicação instalados nas cidades de João Pessoa
e Campina Grande.
São eles: jornal Diário da Borborema, duas emissoras de televisão,
TV Borborema e TV O Norte, três estações de rádio
Clube FM, Rádio Borborema e Rádio Caturité e os portais
de notícias O Norte Online e DB On Line.
As notícias que são veiculadas pelas empresas dos Associados atingem todas as camadas sociais com o compromisso da crediblidade dos Associados, informando com qualidade a população de toda a região do Estado.
A TV O Norte é a retransmissora da Rede Bandeirantes de Televisão através do canal 10. Ela foi ao ar pela primeira vez em janeiro de 1987, quando se tornou a segunda emissora de televisão dos Associados Paraíba.
Na época, ela ficou conhecida como "a TV de última geração", devido às inovações tecnológicas que trouxe para o Estado. Todos os equipamentos, o que havia de mais moderno na época, foram adquiridos diretamente da empresa japonesa Sony Corporation.
Um dos programas de grande destaque e repercussão na época foi "TV Cidades", levado ao ar aos sábados das 12h às 12h30, é produzido pelo Núcleo dos Municípios dos Associados Paraíba. O programa tinha a proposta de mostra para os paraibanos a história, folclore, tradições e peculiariedades dos mais variados municípios do Estado.
O ano de 2006 a TV O Norte transmitiu ao vivo as Muriçocas do Miramar, a Micarande (carnaval fora de época), a Copa do Mundo, direto da Alemanha. Na programação local da TV O Norte/Band, os destaques são para os programas "TV Vendas", "Alex Filho Com Você", "O Norte Agora", que estreou recentemente apresentado Luís Torres e Ivani Leitão, o "Bola da Vez", "O Explorador (turístico, apenas em intervalos comerciais)", Cantos e Contos (musical), Debate Verdade (Debate), Jornal O Norte (jornalístico).
Hoje a TV O Norte tem uma das melhores equipes de profissionais da área no Estado: Silvio Osias (Editor Geral), Nelma Figueiredo (Editora do Jornal O Norte), Keli Farias (Editora do O Norte Agora), Marina Almeida (Produtora), Adna Melo (Estagiária - produção), Maria Helena Rangel (Repórter), Ivani Leitão (Repórter e Apresentadora do O Norte Agora), Laena Antunes (Repórter), Luís Torres (Comentarista político e Apresentador do O Norte Agora), André Santos (Apresentador do Telejornal O Norte).
A rádio Clube FM é uma descendente da 103 FM O NORTE, fundada no final da década de 1980, e está localizada no meu prédio do jornal O NORTE e da TV O Norte, no coração da Capital paraibana. O sinal da rádio atinge mais de 40 municípios do Estado, graças à posição privilegiada da sua freqüência modulada e equipamentos digitais de última geração.
A programação é eclética, dinâmica e jovem, agrada a todos os públicos, com jornalismo, serviço de utilidade pública, cultura, sorteios, campanhas sociais, esporte, política, economia, participação do ouvinte por carta, telefone, e-mail e muita música.
A Clube FM tem à frente o diretor e radialista André Santos, responsável por colocar no ar diariamente uma das melhores programações de rádio do Estado. A emissora tem seis locutores e vinhetas produzidas especialmente para a emissora num dos melhores estúdios de gravação do Brasil. Na equipe da Clube estão: Feitosa Nunes (5 às 7h00), Marccos Veríssimo (7 às 12h00), Tayana Keller (12 as 16h00), Lenílson Balla (16 às 20h00), Márcio Gomes (20 às 00h00), Diogo Souza (folguista) e Jório Max (programador musical).
Entre os programas que se destacam tem o do radialista Feitosa Nunes, de 5h00 até 8h40. Com a proposta de salvaguardar a música, a informação e a cultura popular ao homem do campo Feitosa traz o melhor do mundo da cantoria de viola.
Durante a semana os locutores Márcio Gomes, Marccos Verisimo, Tayana Keller e o DJ Balla coordenam todo conteúdo musical da emissora com música jovem, dançante, alegre e divertida. Nos sábados e domingos a grande atração da Clube FM são as seqüências musicais do jovem radialista Diogo Sousa, um apaixonado por comunicação que sente-se realizado ao trabalhar com uma equipe tão jovem e comprometida pelo que faz. Na opinião de André Santos, a cada dia que passa a força dos Associados vem elevando a Clube FM aos pontos mais altos de audiência e no gosto dos ouvintes. O projeto, segundo ele, é ser primeiro lugar no Ibope, a exemplo do que já acontece nas outras rádios do grupo em outros Estados.
O Norte Online (www.onorteonline.com.br)
é o primeiro portal notícias de um jornal na Paraíba.
Ele estreou no dia 29 de setembro de 2002 e logo conquistou um espaço
de destaque entre os internautas.
A idéia inicial da criação do site de notícias
foi acrescentar conteúdo ao site do provedor O Norte Online, parceria
dos Associados Paraíba com o provedor UAI, de Minas Gerais. Contudo,
a aceitação ao projeto foi tão grande que a proposta
foi ampliada, criando-se um portal de informações, para atender
as necessidades dos internautas.
Integração - A divulgação de notícias no portal O Norte Online é fruto de um trabalho integrado com as equipes dos demais veículos do grupo Associados Paraíba: jornais O NORTE e Diário da Borborema, TVs O Norte e Borborema, e a Rádio Clube FM. Além disso, a equipe de jornalismo está conectada em sites e agências de notícias.
qualidade - O Norte Online prioriza a notícia com ênfase na Paraíba, mas sem esquecer dos principais acontecimentos nacionais e internacionais. As editorias apresentam fatos que marcam o dia-a-dia em áreas como política, policial, cultura e esporte. Também são apresentadas páginas especiais sobre assuntos que interessam a públicos internauta, como, por exemplo, o MundoInfo, sobre informática; o Bichano, sobre animais de estimação.
Novo visual - Em breve, O Norte Online vai estrear um novo visual. Os internautas vão encontrar informações apresentadas de maneira ainda mais ágil e precisa, mantendo e padrão de qualidade dos Associados Paraíba. O projeto está sendo desenvolvido pela equipe do portal. A gerente de Informática dos Associados Paraíba, Walkíria Fonseca, ressalta que "as mudanças que serão feitas visam dar mais dinamismo ao portal, torná-lo mais agradável e com maior agilidade no acesso".
O Diário da Borborema foi a segunda aquisição do jornalista Assis Chateaubriand na Paraíba. O lançamento do jornal aconteceu no dia 2 de outubro de 1957, precisamente às 17h45. A inauguração contou com a presença de várias personalidades da área política.
O bispo diocesano de Campina Grande, Dom Otávio Aguiar, disse, na época, que não entendia como uma cidade como Campina Grande, com nível intelectual a se elevar a cada dia com uma elite cultural representativa pudesse passar sem um jornal diário, sem um porta-voz do seu progresso.
O matutino tem 50 anos de existência. O DB, como é costumeiramente chamado, continua participativo, divulgando a cultura e impulsionando o progresso da cidade e do Estado, tendo como importante função informar e servir com dignidade os interesses do povo campinense e paraibano.
O Diário da Borborema, que permanece fiel ao leitor e defendendo a livre manifestação do pensamento, é parceiro na luta pelo desenvolvimento da cidade. Grandes empreendimentos tiveram a participação do jornal, como a construção do Parque do Povo, a criação do Maior São João do Mundo, Encontro para a Nova Consciência, implantação da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), construção dos Shoppings Iguatemi, Luiza Mota e Cirne Center e mais recentemente da autonomia financeira da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).
A história do jornal é marcada pelo comprometimento com as nobres causas da cidade e do Estado. O periódico coleciona prêmios, a exemplo do Prêmio Esso 2001, recebido na modalidade Melhor Primeira Página, sobre os atentados de 11/9 nos Estados Unidos, motivo de exaltação por parte de políticos, empresários, anunciantes e assinantes e de orgulho para a região Nordeste. O jornal vem acompanhando dia-a-dia a modernidade tecnológica e se adaptando as novas tecnologias.
Grandes nomes do jornalismo passaram pela empresa, a exemplo de Geovaldo de Carvalho, Anselmo Guimarães, Stênio Lopes, Josusmar Barbosa, Epitácio Soares, Tobias di Pace, Francisco José e Itamar Cândido, Ionete Oliveira, William Monteiro, Hilton Mota e outros.
Os Associados Paraíba é detentor da primeira emissora de televisão da Paraíba e do Nordeste. A TV Borborema entrou em fase experimental em 15 de Setembro de 1963, quando produziu os seus primeiros programas. Inaugurada oficialmente em 14 de março de 1966. Ela foi a emissora própria da Rede Tupi até o seu fim em 18 de Julho de 1980.
Com o fim da Rede Tupi, a TV Borborema integra a Rede de Emissoras Independentes, liderada pela TV Record de São Paulo e TVS do Rio de Janeiro.
Em seguida, passa a integrar a Rede Globo, permanecendo até 31 de dezembro de 1986, quando se torna afiliada da Rede Manchete. Em 1989 trocou a Rede Manchete pelo SBT, onde está até hoje. É responsável por um dos programas de maior audiência é o "Momento Junino", que vai ao ar todos os sábados, antes e durante o São João.
Em Campina Grande as Rádio Clube Borborema e Rádio Cariri estão há anos no ar com incessantes atividades a serviço da formação e da informação do povo nordestino. A Rádio Cariri entrou em funcionamento em 1947, enquanto que a Borborema em dezembro de 1948.
A Rádio Borborema se mantém comprometida em entreter e reproduzir os marcantes acontecimentos de Campina Grande, do Brasil e do mundo. Considerada a "Emissora do Povo", a Borborema têm o respeito da sociedade e é essa troca que faz com que ela se mantenha líder em audiência enquanto AM.
Todos os programas da Rádio Borborema são líderes de audiência. Programas como o “Matutino Borborema”, “A Hora do Povo”, Retalhos do Sertão, Patrulha da Cidade, “Bom Dia Nordeste e Cantando o Nordeste são alguns dos preferidos pelos ouvintes.
Os profissionais são comprometidos com a imparcialidade e por isso
têm o respeito da sociedade. Entre eles estão Evilásio
Junqueira, Romildo Nascimento e Carlos Alberto.
A Rádio Cariri tem uma audiência incontestável. São
milhares de ouvintes evangélicos, por causa da sua programação
diária levando a “Palavra”.
Advogado, líder político, escritor, funcionário público, ministro, enfim, um paraibano ilustre. Assim era Ernani Ayres Sátyro e Sousa, ou simplesmente Ernani Sátyro, ex-governador da Paraíba, e uma das figuras públicas que participaram da trajetória de "O NORTE" ao longo dos 100 anos de existência. A cada domingo, Ernani Satyro deixava impresso nas páginas do jornal muitas de suas idéias, humor e ideologias, na coluna chamada "Aos domingos".
Natural do município de Patos, ele nasceu no dia 11 de setembro de 1911. Há quem diga que ele trouxe no sangue o germe da política, herdado de seus ancestrais, como seu avô materno, Firmino Ayres Albano da Costa, latifundiário do sertão paraibano, que foi deputado da Assembléia Legislativa em mais de uma legislatura.
Já o avô paterno, Sizenando Sátyro e Sousa, integrou
o Conselho Municipal de Patos. E assim prosseguiu outros antecessores: tios
que foram deputados, prefeitos e ocuparam outras funções no
cenário político. Mas, talvez, o filho de dona Capitulina Ayres
Sátyro e Sousa tenha tido como seu maior incentivador o próprio
pai, o major Miguel Sátyro e Sousa, que foi líder político
de Patos por quase 30 anos.
Em um de seus escritos, Ernani Sátyro revelou o quanto foi influenciado
pelas carreiras públicas de seus parentes. Em um de seus escritos,
ele revelou parte de suas memórias infantis, remetendo-se a fatos políticos:
"Ainda guardo bem nítida a impressão das passeatas de Patos,
dos folguedos, dos discursos, dos telegramas emocionantes que sublinhavam
as marchas e contra-marchas da luta".
Como se vê, estranho seria se Ernani Sátyro se enveredasse por outros caminhos a não ser o da vida jurídica, como o pai que também foi advogado, e de líder político. Ao concluir o primário, aos 13 anos de idade, na cidade de Patos, ele veio para João Pessoa, em 1924, estudar no Colégio Pio X, na capital paraibana, ainda chamada de Parahyba.
Durante os estudos nesse tradicional colégio, Ernai Sátyro manifestou seus primeiros talentos para as letras, participando da Arcádia Literária do Pio X e colaborou com a revista da escola, divulgando nela seu primeiro conto. Ao concluir o curso preparatório, ele também demonstrou interesse para a atividade política e não perdia a oportunidade de assistir às sessões da Assembléia Legislativa.
Em 1973 Ernani Sátyro participou diretamente da história de O NORTE, estando presente nas novas instalações do jornal, que saiu de suas modestas instalações na Avenida Duque de Caxias e passou a funcionar na Avenida Dom Pedro II.
Durante o momento festivo, o ex-governador da Paraíba denominou o empreendimento de universal, "porque universal era o sentimento que inspirava as grandes e permanentes realizações de Francisco de Assis Chateaubriand", afirmou na época.
Como não poderia deixar de ser, neste aniversário de 100 anos de fundação, O NORTE não poderia esquecer desse paraibano, que deixou marcas na história do Estado. Parte dela foi registrada nas páginas e momentos históricos deste centenário periódico.
"Não fiquem tristes. A morte é um desfecho inevitável". Essa foi uma das frases deixadas por Ernani Sátyro em uma carta-testamento remetida a sua família. Trechos desse documento foram mostrados pelo jornal O NORTE em 8 de maio de 1993, no caderno Especial sobre o aniversário de sua morte.
A carta-testamento foi escrita por Ernani Sátyro em 7 de maio de 1984, dois anos antes de morrer, vítima de infarto. Nela, ele pede aos parentes que o coloque em dois túmulos em sua terra natal. O segundo lugar seria destinado a sua esposa, dona Antonieta Sátyro, com quem teve quatro filhos, sendo um falecido: Silede, Bertholdo e Gleide. O jornal não divulgou apenas as crônicas, vida e a trajetória política de Ernani Sátyro, mas registrou e lembrou sua morte durante anos.
1911 - Nasce Ernani Sátyro, em 11 de setembro, na cidade paraibana de Patos, tendo como pais Miguel Sátyro e Sousa e Capitulina Ayres Sátyro e Sousa.
1916 - Inicia os estudos primários em Patos;
1924 - Viaja para João Pessoa para estudar no Colégio Diocesano Pio X;
1927 - Matricula-se no Liceu Paraibano;
1930 - Ingressa na Faculdade de Direito do Recife;
1932 - Inicia-se no jornalismo, atuando na redação do Diário de Pernambuco, publicando ensaios;
1933 - Conclui o curso de Bacharelado em Direito;
1934 - Elege-se Deputado Estadual da Assembléia Constituinte Estadual pela legenda do Partido Libertador;
1935 - Casa-se com dona Antonieta Agra Cavalcanti;
1936 - Desliga-se do Partido Libertador e sofre um atentado a bala em Patos;
1939 - É nomeado Chefe de Polícia;
1940 - É nomeado prefeito de João Pessoa, tomando posse no dia 10 de julho, exonerando-se no dia 29 do mesmo mês;
1945 - Elege-se deputado à Assembléia Nacional Constituinte, pela legenda União Democrática Nacional;
1954 - A livraria José Olympio Editora publica seu primeiro romance: O Quadro Negro;
1958 - Elege-se, pela quarta vez deputado federal;
1961 - Elege-se secretário-geral da União Democrática Nacional (UDN);
1963 - Ocupa a cadeira nº 32 da Academia Paraibana de Letras;
1968 - É nomeado Ministro do Superior Tribunal Militar;
1969 - Aposenta-se do cargo de Ministro do Superior Tribunal Militar;
1970 - É eleito Governador da Paraíba;
1975 - Deixa a função de governador da Paraíba e transmite o cargo a seu sucessor Ivan Bichara Sobreira;
1982 - Assume a função de deputado federal pela oitava vez;
1985 - Festeja, em Brasília, as Bodas de Ouro com sua esposa, dona Antonieta Sátyro;
1986 - Falece, em Brasília, em 8 de maio, vítima de infarto;
1993 - Seus restos mortais são translados de Brasília para a cidade de Patos.
inícioA história sobre os vários locais de funcionamento do jornal O NORTE é relembrada com muito carinho por ex-funcionários do jornal. O jornalista Teócrito Leal é uma destas pessoas. Ele começou a trabalhar na empresa como caixa, em seguida como revisor, pulou para o cargo de sub-secretário de redação e na superintendência, quando a empresa ainda funcionava na Rua Duque de Caxias, antiga Rua Direita. Teócrito contou que o jornal O NORTE, ao ser fundado pelos irmãos Oscar e Orris Soares, funcionou na antiga Visconde de Inhaúna, também conhecida como Mata Negra, onde hoje é a Rua Cardoso Vieira.
Em pesquisas realizadas nos arquivos públicos e coleções em livro de O NORTE, o exemplar de número 863, diz na sua primeira página que a empresa localizava-se na casa de número 9 da Visconde de InhaúNa. Nas demais edições, entre os meses de julho a agosto do ano de 1911, não existem indicações da diretoria e dos outros cargos.
Na edição de 13 de janeiro de 1917, o jornal informava que a redação e gerência estavam localizadas na Rua Duque de Caxias, 49. O exemplar tinha apenas quatro páginas, a terceira era dedicada aos anunciantes, com destaque especial para a programação da única casa de exibição de filmes do Estado, o cinema Pathé. "Verifiquei que a casa hoje pintada de azul e branco, próximo a APL, tem número 47 e não 49. Talvez em decorrência de alguma reforma, como a que ocorreu na incorporação da casa vizinha a APL", comentou Teócrito Leal.
Em 3 de julho de 1917, o exemplar do dia divulgava na integra o discurso político de Epitácio Pessoa, em que indicava claramente o apoio do jornal as idéias políticas do governante da época. A empresa funcionou duas vezes na Rua Duque de Caxias, em dois lugares diferentes. O segundo local a se instalar foi onde hoje é o Banco Bradesco. Neste período quem dirigida o jornal era Ivan Bichara e Zé Leal era o redator-chefe. "Que na realidade, já era o diretor de fato, uma vez que Ivan Bichara era candidato a deputado", avaliou Teócrito. Após alguns fechamentos o jornal O NORTE na edição de 3 de janeiro de 1952 traz em seu expediente: José Leal (redator-chefe), Aurélio Ferreira (gerente). Neste mesmo ano o matutino tinha correspondente em Campina Grande (PB), que residia a Rua Vidal de Nogueira, 245 e representações no sudeste do país. No Rio de Janeiro a sede, do que hoje chamamos sucursal, funcionava na rua Senador Dantas, dia 40, 5º andar e em São Paulo situada a rua Felipe de Oliveira, 21, 5º andar.
O exemplar de 3 de janeiro circulava com oito páginas, com largura e altura diferentes das edições anteriores. Dados da pesquisa de Teócrito Leal mostram que o jornal tinha 50 centímetros de altura e 37 de largura e nesta época estava localizado na rua Duque de Caxias. "Na edição de número 566 na primeira página há uma foto de Zé Leal, do jornalista Milcíades ao lado do seu pai e Geraldo Sobral", comentou Teócrito.
Após a campanha de José Américo de Almeida, o jornalista Assis Chateubriand compra a Virginio Veloso Borges a pequena empresa e instala o jornal na Rua Duque de Caxias, 319, um velho sobrado que pertencia a família Ribeiro Coutinho e colocou Júlio Gondim para ser seu novo diretor.
O jornal O NORTE passou a ter sua sede própria na avenida Dom Pedro II, antiga Estrada dos Macacos, no ano de 1973, num prédio moderno estruturalmente construído para receber uma empresa jornalística, onde funciona até os dias atuais.
O jornalista Teócrito Leal contou que em 1930, com a morte do presidente João Pessoa, houve muita invasão e depredação. Os presos da cadeia pública aproveitando a situação rebelaram-se e alguns até fugiram para as ruas fazendo arruaças. O NORTE foi alvo das depredações.
A população insultada pelos arruaceiros depredou a redação e a oficina, e como se não bastasse atearam fogo na sede. Neste período, de acordo com dados históricos de Eduardo Martins, o NORTE volta a funcionar no pavimento do térreo do sobrado, número 40 da atual Praça Antenor Navarro que era de propriedade do empresário Manuel Veloso Borges. Eudes Barros. De acordo com Teócrito Leal, alguns dados são desencontrados, mas suas pesquisas foram feitas através dos exemplares.
inícioVai passando o ex-linoti-pista Orlando Sobral, agora um velho de passos inseguros, e cruza com uns restos, ou melhor, uns sobreviventes de colméia, fazendo enxame num trecho de rua do Ponto de Cem Réis.
É a idéia que me ocorre, (sobreviventes de colméia) vendo reunirem-se, todas as tardes, a dez passos do antigo Alvear e à mesma distancia da sede de O Norte, uns poucos jornais dos anos 50.
Como abelhas que voltassem aos resíduos de cera e mel dos cortiços destruídos, todas as tardes, vindos de suas casas da Torre ou de Jaguaribe, eles descem e pousam nos aceiros das antigas oficinas: João Grande, Manuelzinho, Galiza, Sobral, Falma, Djalma, às vezes Crisaldo, Benigno, Álvaro Duarte, gente que botava para moer o jornal do tempo da linotipo, do clichê, da caixeta, da Bühlerduplex, a última palavra na impressão modernizada pelos diretores de A União na época de João Pessoa. Eles não vinham desse tempo, mas a impressora, sim.
E me sugerem a impressão de que os prédios, as edificações,
os produtos de ferro e cimento são muito mais frágeis do que
o homem; que o tempo do homem é superior ao do templo, o que não
é verdade.
Estão ali, todas as tardes, sobras de fortalezas como A União,
O NORTE, a antiga Tabajara.
Deixo-os no seu novo e folgado expediente, sigo em frente, e paro na calçada
oposta ao antigo sobrado, onde entrei há muito tempo para apresentar-me
a José Leal em busca de minha vaga no jornal.
Trago viva a última vez em que cheguei ali para despedir-me do ferro
velho, dos entes moribundos. Fui despedir-me, sim. Sentei diante do teclado
que tanto fascínio exercera à minha curiosidade de novato, apertei
numa versal, mais outra, até compor meu nome. Nunca aprendi o ofício,
mas, acamaradado com os seus mestres e praticantes, sabia mexer naquela invenção
que sempre me pareceu extraordinária.
Completei a linha, ergui o componedor, o elevador engoliu-a, a queixada
abriu-se, avançando crisol e disco, e lá vem meu nome em linguote,
fundido e alisado, depois de passar por tantas voltas e navalhas.
O expulsor joga-me a linha na mão, encerrando, em questão de