Jornal O Norte

João Pessoa, Quinta-Feira, 24 de Julho de 2008

Editorial


O avanço do crack na PB

A Polícia Federal realizou na madrugada de ontem a maior apreensão de crack neste ano, no Estado. Os agentes da PF interceptaram, na BR 101, entrada para João Pessoa, uma caminhonete S-10 carregada com 21 quilos da droga. O veículo vinha do Estado do Mato Grosso do Sul e o que se sabe é que a mercadoria seria entregue na Capital paraibana e cidades do Rio Grande do Norte.

O que se sabe é que a Paraíba, assim como todo o Brasil, está na rota do crack há um bom tempo. Basta uma rápida pesquisa para perceber que não foram poucas as apreensões da droga, no Estado, somente nos últimos seis meses. Patos, Alhandra, Rio Tinto, Campina Grande, João Pessoa são algumas das cidades da lista de apreensões realizadas, este ano. E, tomando como exemplo a apreensão feita ontem, outros Estados ainda mais fortes na produção desse produto estão invadindo a Paraíba com suas drogas.

No flagrante foi preso o motorista do veículo, que indicou para quem a droga seria entregue. Os receptadores - um homem de 40 anos e o sobrinho de 22 - foram presos em suas residências, ainda pela madrugada. Tudo indica que essa não era a primeira vez que um carregamento de crack entrou na Paraíba "exportado" por traficantes mato-grossenses.

Há nessa apreensão duas preocupações - quase fragilidades. Primeiro, os corredores de entrada no Estado precisam ser constantemente monitorados. Mesmo com sistemas de controle como Operação Manzuá e as próprias unidades da Polícia Rodoviária Federal, está claro que os acessos através das rodovias ainda não tem um controle efetivo. Até porque certamente a S-10 que chegava à cidade carregada de pedras de crack não vinha às cegas, em condições de inexperiência.

É certo que nem sempre todos os veículos podem ser parados, fiscalizados para só então seguir viagem. Há que se encontrar, porém, critérios de escolha, de suspeição, de inspeção mais eficazes. Esse não é o primeiro caso de apreensão de drogas ou produtos roubados, armas e até mesmo de fugitivos em veículos que tentavam passar, tranquilamente, pelos postos de fiscalização rodoviária do Estado.

Além disso, autoridades locais, instituições, associações, igrejas, entre outros, precisam unir forças para combater, veementemente, a circulação de drogas na Paraíba. Especialmente o crack, que tem envolvido e provocado a morte de centenas de jovens paraibanos. Uma das drogas mais devastadoras até então, o crack é feito com a borra da cocaína e tem o poder de bombardear o sistema nervoso do usuário.

Por ser de baixo custo, a droga tornou-se popular primeiro entre pessoas de classe baixa, depois alcançou as classes média e alta, também. Seus efeitos duram menos tempo, mas gravam no organismo seqüelas irreversíveis. A droga provoca aceleração dos batimentos cardíacos, aumenta a pressão arterial, dilata as pupilas, produz suor intenso, causa tremores e excitação. Um produto nocivo que precisa ser combatido - nas estradas, nos bairros, em cada grupo social da Paraíba.

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