Jornal O Norte

João Pessoa, Quinta-Feira, 20 de Novembro de 2008

Dyógenes Chaves


Um diagnóstico para as artes visuais II - Explicando a cadeia produtiva

Síntese das discussões empreendidas pela Câmara Setorial de Artes Visuais, da Funarte, entre 2005-2006

O que se segue é uma síntese das discussões empreendidas pela Câmara Setorial de Artes Visuais, da Funarte, entre 2005-2006, em torno de um diagnóstico sobre as artes visuais. Na idéia de explicar a cadeia produtiva nesta área, tudo que se refere ao mercado de artes visuais se estende e se amplia, atingindo um raio de atuação e ação ilimitado. Abrange não só as linguagens convencionais (pintura, desenho, gravura, escultura etc.) como também o conceito daquilo que é compreendido pela definição de arte contemporânea. Envolve, também, uma grande quantidade de profissionais que, a partir do artista e das suas idéias vão formar uma complexa mas identificável cadeia produtiva: artistas, teóricos, críticos, curadores, professores, educadores, técnicos, produtores, administradores, marchands, colecionadores, patrocinadores, mecenas, fabricantes, importadores e comerciantes de insumos e materiais, importadores e exportadores de objetos de arte.

Considera-se na cadeia produtiva de artes visuais, ainda a participação e presença de mão de obra especializada na utilização dos diversos materiais utilizados na arte produzida hoje (que vão desde materiais de construção, produção de resinas, pigmentos etc., até a utilização de recursos de multimídia). Tudo é suporte para a arte contemporânea, ampliando assim toda sua cadeia produtiva.

Do ponto de vista dos agentes da cadeia produtiva de artes visuais são incluídos ainda os profissionais e instituições que interagem direta e indiretamente no mercado de arte: os curadores (aqueles que participam dos procedimentos seletivos e organização da produção estética, mostras, seminários e suporte intelectual, através de textos e orientações conceituais); os dirigentes institucionais (que propiciam a realização de projetos de inclusão artística, fomento, difusão e financiamento das atividades. O mesmo ocorre na iniciativa privada interessada nesta área de produção); e, os professores das escolas de arte, os professores de Educação Artística dos ensinos fundamental, médio e superior, além dos teóricos, críticos de arte e pesquisadores (que formam um mercado de reflexão voltado para a prática e o desenvolvimento das linguagens e da produção artística).

Podemos incluir também os profissionais que atuam em atividades voltadas para a produção em escala, a saber: design gráfico, design de produtos, design de moda, web design, design de interiores, arquitetura, fotografia, quadrinhos, artesanato, cenografia, vitrinismo, humor gráfico, ilustração, light design, programação visual, paisagismo, tapeçaria, tecelagem, arte em vidro e cinema de animação.
Com referência às relações de trabalho, não há um modelo de organização corporativa predominante e as relações trabalhistas - a profissão de artista plástico ou visual - ainda não estão regulamentadas, muito menos as questões relacionadas à previdência, aposentadoria, fundo de pensão etc.

Se fizermos um levantamento ou buscarmos estatísticas sobre a produção de artes visuais certamente aparecerá um espectro bastante extenso, e que vai incorporar, talvez, o maior contingente artístico do país (isso se considerarmos todos os atores de seu campo de definição). Ora, as artes visuais estão presentes em todos os locais onde está o homem, envolvendo a sociedade como um todo - mesmo que ela não tenha consciência disso - desde o objeto utilitário até a obra conceitual.

Embora os padrões de negociação com o Estado tenham se traduzido em projetos de fomento à produção artística, aos circuitos de intercâmbio de informações críticas, ao patrocínio ou apoio às exposições, à formação profissional etc., todas estas ações se mostram ainda insuficientes, com alcance limitado primordialmente aos grandes centros. Urge que se estabeleçam políticas culturais que ampliem seu alcance a nível nacional, atingindo proporcionalmente todos os estados brasileiros. Necessário que se ocorram interações com todos os setores da economia, da política, da educação etc.

Assim como se diversificaram extraordinariamente as formas da produção artística, se faz necessária a diversificação dos mecanismos de comercialização da mesma, evoluindo também para a negociação de idéias e serviços além de objetos e produtos. Os agentes envolvidos podem ser considerados do criador ao técnico de execução, dependendo do suporte utilizado. Por exemplo: o serralheiro na execução da escultura em ferro, o iluminador em uma obra especial ou o editor de imagens na criação de uma vídeo-instalação.

Dyógenes Chaves, Artista Visual e Crítico de Arte (ABCA)
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