Muitas vezes tenho saudade do tempo da redação rural, onde habitavam repórteres, redatores e diagramadores procedentes do interior, alguns de lugares quase perdidos no miolo da Paraíba.
A redação que guardo no recanto da memória, seja a
do NORTE de 30 anos atrás ou por onde passei, nunca esqueci os gestos
de caboclo dominado por ditos e acontecidos das brenhas que me geraram.
Daquele tempo restam-me alguns no círculo da convivência, principalmente
Gonzaga Rodrigues que conserva as características de homem fincado
no barro donde brota a boa rapadura e a saborosa laranja mino do céu.
Muitos trocaram de tamborete ou se foram dessa para melhor. No mais, são
poucos na nova safra de jornalistas que se embriagam com o sopro da terra
em tempo seco ou nos períodos das invernadas.
Cadê Nathanael Alves, Firmino Justimo, Carlos Romero, Chico Pinto, Tião Lucena, Barreto Neto, Teócrito Leal e tantos outros. Foram deixando as redações, mas continuam com as suas lições de amor pela terra de onde vieram.
Poucos deixaram-se embriagar por uma brisa suave que sabe dos baixios. Muitos das redações de hoje são produtos da vida urbana. Poucos se dão conta do quanto é maravilhoso recordar o chocalhar no curral, o rincho do jumento na capoeira, o canto do galo no poleiro, a zoada da água no riacho.
Estimulado por Nara Valuska, que não se deixou contaminar pela brisa morna da cidade grande, e que se comove quando solta seu pensamento até o distante Catolé do Rocha, pequeno lugar do recanto da Paraíba, volto hoje com essas lembranças.
Aqui na redação, em determinado momento, Nara tenta explicar o significado da expressão “oitão de casa” para uma platéia basicamente formada por gente da cidade.
“Oitão” é a parte lateral da casa, que se estende ao limite do terreiro. O terreiro é delimitado pelo tamanho do esforço da dona-de-casa em varrer o lugar, usando vassoura de palha de carnaúba ou de mato ou do arbusto típico de cada região, como Nara explica.