A pergunta é recorrente, porque o assunto é... recorrente ("que torna a aparecer, depois de haver desaparecido"): o que pensa um membro do ministério público quando sai de casa pela manhã, passa por vários postos de combustíveis, sucessivamente, e vê placa indicando o mesmo valor cobrado por litro de combustível?
Com todo o respeito, imagina a autoridade que se trata de coincidência? Medita sobre telepatia? Cogita tratar-se de algum fenômeno sobrenatural? Considera uma brincadeirinha com o princípio da livre concorrência? Acha que aquilo é birra com a imprensa que denuncia a existência de cartel de preços? Ou, por fim, deduz que se trata de cartel de preços?
A última hipótese é improvável, posto (sem trocadilho) que levaria qualquer membro do ministério público a denunciar o crime de cartelização, sem delongas. Levaria a fazer a denúncia, aliás, não apenas qualquer membro do ministério público, mas também qualquer integrante de procon ou órgão similar de defesa do consumidor. Sem delongas, evidentemente.
A bem da verdade, e por dever de justiça, registre-se que, embora com delongas (porque o ordenamento jurídico e os procedimentos judiciais assim estabelecem), o ministério público em João Pessoa já denunciou a cartelização de preços de combustíveis na cidade. E a população ficou grata pela denúncia, pois, com a intervenção da polícia federal e da justiça, o cartel foi desfeito (lembram da Operação 274?), inclusive com a prisão e o indiciamento de acusados.
Só que foi bom enquanto durou - e não durou muito não, pois desde então o cartel já voltou a botar as mangueirinhas de fora outras vezes. Como de uns dias para cá, quando sucessivos postos amanheceram exibindo placas com o mesmo valor cobrado por litro de combustível (no caso da gasolina, R$ 2,45). Eu passo por eles e deduzo que se trata de cartelização de preços. O que pensará um membro do ministério público? Ou um integrante de procon? Ou um policial federal?
Perguntar não ofende.
O sonho brasileiro da conquista do título olímpico de futebol está, finalmente, próximo de concretizar-se. O técnico Dunga (que nem técnico é) convocou Ramires, do Cruzeiro, para o lugar de Robinho (não liberado pelo Real Madrid). A medalha de ouro que sempre nos fugiu do peito, desta vez está no papo. Brasil-il-il-il!
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