Em todos os recantos do país a sociedade clama por justiça. A impressão que o cidadão tem é a de que o país vive o apocalipse pela brutalidade dos atos praticados por pessoas de todas as idades e dos mais variados níveis sociais. Essa violência desenfreada e sem fim tem transformado o cidadão em refém de suas angústias, dos seus temores e da sua fragilidade diante de tantas ameaças. Os seqüestros, os assaltos, as mortes e a violência urbana como um todo revelam uma sociedade completamente desnorteada e à procura de um rumo que a ponha de volta nos trilhos da harmonia e da boa convivência familiar.
O medo persegue cada um de nós. O cidadão brasileiro vive hoje preso numa camisa-de-força que se chama insegurança. Se vai à padaria, é assaltado; se toma um ônibus, ou pára num semáforo, se vê diante de uma arma apontada para ele; se vai ao supermercado, é ameaçado por algum delinqüente; se está em sua casa, com seus familiares, é surpreendido por duplas ou grupos de bandidos. Pernoitar numa granja ou fazenda, nem pensar! Ninguém - sem exceção - pode se dizer a salvo da nefasta ação daqueles que deveriam estar fora das ruas e sendo vigiados 24 horas por agentes de segurança pagos pelo Estado.
corre que nem sempre é assim. Não são poucos os cidadãos vítimas de delinqüentes que embora condenados a longas penas, em pouco tempo estão de volta às ruas para praticar os mesmos tipos de crimes pelos quais foram condenados, por força da nossa branda legislação.
Nem estando presos esses delinqüentes dão sossego à sociedade. E é na conivência de alguns agentes públicos, de organizações criminosas e até de familiares que tais condenados encontram o elo para as suas ações sentidas fora dos muros das penitenciárias. Esses burlam a segurança dos presídios para fazerem chegar até eles drogas, armas e aparelhos celulares. E nesse aspecto o crime desconhece limites. Até mesmo mulheres são contratadas para conduzirem, na vagina, os tão sonhados aparelhos com os quais os presos podem se comunicar com o mundo exterior, e assim transmitem ordem a comparsas para assaltos, assassinatos e outros delitos.
E nas escolas o que se vê? Estudantes cada vez mais envolvidos com o consumo de drogas praticam as violências mais extremas contra colegas e mesmo professores. Esse descontrole jamais visto transformou a escola pública e/ou privada em locais perigosos e sem segurança. Uma ponta desse processo de degeneração social começa em casa, com a perda do controle dos pais sobre as ações dos filhos, e se estende à escola, onde, fora das vistas de familiares, acentuam o processo de afrontamento das convenções sociais violadas por atos de vandalismos contra as pessoas (colegas e professores) e logo se estendendo à destruição do patrimônio (escolas e bens dessas instituições), seja ele público ou privado.
Desta forma a situação parece descontrolada e só com um rigoroso processo de transformação social e da lei, é que será possível atenuar os efeitos da violência urbana. Também é importante o papel de pais e mestres nessa cruzada contra o descalabro da violência em todas as camadas sociais do país.