Toda cidade de origem colonial tem seus becos e vielas com nomes inusitados e que falam a nossa história.
Os becos foram surgindo nas cidades primitivas em face da ausência do Código de Postura das Edilidades, considerando que as construções eram realizadas de acordo com os recursos financeiros e a vontade dos proprietários quanto à localização do terreno, posicionamento, coberta, calhas, altura do patamar ou o material utilizado.
Face ao exposto, as construções surgiam com certos desalinhos. Os becos, como sobras de terreno, serviam de atalhos e passagem de pedestres, além de outras utilidades, como depósito de lixo, onde o capim crescia e servia de repasto para os animais; à noite, para encontros libidinosos.
A derivação dos nomes dos becos surgia de acordo com as circunstâncias dadas pelos moradores da região, quando acontecia um caso inusitado e o beco recebia aquele apodo.
Na capital paraibana temos os nomes de várias dezenas de becos, como: Beco dos Três Cornos, Beco do Inferno, Beco da Bosta, Beco do Mijo, Beco do Cisco, Beco dos Sete Pecados, Beco do Londres, Beco do Carmo, Beco Diniz, Beco dos Macacos, Beco Boa Boa Boca, Beco dos Milagres e Beco do Tesouro, entre ouros.
Esse inusitado beco, cujo nome surgiu há cerca de quarenta anos, está situado no final da Avenida Ruy Carneiro, quase à beira-mar, ou seja entre os fundos de uma Padaria Flor do Trigo e a Agência do Banco do Brasil, junto à Loja Casa do Sertão, ou seja, fica em frente ao Mercado das Frutas, do Box da proprietária Dona Loura, do Sr. Otavio do Peixe e do "Bar Alta Pressão", do Sr. Zuca (Claudemir), filho do Sr. Luiz (já falecido), o pioneiro do comércio de frutas.
Convém salientar, que esse bar referido tem muitos clientes da classe alta, que, em virtude da demolição pela Prefeitura das Barracas do Pau Mole e Pau Duro, que eram o encontro dos aposentados da elite, com algumas mesas "cativas", se transferiram para o "Pressão Alta" e agora para tomar um aperitivo, tem fila.
Há 40 anos passados, quando os pescadores e os "Pombeiros" (atravessadores que adquiriam o peixe na beira mar) reuniam-se com os pescadores para bebericarem uns traguinhos da Zinebra ou Engenho do Meio produzido pelo Engenho do Sr. Arnóbio Maroja e, no alto estado de teor etílico, surgiu um "entrevero" e um peixeiro desferiu sete facadas no seu contendor, prostando-o no solo e evadiu-se, sem contudo ter causado a morte da vítima.
O beco ficou conhecido como Beco das Sete Facadas, e hoje, ali funciona a barraca de ervas do Sr. Suçú e o Bar e Restaurante da Sra. Edjane e Sra. Zezita.