Jornal O Norte

João Pessoa, Quinta-Feira, 24 de Julho de 2008

História de O Norte


Há quase um século escrevendo a história

Há 98 anos nascia uma empresa de comunicação na Paraíba comprometida com mudanças que buscassem o desenvolvimento do estado

Henrique França

henrique@jornalonorte.com.br

Senhor de 98 anos anuncia que pretende fazer história por muitos anos. Essa poderia ser a bem-humorada manchete estampada neste 7 de maio de 2006, data em que o segundo jornal mais antigo da Paraíba comemora o dia em que suas máquinas foram acionadas pela primeira vez, há quase cem anos, para trazer às ruelas da antiga Capital a certeza de um jornal inovador, que trazia em ainda suas linhas a marca de uma nova era do jornalismo feito por aqui.

O NORTE nasceu em 7 de maio de 1908, através do empreendedorismo dos irmãos Oscar e Orris Soares, filhos de comerciantes portugueses que fizeram fortuna na capital paraibana, à época chamada Parahyba do Norte. Do nome da cidade, naqueles tempos, provavelmente teria surgido a marca "O NORTE" que atravessou gerações levando informação com seriedade e responsabilidade.

Os irmãos fundadores daquele jornal - tios-avós do apresentador Jô Soares - não tinham na comunicação seu principal terreno de atuação, mas deram formato a um veículo da imprensa escrita "surpreendentemente bem redigido", segundo relatos históricos. "O NORTE já nasceu dentro dos moldes do jornalismo moderno e bem elaborado", confirma a escritora Fátima Araújo, em seu livro Paraíba: Imprensa e Vida.

Orris era um exímio conhecedor e admirador de obras literárias, dedicando-se a clubes nesse segmento. A idéia de fundar um jornal ocorreu-lhe após a formatura em Direito, em Recife. Já Oscar era dedicado à vida política. Devido a isso, em 1918 assumiu uma vaga na Câmara Federal, onde permaneceu até 1930. Em parte, o trampolim para a conquista do cargo deveu-se à campanha de O NORTE em prol de Epitácio Pessoa, então presidente do Brasil.

Em apenas quatro páginas, as primeiras edições de O NORTE não deixavam muito a desejar dos projetos gráficos e editoriais dos grandes centro do início do século XX. O clima no País era de euforia e o mais novo Jornal da Parahyba do Norte trazia prenúncios de mudanças no Estado.

"O jornal é fundado em maio, no dia 7. Não será por mera coincidência que, em outubro seguinte, é lançada a pedra fundamental do primeiro hospital regular da cidade, o Santa Isabel, em cuja caixa especial é guardado o exemplar do jornal, liderando o esforço de opinião para aquele gênero de iniciativas", conta o jornalista Gonzaga Rodrigues, no texto "Na vanguarda desde 1908".

Da fundação do Hospital a campanhas pró-ferrovias, o jornal dos irmãos Soares foi tornando-se uma espécie de porta-voz da sociedade local da época. No dia seguinte à inauguração de O NORTE, o Jornal A União sai às ruas noticiando a implantação do novo veículo de comunicação impressa da cidade. A descrição é grandiosa.

"Equipamentos montados, tudo novo, completo; pelo sistema de recepção telegráfica direta do Rio; pelo conforto das salas amplas, salas distribuídas em dois pavimentos. Provavelmente melhor instalados que o próprio jornal do governo, ainda uma casa adaptada e, portanto, precária para comportar um jornal", conta Gonzaga Rodrigues.

Modernidade

“O NORTE já nasceu dentro dos moldes do jornalismo moderno e bem elaborado”, confirma a escritora Fátima Araújo, em seu livro Paraíba: Imprensa e Vida

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Espaço para a reportagem

O NORTE abriu suas páginas para amplas reportagens, tomando o partido das classes produtoras, em vez de ser porta-voz dos grupos políticos

Aprincipal diferença apontada em O NORTE em relação a outros veículos impressos da época, por aqui, era mesmo a proposta editorial estabelecida por Orris e Oscar. É Gonzaga, mais uma vez, quem dá o tom dessa história: "Em lugar do clássico soneto que abria as primeiras páginas da época ou do folhetim transcrito dos jornais portugueses e franceses, o jornal de Orris Soares abria espaço à ampla reportagem. Nas primeiras edições abre fogo contra o cangaço, a insegurança daqueles tempos que, como o tráfico de drogas de hoje, em tamanho bem menor, tinha a sua sustentação no coronelato ou nos mandões da economia e da política. O NORTE já denunciava que não bastava combater o cangaceiro isoladamente, mas quem os homiziava, seus 'costas-quentes'. Em vez de porta-voz de grupos políticos, tomou o partido das classes produtoras, sobretudo do comércio. O comércio, nessa época, era o contingente social mais progressista, mais avançado, fomentando em seus cafés e 'senadinhos' da Maciel Pinheiro as idéias remanescentes do abolicionismo recém-vitorioso, das práticas positivas, do cientificismo."

Exemplares históricos que remontavam a história de O NORTE nos primeiros 40 anos de existência já não existem mais. Praticamente todo material se perdeu durante mudanças de sede e um alagamento ocorrido nos arquivos da empresa, já em 1984, quando o Jornal já havia se instalado na avenida Dom Pedro II, onde hoje divide o prédio com emissoras de rádio, TV e um portal de Internet, frutos dessa primeira incursão jornalística do início do século passado.

O que restou do número Um, além de páginas soltas de edições históricas, foi apenas a primeira página, emoldurada na sala do atual editor-chefe como uma obra de arte. E o era, para que se entenda o desenvolvimento da comunicação, da linguagem jornalística e da sociedade daquela época. Produzido na primeira sede do Jornal - uma pequena casa localizada na rua Visconde de Inhaúma, hoje João Suassuna, perto do Porto do Capim, na Cidade Baixa - o exemplar de estréia de O NORTE não continha uma única manchete.

Diferente ao que estamos adaptados atualmente, os jornais da época traziam em suas capas matérias prontas, editoriais, notas, colunismo social, promoções e informações gerais. Tudo aparentemente sem cuidado, mas que ganhou notoriedade entre os leitores da época. Claramente buscando estabelecer uma linha politicamente independente, o Jornal dos irmãos Soares trouxe em sua edição número Um o editorial "Boletim do Dia", onde os editores bradavam: "Saúdo os leitores d' O NORTE, offerecendo-lhes as columnas para a defesa das classes populares e o engrandecimento do Estado na industria, commercio e lavoura!"

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Jornal passa a integrar Diários Associados

Apesar dessa declarada defesa em prol da sociedade paraibana, O NORTE viveu momentos de grande inquietação em seus primeiros 50 anos. Por várias vezes, e motivos quase sempre políticos, o Jornal foi fechado "temporariamente". A primeira vez que o veículo teve suas portas cerradas foi no início da década de 1920, por motivos políticos pouco esclarecidos. Cerca de dez anos depois, no calor da Revolução de 1930, deu-se o segundo e mais violento fechamento de O NORTE - que, a essa época, não mais pertencia aos irmãos Soares, que teriam vendido a empresa, anos antes, para Januário Barreto, senhor não tão preocupado com as causas politicamente independentes.

Voltando ao burburinho popular de 30, foi no fogo cruzado entre correligionários de João Pessoa e partidários do então presidente Washington Luis que o Jornal cometeu o equívoco de tomar partido, colocando como opositor do então presidente da Parahyba, João Pessoa. Com o assassinato do sobrinho de Epitácio Pessoa, na confeitaria Gloria, em Recife, o sentimento na capital paraibana misturava lamento e raiva pelo crime. O resultado: O NORTE teve suas dependências depredadas por um povo em fúria. Suas máquinas e materiais destruídos.

Cinco anos depois, o Jornal volta às ruas, pelas mãos de seu novo proprietário, Manuel Veloso Borges, que assumiu um estilo mais noticioso e menos radical. Apesar dessa aparente calmaria, O NORTE fecha novamente as suas portas em 1949 por causa da ditadura do Estado Novo. Onze anos depois é reaberto, em 10 de janeiro de 1950, para se engajar na candidatura de José Américo de Almeida ao Governo do Estado. Nesta data o veículo já pertencia ao senador Virgínio Velloso Borges.

Depois de adquirir equipamentos do jornal Estado da Paraíba, O NORTE retoma suas atividades renovado e chega a quase todos os municípios paraibanos. Final-mente, em 1954, o Jornal passa a integrar o quadro dos Diários Associados, criado pelo magnata da Imprensa Nacional, o paraibano de Umbuzeiro Assis Chateau-briand. A partir dessa data, o jornal passou a integrar a maior cadeia de comunicação da América Latina.

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Levantando as bandeiras da sociedade

Ao longo de sua história, O NORTE engajou-se em lutas pelo desenvolvimento social, conquistando o reconhecimento de entidades importantes como a Andi e a Unesco

No início da década de 1970, O NORTE comemorava a inauguração de um novo parque gráfico - o mais moderno do Nordeste. A partir dessa guinada na qualidade de impressão, o Jornal passou a liderar não apenas em conteúdo mas em qualidade em material de finalização. A inauguração foi prestigiada por personalidades da alta sociedade paraibana e mereceu manchete da edição de 11 de agosto de 1973, um dia após o pontapé inicial da nova era gráfica de em O NORTE.

Dizia o texto: "Inaugurado o mais avançado sistema gráfico do Nordeste".

Hoje, aos 98 anos, O NORTE desponta como um dos veículos de comunicação mais respeitados do Nordeste. Com uma equipe de profissionais premiados e respeitados no cenário da imprensa local, o Jornal oferece aos seus leitores suplementos de Turismo, Veículos, Informática, e TV, além de reportagens com aprofundamento, ética e seriedade inerente ao bom jornalismo feito no Brasil e no mundo.

Recentemente, O NORTE foi incluído na lista dos jornais que contam, com "Jornalista Amigo da Criança", pela ANDI (Agência de Notícias do Direito da Infância); no ano passado, recebeu uma carta em que o representante da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) no Brasil, Jorge Werthein, destaca uma reportagem sobre mortes causadas por armas de fogo.

"Contribuições como a realizada pelo jornal O NORTE servem à formação da opinião esclarecida, baseada no intercâmbio de informações confiáveis e no diálogo franco e aberto entre os atores sociais. Destarte, expressamos nossos votos de poder continuar contando com o apoio deste veículo à cobertura de temas tão relevantes", escreveu o representante da Unesco.

Finalmente, há algumas semanas O NORTE recebeu, através de uma de suas jornalistas, voto de aplauso na Assembléia Legislativa e na Câmara Municipal pelo texto sobre o assassinato de João Pedro Teixeira, líder camponês que deixou como legado o abraçar da luta no campo pela mulher, Elizabeth Teixeira. Por essas e outras, a dois anos de comemorar o centenário de nascimento, O NORTE segue forte em seu intento de informar a sociedade paraibana com "Qualidade e Credibilidade". Sempre.

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De geração a geração

O NORTE, desde a sua fundação, sempre contou em seus quadros com profissionais de primeiro nível, sejam eles veteranos ou jovens talentos

Da primeira sede, na Cidade Baixa da capital paraibana, ao prédio onde hoje atua ao lado de emissões de rádio e TV, além de um portal de Internet, O NORTE sempre contou, em seus quadros, com uma equipe de profissionais invejáveis. Dos pioneiros Abel da Silva, Sinésio Guimarães, José Porfírio, Inojosa Varejão, Enéias Leite e Orris Soares, passando por Manuel Veloso Borges, Josélio Gondim, Teócrito Leal, Jurandir Moura, Evandro Nóbrega, Paulo Souto, Martins Neto, Enoque Pelágio, Juarez Félix, Natanael Alves e Barroso Filhos, chega-se a um time de jornalistas tão competente quanto heterogêneo.

Nessa babel da comunicação paraibana - a redação de O NORTE - a língua dos jovens repórteres se mistura à fala dos mais experientes na profissão. Mas, diferente do relato bíblico, nas dependências onde são produzidos os textos que o leitor confere, diariamente, todos se entendem. No fosse assim, como organizar uma produção diária de dezenas de pautas - o roteiro dos fatos a serem investigados -, centenas de fotografias, um sem-número de títulos, legendas, notas, notícias e reportagens que chegam cedo às bancas e residências do paraibano?

Fidelidade e paixão

Entre os mais experientes, uma característica notável é a paixão pelo jornalismo. Formados pela escola da prática diária - já que na época em que iniciaram como jornalistas não havia, ainda, um curso para formar profissionais de imprensa - os jornalistas Gonzaga Rodrigues e Antônio Cabral têm pelo menos 30 anos de adoção pelos Associados Paraíba. E não se cansam. "Hoje, depois de 35 anos, eu me sinto do mesmo jeito, trabalho com a mesma vontade, o mesmo carinho de quando comecei, aos 26", declara "Seu" Cabral, que hoje responde pela editoria-adjunta do Diário da Borborema, o caçula dos Associados no Estado.

Já o colunista Gonzaga Rodrigues, que entrou em O NORTE aos 18 anos, como revisor, hoje fala com tranqüilidade sobre a relação entre os que acompanharam as transformações da imprensa paraibana nos últimos 50 anos e aqueles recém-saídos das salas de aula dos cursos de Jornalismo. "Vejo tudo como uma situação perfeitamente previsível.

As coisas tinham que mudar, a evolução técnica foi muito grande e as empresas começaram a precisar de gente nova. Mas eu me sinto muito à vontade aqui. Essa redação é como minha casa".

Seu Cabral entrou no Jornal através da informação de um amigo sobre a abertura de uma vaga para repórter. "Entrei como aprendiz.

Cheguei aqui com 26 anos, disputei a vaga com um amigo e depois de três meses fui escolhido para ficar no cargo", relembra o jornalista, hoje com 59 anos, que faz questão de frisar. "E nunca trabalhei em outra empresa de comunicação além dos Associados".

Aos 73 anos, Gonzaga Rodrigues é um dos jornalistas mais respeitados da Paraíba. Quando chegou à redação de O NORTE, em 1951, o menino que acabara de atingir a maioridade ocupou o cargo atualmente extinto de revisor. Gonzaga cresceu com o Jornal, adaptou-se aos novos formatos e consolidou-se como exímio escritor das crônicas diárias impressas no Jornal.

Do outro lado da balança de gerações, a jornalista Lucilene Meireles, mais nova repórter de O NORTE, também fala sobre a alegria de fazer parte dessa história. "Antes de ser selecionada para trabalhar aqui, sempre ouvia falar que O NORTE tem muita credibilidade. Por isso, me sinto com uma responsabilidade muito grande em fazer parte dele.

Todo dia penso nisso. Como jornalista preciso noticiar informações corretas e trabalhar com responsabilidade", enfatiza Lucilene que, apesar de formada há quase dez anos, prova em O NORTE sua primeira experiência em uma redação de um veículo de comunicação impresso.

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Da máquina de datilografar ao COMPUTADOR

Novidades tecnológicas facilitam o trabalho jornalístico

Hoje, com todo aparato tecnológico, tudo parece mais fácil. E pode até ser. Mas, para os profissionais que viram as redações abandonarem as máquinas de datilografia para a adoção dos microcomputadores, antes havia um quê a mais na produção jornalística e que talvez tenha sido levado junto com as barulhentas Olivettis de alguns anos: o romantismo. "Antigamente era mais romântico, sim. A chegada das máquinas mudou tudo. Quando usávamos máquinas de datilografia, era comum observar colegas que só trabalhavam no mesmo equipamento, com um amor à máquina. Hoje é tudo mais profissional, mais técnico, com muita rapidez e tecnologia", conta Seu Cabral

Apesar de tudo, ele não lamenta. "A chegada dos computadores trouxe uma mudança radical à redação, pra melhor. Antes, com as máquinas mecânicas, a gente errava, escrevia de novo, lá vai. Hoje, com o sistema com agências, modernizado, está bem melhor. Naquele tempo a gente não tinha muita noção do que era aquilo, mas a empresa deu um tempo pra gente se adaptar aos computadores. E a gente até que pegou muito rápido", sorri Seu Cabral, que não se intimida com tanta tecnologia e gente nova na redação. "Me sinto à vontade no meio dessa turma jovem. É o mesmo que sair do curso de comunicação, hoje", comemora.

Mesmo classificando as mudanças tecnológicas como "perfeitamente previsíveis", Gonzaga Rodrigues admite que sua geração jamais poderia prever tamanha revolução das máquinas. "Mas as coisas tinham que mudar", pondera o jornalista que, mesmo com advento dos chips e impressoras, insistiu durante bom tempo em manter sua produção diária atrelada à velha máquina de escrever. "Foi um choque. Só com muita dificuldade abandonei a máquina. Eu não queria, mas ninguém aceitava mais. Fui obrigado a deixa-la. Hoje vejo que foi melhor".

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Momentos que marcaram a vida de jornalistas

Profissionais relembram histórias inesquecíveis da redação

Primeiro dia de redação de O NORTE, o rapaz Antônio Cabral recebe sua primeira pauta: uma entrevista com o delegado José Arcoverde Nóbrega, da Delegacia do Trabalho. "Saí com a pauta, meio nervoso, perguntei 'o que eu vou dizer?' Diz que é repórter de O NORTE, ensinou meu editor. Quando cheguei á DRT pedi pra falar com o delegado e me identifiquei. 'Muito boa a sua presença aqui', disse a atendente, 'porque quem está em visita a Paraíba é o secretário-geral do Ministério do Trabalho'. Pensei 'e agora?', mas consegui me sair bem. Fiz uma entrevista, levei para a redação e o material foi o destaque do Jornal, na época", conta Seu Cabral, sem antes admitir. "Eu quase que morro de medo!"

É na história do jornal que Gonzaga Rodrigues vai buscar uma recordação. "Um grande momento foi quando O NORTE, em 1965-66, vivia mal, estava lá embaixo - já fazia parte dos Associados. Diante daquela situação de crise, houve uma reação enorme do pessoal para melhorar o nível do jornal. Essa foi uma das grandes alegrias que eu vivi aqui, a gente vendo o jornal começando a liderar a leitura na Paraíba, líder absoluto por mais de 20 anos", ressalta.

Outra lembrança marcante para o experiente Cabral deu-se quando O NORTE deixou a avenida Duque de Caxias, no Centro, para estabelecer nova sede na avenida Dom Pedro II,onde permanece até hoje. "A mudança da Duque de Caxias para a Pedro II foi marcante porque a Duque era o centro da boemia, do povo, a cidade pulsava ali. A cidade era toda ali. Praia era quase nada. Tudo era no centro.

Depois, com o tempo é que o cenário foi mudando. A Dom Pedro II era deserta quando O NORTE chegou aqui. Havia casas, mas quase nada de movimento. Não era rua principal, poucos carros. Sentimos falta daquele ambiente acolhedor do centro. Agora, também houve o impacto da inovação - saiu de lá com equipamento antigo e veio pra cá com off-set, o mais moderno do Nordeste", puxa da memória advogado formado pelo Unipê e jornalista por acaso e paixão. É sobre a paixão pela história e a força dos recém-chegados que O NORTE constrói suas edições, há 98 anos. Gonzaga, Cabral e Lucilene são apenas três nesse universo de tantos profissionais competentes - alguns que já partiram, outros que ainda repartem com cada leitor, diariamente, um pouco de si em cada texto produzido.

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Manchetes históricas

Em abril de 1910, um facho de luz no céu parou todo um planeta trazendo um misto de vislumbre e inquietação à população mundial. Era o Halley, o cometa que mais tarde se tornaria tão familiar a todos. Mesmo cruzando a órbita terrestre dois anos após a fundação de O NORTE, em 1908, o Halley não ganhou sequer uma nota de primeira página no Jornal. Tudo por causa do clima de guerrilha pessoal estabelecido entre veículos de comunicação da época.

Porém, se o cometa de luz não ganhou notoriedade nas páginas de O NORTE, a falta pode ser reparada em manchetes históricas ao longo desses 98 anos. Comoções nacionais por mortes presidenciais, ídolos do esporte, eleições, guerras, ataques internacionais, copas do mundo, crimes que chocaram toda uma sociedade, mudanças tecnológicas, tudo foi devidamente documentado e impresso nas páginas do Jornal que traz "Qualidade e Credibilidade" em sua marca.

John Kennedy, Ernesto Che Guevara, Elvis Presley, Karol Wojtyla, Tancredo Neves, Ayrton Senna são algumas das personalidades mais importantes do século XX noticiadas em O NORTE, que acompanhou também fatos como a queda do muro de Berlim, a viagem da Apolo 11 à órbita lunar, a guerra do Golfo, entre outras manchetes inesquecíveis. Confira algumas delas:

23 de novembro de 1963
Manchete: “Crime contra o mundo livre: Assassinado com dois tiros o Presidente John Kennedy”
Chamada de O Norte - " Chefe de estado Norte-americano foi atingido por dois tiros, quando desfilava em carro aberto pelas ruas de Dallas (Texas) - Tiro fatal atingiu têmpora direita do presidente, varando-lhe o "craneo"(...)"

10 de outubro de 1967
Manchete - “Exército boliviano pensa que matou ‘Che’ Guevara”
Chamada - "La Paz - Atenas (UPI) - As Fôrças Armadas da Bolívia anunciaram ontem a presumível morte de Ernesto Che Guevara num combate travado domingo nos domínios orientais da Cordi lheira dos Andes (...)".

20 de julho de 1969
Manchete - “Módulo Pousa hoje e Astronautas descem amanhã”
Chamada - "Centro Espacial de Houston - Londres - Moscou (UPI) - A Apolo-11 efetuou ontem, com êxito a entrada na órbita lunar, às 14,26 horas depois de haver efetuado sem problemas uma ligeira correção de rumo (...)".

26 de agosto de 1975
Manchete - “34 mortos retirados da Lagoa”
Chamada - "Oficialmente, 34 pessoas morreram vítimas do naufrágio de domingo. Entre os cadáveres figuram três militares (...)".

17 de agosto de 1977
Manchete - “Morre Elvis Presley”
Chamada - O cantor Elvis Presley, de 42 anos, considerado o rei do Rock And Roll, morreu ontem devido problemas respiratórios no hospital Batista, em Memphis, no estado do Tenessee (...)".

17 de outubro de 1978
Manchete - “Em 455 anos, o 1º Papa não italiano”
Chamada - "O polonês Karol Wojtyla, arcebispo da Cracóvia e sistemático opositor do regime comunista no seu país, foi eleito ontem á noite em Roma (tarde do Brasil) novo papa da Igreja Católica (...)".

22 de abril de 1985
Manchete - " Morreu Tancredo - Corpo será velado durante 2 dias, em Brasília"
Chamada - "O presidente Tancredo Neves morreu ontem, às 22h23m, depois de passar 38 dias de lenta agonia, oito dos quais dormindo à base de sedativos (...)"

30 de abril de 1986
Manchete - “Moscou admite apenas duas mortes no acidente com reator da usina nuclear”
Manchete - "A Rádio Moscou disse ontem à noite que duas pessoas morreram durante o acidente na usina nuclear de Chernobyl, enquanto a agência Tass forneceu pela primeira vez alguns poucos detalhes mais precisos sobre o que ocorreu na usina (...)".

10 de novembro de 1989
Manchete - “Muro de Berlim não tem mais utilidade”
Chamada - "A Alemanha Oriental anunciou ontem que os que desejarem emigrar, legalmente, podem a partir de agora, atravessar o Muro de Berlim e seguir direto para o lado capitalista (...)".

3 de agosto de 1990
Manchete - “Guerra no Golfo prenuncia uma nova crise do petróleo”
Chamada - "Menor em dimensão que o Estado de Sergipe, o Kuait, um dos maiores produtores de petróleo do mundo, foi invadido ontem por nada menos que cem mil soldados iraquianos (...)".

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Uma equipe premiada

Profissionais de O NORTE conquistaram ao longo dos anos prêmios importantes como o Esso, Ayrton Senna e Nacional Geographic Channel

Ao longo de 98 anos, O NORTE tem acumulados prêmios importantíssimos em sua história de Jornalismo feito com Qualidade e Credibilidade. Foram títulos dados ao jornal através de seus profissionais - prova inconteste de que uma boa equipe conta muito quando se fala em informação.

Um dos primeiros prêmios conquistados por O NORTE foi nada menos que o cobiçado Prêmio Esso de Jornalismo - categoria regional, em 1975, pela publicação da série "Incentivos para uma economia de Cordel", escrita pelo jornalista, advogado e ex-secretário de Comunicação Social da Paraíba, Luiz Augusto Crispim.

Entre menções honrosas, votos de aplausos, citações oficiais e considerações nacionais acerca do material publicado em O NORTE, nos últimos anos o Jornal tem conquistado dezenas de premiações. Uma das principais elevaram a equipe de fotógrafos "nortistas" ao patamar dos melhores do Brasil. Destaque para os olhares de Mônica Câmara e Marcus Antonius.

Com jeito despojado, a repórter-fotográfica Mônica Câmara recebeu, no período de quatro anos, nada menos que sete prêmios: primeiro lugar no concurso internacional "Retratos" (2001, Argentina); terceira colocação no Prêmio Nordeste - Transbank de Fotografia "Artesanato do Brasil"(2002); terceiro e primeiro lugares no AETC de Jornalismo (respectivamente em 2002 e 2003); terceiro lugar no JPAtur - Paraíba de Fotografia Turística (2003) e primeiro lugar no concurso internacional "Momentos Incríveis" (2004), promovido pela National Geographic Channel. O último destaque ocorreu no ano passado, no concurso local "Clic João Pessoa", com o primeiro lugar.

Já o aventureiro e fotojornalista Marcus Antonius acumula mais de dez prêmios em sua carreira. Dois destaques, nessa coleção: o AETC de Jornalismo, em 2002, e o cobiçado e concorridíssimo Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo, no mesmo ano, onde emocionou o júri do concurso com a foto "Jocréia", que mostrava uma criança de seis anos, moradora do sertão paraibano, buscando proteção escondendo-se por trás das pernas da mãe. Jocréia, segundo o texto que acompanhou a imagem, nunca tinha vista uma chuva na vida. A história revelada na imagem de Marcus Antonius deu aos jurados a certeza: aquela era a melhor foto do ano no jornalismo brasileiro.

Mas os prêmios recentes de O NORTE também prestigiaram os textos dos jornalistas "nortistas". Um deles foi concedido no ano passado, quando o jornalista Henrique França - que atualmente também atua como professor do Curso de Comunicação Social da UFPB - conquistou o Prêmio BNB de Jornalismo de 2004, com a reportagem "Os Novos Filhos da Terra".

Prêmio Esso

Um dos primeiros prêmios conquistados por O NORTE foi o cobiçado Esso de Jornalismo - categoria regional, em 1975, pela série de matérias “Incentivos para uma economia de Cordel”, escrita pelo jornalista e ex-secretário de Comunicação do Estado, Luiz Augusto Crispim

E MAIS

Outros textos premiados foram "Quatro mil anos de guerra", de autoria de Nara Valuska Miranda, chefe de redação de O NORTE, que conquistou o AETC de Jornalismo em 2002, e "Pedofilia destruição da alma", do editor de Polícia de O NORTE, Luiz Conserva, concedido pelo Troféu Imprensa em 2000. O Imprensa também destacou na categoria "Nome feminino em Jornal", em 2000, a jornalista e editora de Geral do Jornal Evanice Gomes, além da então repórter de Cultura, Célia Leal, por três vezes (1999/2001/2002).

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Informação a todo momento

Jornais, rádios, emissoras de televisão e portais de notícias mantêm o público paraibano por dentro dos acontecimentos durante 24 horas

Fernanda Medeiros

Repórter

fernandamedeiros@jornalonorte.com.br

Ogrupo Associados Paraíba soma nove veículos de comunicação instalados em João Pessoa e em Campina Grande. São dois jornais, O NORTE e o Diário da Borborema; duas emissoras de televisão, TV Borborema e TV O NORTE, três estações de rádio a FM O NORTE, Rádio Borborema e Rádio Caturité e os portais de notícias O Norte Online e portal eletrônico do Diário da Borborema. Juntos são responsáveis pelo imediatismo e veracidade das informações que acontecem no Estado e no mundo.

Segundo o próprio Assis Chateaubriand, os Associados, que corresponde hoje a 39 empresas entre elas 15 jornais, 13 rádios, seis televisões e seis portais de notícias, nasceu como forte elo na enorme cadeia da unidade nacional. Ele dizia que o grupo defende a livre empresa, a democracia representativa, o Estado não-empresário, uma sociedade pluralista. Para Chatô, os Associados debatem os grandes problemas nacionais e põem o interesse público acima dos interesses imediatos dos negócios. Os Associados devem, porém, na qualidade de empresa, perseguir a eficiência e o lucro das organizações. A sua legenda deve contemplar o princípio fundamental de colocar a verdade e o bem comum como grande objetivo de seus veículos de comunicação.

JORNAL O NORTE

Na Paraíba, tudo começou com O NORTE, fundado em 1908, que depois de 46 anos se integrou ao sistema de comunicação de Assis Chateaubriand. Os fundadores de O NORTE foram os irmãos Oscar e Órris Eugênio Soares. Antes dos anos 50 o jornal foi fechado três vezes por perseguições políticas, mas depois se reergueu e seguiu com uma marca: o pioneirismo.

Foi o primeiro jornal a trazer o sistema de impressão offset para a Paraíba, na década de 70. Também detém o título de ser o primeiro do Estado a informatizar a Redação. Em 1991, as barulhentas máquinas de datilografia começaram a ser substituídas por computadores. Em 1995, O NORTE mais uma vez assumiu a posição de vanguarda, tornando-se o primeiro jornal do Norte-Nordeste a disponibilizar uma versão para a Internet. Hoje, a página encontra-se hospedada no portal O Norte Online - www.onorteonline.com.br.

E os investimentos no jornal não param, segundo garantiu o superintendente Cecílio Fonseca.

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Notícias para todo Estado

Veículos atingem todas as camadas sociais através de notícias de utilidade pública e informações sobre política, esporte e cotidiano

A103 FM O NORTE, fundada no final da década de 80, está localizada no coração da capital paraibana, transmite o seu sinal para mais de 40 cidades do Estado, graças a posição privilegiada da sua freqüência modulada. A programação é eclética, agrada a todos os públicos, com jornalismo, serviço de utilidade pública, campanhas sociais, esporte, política, economia, participação do ouvinte por carta, telefone, e-mail e uma muita música.

Entre os programas que se destacam tem o Giro Policial, de segunda a sexta, de 4h às 6h, com Iêdo Ferreira. Logo depois entra no ar o programa Tony Show até o meio dia.

Durante a semana, tem também o Sem Censura, apresentado pelos jornalistas José Euflávio e Edmilson Pereira, das 12h às 14h, que repercute os bastidores da política paraibana. Nos sábados e domingos a grande atração da 103 FM são os programas musicais.

O NORTE ON LINE

O mais novo dos Associados Paraíba, com quase quatro anos de idade, é o Norte Online (www.onorteonline.com.br), um portal de informações que oferece ao internauta notícias variadas e entretenimento. Recentemente, o Norte Online passou por uma reestrutura para ficar com uma paginação mais moderna, leve e ágio, o que facilita a navegação do usuário da internet.

"A idéia foi deixar O Norte Online mais dinâmico e agradável com relação ao visual e ao conteúdo das informações trabalhadas", declara Walkíria Fonseca, gerente de Informática dos Associados-PB, acrescentando que o processo de criação foi gerado pela própria equipe técnica do portal.

O novo O Norte Online traz surpresas não só visuais, como também relativas ao conteúdo. Uma página especial foi criada para a editoria de Política, algo necessário, por 2006 ser um ano eleitoral.

Outra novidade também é espaço especial para o resumo de notícias, onde o visitante pode verificar as últimas matérias cadastradas no portal e conferir um breafing do que cada página apresenta internamente.

Já o site TV e Arte, que apresenta as notícias ligadas à área cultural, ficou mais bonito através da utilização de recursos visuais que destacam as informações. Os colunistas ganharam espaço destacado na capa e nas páginas internas.

O Portal traz também o espaço - Seja Nosso Repórter, no qual o internauta pode dá sugestões de pautas, fazer denúncias e, claro, opinar sobre o conteúdo das matérias veiculadas pelo Portal. Mais dois sites integram a casta do Norte Online: um traz notícias sobre a Fórmula 1 e outro que vai começar a funcionar nos próximos dias com notícias direto da Copa.

"Ficou mais rápido e fácil cadastrar as matérias. O processo foi simplificado, garantindo maior rapidez no ato de disponibilizar as informações aos visitantes do portal, sem esquecer a preocupação com a credibilidade da notícia, que sempre norteou a equipe dos veículos do grupo Associados", diz Clóvis Roberto, editor de O Norte Online.

TV O NORTE

O ano de 2006 começou bem para a TV O NORTE, que transmitiu ao vivo as Muriçocas do Miramar, mais recente, a Micarande e está se preparando para transmitir a Copa do Mundo, direto da Alemanha. Na programação local da TV O Norte/Band, os destaques são para os programas "TV Cidades", "Alex Filho", "O Norte.Com", "Salto Alto" e o "Bola da Vez".

A emissora, que é repetidora da Band, foi ao ar em janeiro de 1987, tornando-se a segunda emissora de televisão dos Associados Paraíba. Na época, ela ficou conhecida como "a TV de última geração", devido as inovações tecnológicas que trouxe para o Estado. Todos os equipamentos - o que havia de mais moderno na época - foram adquiridos diretamente da empresa japonesa Sony Corporation.

O "TV Cidades", levado ao ar aos sábados das 12h às 12h30, é produzido pelo Núcleo dos Municípios dos Associados PB. Ele mostra para os paraibanos a história, folclore, tradições e peculariedades dos mais variados municípios do Estado, integrando as mais variadas culturas.

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Associados em Campina

Segunda aquisição de Chateaubriand na Paraíba foi o Diário da Borborema, que desde 1957 faz parte da vida da Rainha da Borborema

Asegunda aquisição de Assis Chateaubriand na Paraíba foi o Diário da Borborema, no dia 2 de outubro de 1957, precisamente às 17h45. Na inauguração, diversas personalidades prestigiaram o evento e destacaram a importância que o meio de Comunicação traria à região.

Na época, o Bispo Diocesano D. Otávio Aguiar, declarou não compreender que uma cidade como Campina Grande, com nível intelectual a se elevar a cada dia com uma elite cultural representativa pudesse passar sem um jornal diário, sem um porta voz do seu progresso.

Em quase 50 anos de existência, o DB continua participativo, divulgando a cultura e impulsionando o progresso da cidade e do Estado, tendo como importante função informar e servir com dignidade os interesses do povo campinense e paraibano.

O Diário da Borborema, que permanece fiel ao leitor e defendendo a livre manifestação do pensamento, é parceiro na luta pelo desenvolvimento da cidade. Grandes empreendimentos tiveram a participação desse jornal, como a construção do Parque do Povo, a criação do Maior São João do Mundo, Encontro para a Nova Consciência, criação da Universidade Federal de Campina Grande(UFCG), construção dos Shoppings Iguatemi, Luiza Mota e Cirne Center e mais recentemente da autonomia financeira da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

Na sua trajetória, marcada pelo comprometimento com as nobres causas da cidade e do Estado, o jornal coleciona prêmios como o Prêmio Esso 2001, recebido na modalidade Melhor Primeira Página, que é motivo de exaltação por parte de políticos, empresários, anunciantes e assinantes e de orgulho para a região Nordeste, seus empregados e diretoria. O jornal vem acompanhando dia-a-dia a modernidade tecnológica e se adaptando a ela.

E MAIS

Ao longo de todos esses anos, dezenas de profissionais da Imprensa já passaram por lá como Geovaldo de Carvalho, Anselmo Guimarães, Professor Stênio Lopes, Josusmar Barbosa, Epitácio Soares, Tobias di Pace, Francisco José e Itamar Cândido, Ionete Oliveira, William Monteiro, Hilton Mota e outros.

TV BORBOREMA

Os Associados detêm entre os seus oito veículos, a primeira emissora de televisão da Paraíba e do Nordeste: A TV Borborema, que entrou no ar oficialmente no dia 14 de março de 1966. Hoje, a emissora, afiliada do SBT, é responsável por um dos programas de maior audiência é o "Momento Junino", que vai ao ar todos os sábados, antes e durante o São João.

Um dado histórico e interessante sobre a TV Borborema é que antes da inauguração oficial, ela deu seus primeiros sinais experimentais na Serra da Borborema em setembro de 1963.

A primeira vez que foi ao ar, a sociedade campinense prestigiou o evento no alto do Edifício Rique, onde estava instalado o primeiro estúdio. O público assistiu a primeira imagem transmitida pela emissora, que mostrava o superintendente dos Diários e Rádios Associados, Hilton Mota, ressaltando a importância da execução do projeto para o desenvolvimento social, econômico e cultural da cidade.

Na apresentação, ele destacou Campina Grande como pioneira no interior do Nordeste em realizar tal façanha.

Nesse dia, quem tinha aparelho em casa não saiu de frente dele para não perder a transmissão. A imagem foi recebida em toda a região e ultrapassou as fronteiras do Estado, chegando a estados vizinhos, de acordo com relatos feitos e encaminhados à direção da TV.

A trajetória da TV Borborema é marcada por sucesso. No Troféu Imprensa promovido pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais da Paraíba foi detentor de dois troféus. Afiliada do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), a emissora mantém vários programas locais, alguns deles ao vivo.

Assim como na rádio e no jornal, nomes que ainda hoje permanecem vivos na memória do povo brilharam como apresentadores. Entre eles, Luizmar Resende e Temístocles Maciel. (Fernanda Medeiros)

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Porta-voz da população

Projeto de instalação iniciou em 1948 e foi ao ar, pela primeira vez, no dia 8 de dezembro de 1949, com ativa participação popular

ARádio Borborema teve o seu projeto de instalação elaborado no final de 1948. No dia 8 de dezembro de 1949 foi ao ar ampliando a Cadeia Associada e passando a ser porta-voz de movimentos populares e prestando serviços à coletividade quando a cidade vivia em ascensão, com um desenvolvido e promissor comércio de algodão para exportação.

Com a rádio em pleno funcionamento, foram acompanhados grandes momentos de Campina Grande entre eles a energia de Paulo Afonso; Primeira, Segunda e Terceira Adutora e a construção do estádio Amigão. Contribuíram para levar informação para os campinenses nomes como Epitácio Soares, Ramalho Filho, Ary Rodrigues, Eraldo Cézar. Foi com Epitácio Pessoa que a Rádio Borborema transmitiu um programa à distância pela primeira vez. Foi quando a cidade de Conceição, localizada no Vale do Piancó, realizou um congresso contra o crime.

MATUTINO BORBOREMA: UM DOS PROGRAMAS MAIS ANTIGOS DO RÁDIO BRASILEIRO

Um dado curioso da rádio Borborema é o programa Matutino, que está no ar desde que a rádio foi instalada em Campina Grande. Com notícias diárias, quem está a frente do programa é o trio formado pelos radialistas Carlos Alberto, José Cláudio e Eduardo Belo.

Alem do Matutino, a Rádio tem uma programação local popular, que abrange todo o Compartimento da Borborema que conta com aproximadamente um milhão de pessoas, com ouvintes de todas as classes sociais.

Rádio Caturité

Outro veículo que compõe os Associados Paraíba é a rádio AM Caturité, que atualmente, tem uma programação totalmente voltada para programas evangélicos.

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98 anos de informação e ética

Diretor presidente dos Associados, Joezil Barros, e superintendente Cecílio Fonseca ressaltam a tradição de O NORTE e anunciam investimentos

Jornalismo com respeito ao leitor

 

Joezil barros

A dois anos de comemorar o primeiro centenário, O NORTE tem mantido, através de uma equipe de profissionais competentes e estrutura gráfica consolidada, a sede por um jornalismo ético e calcado no respeito à informação pública relevante, comprometida com a verdade. São 98 anos de uma história composta de fatos, relatos, coberturas e imagens que revelam o pulsar social, econômico, político e cultural das sociedades paraibana, brasileira e mundial.

Relembrar as vitórias conquistadas até aqui, sem descuidar do ritmo de trabalho diário e dos desafios do amanhã, é uma prática que merece habilidade e enche de orgulho a todos nós, que fazemos parte dessa história. Por isso, para mim, compor diariamente o expediente de O NORTE como Diretor Presidente é sem dúvida uma grande responsabilidade e um orgulho recompensador.

Impossível expressar, nestas poucas linhas e mesmo nesta edição especial de aniversário, toda a importância desse senhor jornal de 98 anos. O que nos cabe, como colaboradores dessa história, é uma boa dose de reflexão sobre como manter passos firmes ao estabelecer novos paradigmas de um jornalismo sério e ético, sem perder a paixão em produzir conteúdo de interesse social com qualidade e credibilidade.

Assim somos tomados pela agradável certeza de que, independentemente de quantos aniversários venham a ser comemorados – e muitos certamente virão -, O NORTE nunca deixará de ser notícia.”

Tradição e apoio às causas sociais

 

Cecílio Fonseca

“Para nós é muito fácil compreender a importância da nossa empresa. Esses 98 anos do jornal O NORTE nos enchem de muito orgulho, porque nos remetem à própria história do povo paraibano. Hoje, numa data importante como esta em que a sociedade reconhece o papel que desempenhamos, o que nos cabe dizer é muito simples: honrando as tradições dos Associados, trilhando o caminho do melhor jornalismo e sempre focado no interesse público, o nosso jornal O NORTE continuará do jeito que sempre foi.

Travando as lutas do nosso estado, reivindicando melhorias para o nosso povo, estaremos sempre presentes na luta pelo crescimento de nossa economia, pelo reconhecimento de nossa cultura e, sobretudo, estaremos cumprindo a obrigação e o nosso dever de informar bem a sociedade.

O jornal O NORTE é impresso num dos mais modernos parques tecnológicos do país, pertencente ao Diário de Pernambuco, um dos principais jornais do grupo Associados.

A curto prazo os maiores investimentos que faremos serão em equipamentos de informática, iniciando-se pela redação e depois estendendo-se por todos os departamentos da empresa. Além da aquisição de novos sistemas editoriais e de gestão, que permitirão completa integração gerencial, pretendemos ainda realizar uma ampla reforma física na redação e pré -impressão, possibilitando maior agilidade nas operações e humanização do ambiente de trabalho.

A contratação de novos profissionais é sem dúvida a grande meta a ser atingida, iniciada com a criação da Diretoria de Jornalismo (que atende a todas as empresas do grupo). Tudo isso em função dos projetos de ampliação do número de páginas e do lançamento de novos suplementos.”

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O NORTE tem compromisso com a Paraíba

O 98º aniversário de fundação do Jornal O NORTE é motivo de orgulho para todos os paraibanos. Veículo que sempre marcou sua história pelo compromisso com a informação de qualidade e a defesa intransigente dos interesses maiores do Estado, O Norte mantém firme a decisão de cumprir sua missão na medida em que vai avançando nos anos.

Mais que uma data para comemorar, os 98 anos de existência de O Norte deve servir para que sua equipe de diretores e profissionais de todas as áreas renove a disposição de manter intactos os princípios que sempre destacaram a atuação de tão importante veículo de comunicação da Paraíba.

Símbolo de identidade com a terra paraibana e compromisso com a verdade, O Norte avança rumo ao seu centenário de existência levando consigo a determinação, espírito guerreiro e imparcialidade que sempre marcaram sua história.

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Quase centenário

Por quase um século, a população paraibana tem conseguido manter-se bem informada, tomando decisões pessoais e coletivas a partir dos conceitos e informações impressos diariamente nas páginas de O Norte.

Para João Pessoa, uma cidade com 420 anos de história, ter a companhia quase centenária de um veículo de comunicação que honra a cidade é motivo de orgulho.

O Norte, apesar da idade, renova-se a cada edição em suas obrigações jornalísticas e sociais, mantendo acesa a mesma chama idealista dos seus fundadores: os irmãos Orris e Oscar Soares.

Ao completar 98 anos de vida, atravessando o tempo e transpondo os obstáculos políticos e econômicos, O Norte dá uma demonstração de fibra, integrando, com louvor, o seleto clube dos jornais nascidos para atravessarem as gerações. Um jornal que reflete o pensamento comum de um povo atento aos que lhe desejam os melhores caminhos.

Ricardo Coutinho
Prefeito
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Rômulo destaca luta de O NORTE pela democracia

Presidente da Assembléia afirma que jornal prima pela notícia

Nestes 98 anos de existência, o Jornal O Norte, do grupo Associados, comemora uma brava luta em prol da democracia e de uma sociedade mais justa. Uma democracia construída através do exercício pleno da cidadania, com o qual o Jornal O Norte contribui através informações, exemplos e análises que formam o caráter do bom cidadão”. A opinião é do deputado estadual Rômulo Gouveia, presidente da Assembléia Legislativa da Paraíba.

Para ele, é com determinação, altivez e rigor na apuração dos fatos que O Norte tem desempenhado o papel de guardião da democracia na Paraíba, acompanhando de perto o dia-a-dia do nosso estado. Um jornal que prima pela qualidade de seu material e pelo zelo para com a formação do cidadão paraibano.A Casa da Cidadania se sente fortalecida com atuação vigilante do Jornal O Norte nesses quase cem anos de vida. “Que o Jornal O Norte continue a formar e informar os cidadãos da Paraíba”, deseja Rolulo Gouveia.

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Paiva lembra a tradição e competência

"O Jornal O NORTE tem história e tradição. Os profissionais, independentemente da área, que trabalham nesse grande veículo de comunicação, têm procurado, com toda dedicação, colocar o Jornal no patamar que ele realmente merece no mercado da concorrência de informação. Nós, gestores públicos e leitores, sabemos da preocupação da direção do NORTE em manter um bom nível da informação, sempre prezando pela verdade e imparcialidade.

O Jornal, como formador de opinião, tem se preocupado, ao longo do tempo, em deixar a população bem informada sobre os fatos que marcaram a história da Paraíba. Esse solgam do Jornal "Você lê, Você acredita", eu aprende a ouvir desde pequeno. É uma expressão que causa um impacto e passa uma certa credibilidade para a sociedade.

O NORTE já tem seu espaço no mercado, conquistado, pelos seus profissionais, com muito trabalho e dedicação. Nesses 98 anos de existência, podemos dizer, que o Jornal também marcou a história da Paraíba e de sua população. Parabéns ao veículo e aos seus profissionais".

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Jornalismo democrático

"A existência do Jornal O NORTE se confunde com a história da Paraíba, nesses últimos 98 anos. Um instrumento de comunicação que leva para a sociedade informação com qualidade, credibilidade e, acima de tudo, tem sempre a preocupação de deixa todos os paraibanos bem informados e por dentro dos fatos registrados no dia-a-dia. Esse Jornal, um dos maiores patrimônios do Estado, realmente, merece no dia 7 de abril os nossos parabéns. É um veículo, onde é preservado a liberdade de imprensa. Além do jornal, nesse dia, não podemos esquecer de parabenizar também os profissionais da imprensa e de outros setores que fazem O NORTE e os Associados Paraíba. O NORTE é um Jornal que nunca fez imprensa com tendência partidária, ou seja, para atender interesses de grupos políticos".

Efraim Morais (PFL-PB)
Senador da República

“Ao completar 98 anos, o Jornal O Norte credencia-se entre as empresas que já fazem parte da história da Paraíba, registrando os fatos importantes do cotidiano do nosso povo. É um grande orgulho para todos nós termos uma empresa de comunicaçãocom tantos anos de serviços prestados à história, à cultura e à cidade.

Parabenizo a toda equipe que faz do Jornal O Norte um vitorioso não apenas entre as empresas de comunicação do nosso Estado, mas de todo País, pois atingir quase um século de existência não é para qualquer empresa, apenas para aquelas que demonstram competência ao longo de sua existência”.

Ney Suassuna (PMDB-PB)
Senador da República

“Nosso profundo respeito e admiração ao veículo de comunicação que, nesses 98 anos, vem norteando seu trabalho pelo compromisso com a verdade e o desenvolvimento da nossa Paraíba. São quase um século registrando a história da nossa gente, do povo paraibano e do Brasil, sempre com muita seriedade e profissionalismo.

Não é à toa que o Norte vem se mantendo como um dos mais importantes veículos de nosso Estado e até do país. São 98 anos de respeito ao cidadão, de competência profissional e de investimento contínuos em tecnologia.

No dia de hoje, nossas felicitações para O Norte, mas também para os paraibanos que podem contar e se orgulhar em ter esse veículo comprometido com a verdade e com a Paraíba”.

José Maranhão (PMDB-PB)
Senador da República
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Jornal se faz com justiça

Presidentes do Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas e Tribunal Regional do Trabalho ressaltam comprometimento de O NORTE com a Paraíba

Na passagem dos 98 anos de existência, o Jornal O NORTE se aproxima de seu Centenário com a vitalidade de um órgão que soube trilhar pelos caminhos da história. Com o respaldo de sua tradição, traçando os tempos como sustentáculo na reprodução dos fatos em suas páginas, O NORTE é testemunha de um passado que sedimentou os nossos dias.

Nessa trajetória, traz o legado deixado pelo ilustre paraibano, Assis Chateubriand, fundador dos Diários e Emissoras Associadas, iniciando um novo ciclo na Comunicação do País.

Nesta oportunidade, o povo paraibano reconhece o valor histórico desse conceituado veículo, que está entre os mais importantes órgãos de imprensa, formadores de opinião em nosso Estado.

João Antônio de Moura
Presidente do Tribunal de Justiça da Paraíba

É bom ver O NORTE completando mais um ano de existência. Lá se vai quase um século de cobertura diária dos fatos e acontecimentos que, de uma forma ou de outra, têm ressonância na vida dos paraibanos.

É inevitável que se veja este Jornal como fruto da capacidade de realização do genial Assis Chateaubriand, apesar de uma existência mais longa do que a dos Diários e Emissoras Associados, grupo ao qual seria incorporado, em 1953, por um homem que enxergava além de sua época.

Celebrar mais um aniversário de O NORTE, fundado em 1908 pelos irmãos Oscar e Orris Soares, é continuar desfrutando das chances de uma leitura incorporada, há muito tempo, aos hábitos da Paraíba.

Temos, neste 7 de maio, uma festa em que os presenteados somos cada um de nós, seus leitores diários.

Conselheiro José Marques Mariz
Presidente do Tribunal de Contas da Paraíba

Sou fanático por jornal. Não sei começar o dia sem uma vasculhada geral nos diários paraibanos e em alguns nacionais. Sou daqueles que lêem mesmo. O Jornal O Norte é prato principal neste meu cardápio matinal. O jornal, que tem tradição e credibilidade, me alimenta e me orienta para que eu possa seguir meu dia.

Na reta final para completar um século, quando o jornal completa 98 anos, desejo vitalidade a este veículo tão especial. Partilho esses parabéns com uma pessoa fundamental em minha existência: o meu pai, Antônio Pereira de Melo, que é apenas dois anos mais novo do que O Norte, tem 96 anos, um vigor que impressiona a todos e é leitor diário do Jornal O Norte.

Então nossas sinceras homenagens a um veículo de comunicação que tem a Paraíba estampada no peito e traz o Brasil e o mundo até nós com uma clareza e imparcialidade que impressiona e apaixona.

Afrânio Melo
Presidente do Tribunal Regional do Trabalho
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Recordações marcantes

Foi no início dos anos 80 que passei a integrar os quadros de O NORTE, com direito a idas e voltas, dentro da melhor natureza nômade do jornalista. Entrei como repórter de Política, em pouco tempo guindado a Editor Político e, finalmente, colunista. Creio que o "parteiro" do meu ingresso na família associada foi Erialdo Pereira, que seguia meus passos desde os tempos do "Correio". O espaço deste depoimento é curto para registrar as recordações marcantes do dia a dia na redação, convivendo com Biu Ramos, Evandro Nóbrega, Genésio de Souza (o Velho), Teócrito Leal, Júlio Santana, Fernando Walach,Walter Galvão, Pedro Moreira, Luiz Augusto Crispim, Abelardo Jurema Filho, Edmilson Lucena, Hilton Gouveia, todos regidos por Marcone Góes.

Crispim chamava minha atenção porque, logo cedo, com o jornal ainda saindo do forno, repórteres e editores chegando, ele dava os retoques, na máquina de escrever, na crônica que, no dia seguinte, iria embevecer os leitores. O ritmo era frenético, com a liderança do jornal contagiando a todos. Júlio Santana, na chefia de reportagem, convenceu Hilton Gouveia e o fotógrafo Arion a usarem roupas de médico para fazer uma matéria-denúncia num Manicômio local.

Repercussão e polêmica na certa. De outra feita, estávamos, em grupo, no "Drive-in", jogando conversa fora e assistindo, pela TV, ao jogo entre Botafogo da Paraíba e Flamengo do Rio, em pleno Maracanã. O Botafogo ganhou, houve buzinaço na cidade e corremos todos para a redação, onde produzimos uma primeira página toda dedicada ao feito. Até eu e Evandro, que não entendíamos de futebol, colaboramos na edição, esgotada logo cedo nas bancas e gazeteiros.

Equipe imbatível de O NORTE

Na morte de José Américo de Almeida, que ocorreu numa segunda-feira, O NORTE foi o único a circular, por volta de 9 horas da manhã, com cobertura completa da biografia do grande homem público - repetida no dia seguinte, quando do velório e sepultamento. Nesta última cobertura, passou desapercebida, na pressa, uma nota redigida por colega nosso que insinuava estar o povo "eufórico" segurando a alça do caixão. Queria dizer, naturalmente,"compungido".

Por essa época, Abelardo chegou a denominar a equipe de O NORTE, em sua coluna, de "Imbatíveis". A família incorporou muitos outros nomes, como Agnaldo Almeida, Martinho Moreira Franco (para citar dois que reforçaram o time, vindo de outras paragens). Gonzaga Rodrigues, o Mestre, já era cativo, transmitindo lições que só ele sabe produzir sobre o cotidiano da Capital. O NORTE tinha, dentro de casa, quatro correspondentes de jornais do Sul - Biu Ramos, da "Folha", Martinho e, depois, Frutuoso Chaves, de "O Globo", Erialdo Pereira, do "JB", Evandro Nóbrega do "Correio Braziliense", este escriba do "Estado de São Paulo", sem falar em Crispim, com espaço na "Visão".

Concorríamos lá fora, mas dentro de casa o material ficava com O NORTE.

E MAIS

Vieram Joanildo Mendes, José Euflávio, Gisa Veiga, Nara Valuska, Goretti Zenaide e toda uma geração novíssima que hoje comanda os furos e a qualidade do noticiário de O NORTE, dividindo espaços com gente como Oduvaldo Batista, que é exemplo maior de operário-padrão. Sem falar nos fotógrafos, no pessoal da Informática e dos cadernos especiais, sob a direção solidária e criteriosa de Cecílio Fonseca, que tem tido papel importantíssimo na consolidação deste patrimônio quase centenário. Tenho orgulho de integrar esta família de profissionais dedicados, e de contribuir, na medida do possível, para que o NORTE continue sendo a grande referência na história do jornalismo paraibano e nordestino.

Nonato Guedes
Colunista político
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Ciúmes de computador

Corriam os anos 90, no século passado. Enquanto Cazuza, no auge da sua agonia moribunda cantava "segredos de liqüidificador", eu sentia ciúmes de computador.

Este tipo de composição literária, característico da poesia em moda naquele tempo, ilustra bem a minha reação - enquanto editor-geral de um jornal concorrente direto no mercado - ao processo de modernização deflagrado na praça pelos Associados na Paraíba, envolvendo tecnologias de ponta, novidade bem recente. Era uma época de descobertas.

Os assuntos em voga eram o Governo Ronaldo Cunha Lima, a 1ª Guerra do Golfo, a Copa do Mundo dos Estados Unidos (onde a seleção brasileira comandada pelo mesmo Carlos Alberto Parreira dos gramados de hoje, na Alemanha, chegaria ao tetracampeonato de futebol, depois de 24 anos sem o País erguer a taça da Fifa) e uma montanha de brinquedinhos eletrônicos, até então praticamente desconhecidos de todos nós: fax, telefone celular, Internet, computadores pessoais (note-books), fotos digitalizadas, antenas parabólicas, agências de notícias via satélite e impressão de jornais diários em policromia.

O NORTE - para aumentar o meu ciúme profissional - conseguiu sair na frente do periódico que eu editava, montando páginas coloridas (ainda em papel vegetal), mas já com diagramação digital.

Aposentavam-se réguas, calculadoras, medidas em paicas, estiletes, fotografias recortadas por tesouras, tubinhos de cola em bastão, fitas durex, retoques em fotolitos e outras técnicas gráficas ultrapassadas pela geração Image Setter. Repito: eu via meu principal concorrente cheio dessas inovações, verdadeiramente um avanço para a época e me róia de inveja. Sou franco e sincero em admitir isto, mais de dez anos depois.

Alguns dos nomes daqui e de lá, dali e de cá, arrebanhados para este projeto revolucionário por Paulo Cabral, Jota Alcides, Marcondes Brito, Cecílio Fonseca, Magno Trindade, Roelof Sá, Carol Torres, Valério Ayres, Paola Antony, etc, nem estão mais neste mundo. Eles já voaram de encontro ao Pai Eterno, ao Grande Arquiteto do Universo, como o próprio Roy (editor de O NORTE na época da informatização do jornal) e um foca daquela redação, ex-colega meu no Curso de Comunicação Social da UFPB: o repórter do caderno de Cultura, Rodrigo de Lima Rocha. Outros mudaram de profissão, ganharam asas, sumiram na vida.

Parece estranho falar em tom saudosista de todas essas coisas comezinhas, tranqueiras tão comuns no dia-a-dia da gente, que nem são mais espantosas. É tudo um museu de velhas novidades. Espero não deixar de ser modernoso ao falar nos anos 1990, assim como sinto uma estranha saudade mesmo não tendo vivido os idos de 1950 com Gonzaga Rodrigues, 1960 com Martinho Moreira Franco, 1970 com Agnaldo Almeida e 1980 com Zé Euflávio.

Ainda bem que a sorte grande me deu a chance de acertar na loteria de conviver (pelo menos isso) com Joanildo Mendes, Nara Valuska, José Nunes, José de Souza, Anne Shirley, Núbia Ramos, Glaudenice Nunes, Fernanda Helena Medeiros, Damásio Roberto, "Nevinha", Olenildo Nascimento, Silvio Ricardo, Augusto Correia Lima e Nonato Guedes, só para ficar no povo de outras casas, agora trabalhando comigo, debaixo do mesmo teto.

Giovanni Meireles
Colunista
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“Esse jornal é meu norte, foi nele que tomei rumo”

Saudoso, Martinho Moreira Franco, relembra sua primeira carteira assinada

Como se diz, do destino ninguém foge. Tenho este jornal como o meu norte, pois foi nele que tomei o rumo da profissão, jornalista.

Literalmente, o meu norte. Aqui tive a minha primeira carteira de trabalho assinada, na época por Aluísio Moura. Década de 60, endereço da Rua Duque de Caxias, em pleno centro histórico, político, cultural e comercial da cidade. E da primeira carteira assinada a gente nunca esquece, não é verdade?

Tivesse tirado direto, estaria hoje aposentado na empresa, tipo Evandro Nóbrega, decano dessa categoria, salvo engano. Mas jornalista é bandoleiro, cigano, nômade, em grupo ou individualmente.

No meu caso, fiz uma carreira de idas e vindas. Correio (onde tudo começou, como cronista de cinema), O NORTE, A União, A Carta, entre os impressos. Todas as rádios, menos (menas, diria o nosso Presidente Lula) a Tabajara - isso em ondas médias e freqüência modulada. E tempo de serviço público que só não me faz hoje inativo porque vez por outra ainda sou chamado a dar alguns pitacos em minha área - lá se vão mais de 40 anos de governo...

Não falo na correspondência em Veja e n'O Globo, porque o que conta é minha carreira de idas e vindas pelas redações locais. Em praticamente todas elas tive passagem. Em algumas, várias passagens. Como aqui nesta casa, da qual não conto as vezes como inquilino. A atual já completa com 10 anos, contados a partir de fevereiro de 1996 - data que associo aos meus 60 anos (de novo, esse aniversário que não quer terminar?) para aguardar o centenário de O NORTE, daqui a dois anos.

Como o destino tem sido generoso comigo! Já pensaram? Comemorar os 100 anos de um jornal que assinou a minha primeira carteira de trabalho! Gonzaga Rodrigues tem aquele sítio que anda com ele. E eu tenho este norte que anda comigo. Querer mais o quê?

Martinho Moreira Franco
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A nota do dia

Peguei o bonde chamado O NORTE em fevereiro de 1951. Era conduzido por José Leal Ramos, que tomara o seu primeiro bonde nos anos 20, trabalhando na estrada de ferro que chegara a Alagoa Grande e escrevendo a bico de pena um jornal mensal batizado de O Momento. Era um homem alto que o empertigamento fazia maior.

Sabia de tudo, do significado das palavras à história dos povos.

Respondia as nossas perguntas sem interromper o artigo que teclava com os dois indicadores longos e encardidos de fumo, deixando encobrir-se com as baforados do charuto.

Materialmente, o jornal não diferençava muito do que fora instalado em 1908. Chegara ao estágio da linotipo, que compunha os textos.

Mas os títulos, as linhas, os quadros eram produzidos manualmente, a técnica dependendo mais da destreza do titulista do que do equipamento disponível.

A impressora era uma plana, sem muita diferença da que chegou primeiro na Paraíba para imprimir sua primitiva gazeta. Romeu, o impressor, levava com a esquerda o papel que a mão direita descolava da pilha ao lado. A máquina e o muque trabalhavam em perfeita sintonia. Depois é que os Associados, incorporando O Norte, montaram uma rotoplana que alimentava automaticamente a impressão. Um sucesso. Ainda que a composição dos títulos continuasse manual, sentindo inveja de Pernambuco que esnobava com linotipos tituleiras.

E o que nos empolgava além de ver impresso em letra de forma o texto que nos custara tanta apreensão, tanta busca, tanto esforço de montagem? O texto que Seu Leal aprovara? Com as nossas palavras, com a nossa capacidade de reuni-las em coisa conseqüente e impressa.

Era isto. O divino maravilhoso se encerrava na transmutação da nossa incipiência num ser impresso, vivo e eterno ao mesmo tempo.

E olhávamos com veneração para aquele homem grande e grande homem cuja única ambição era dar a nota do seu dia e do seu tempo.

A coluna, enquanto pôde escrever, era a "Nota do dia". Nota que, com o tempo, com a novidade, fomos enfastiando, deixando por outras até perdermos a noção do essencial nessa viagem humana.

Noção que o velho Leal jamais perdeu, preso a uma cadeira de rodas, sem mais os fumos do charuto, sem o cerco que o homenageava, mas interessado, até o último dia, nos acontecimentos humanos. Não tinha mais nota diária a escrever, mas não conseguia desligar-se.

Gonzaga Rodrigues
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A serviço da Paraíba

Nóticia lida em O NORTE é fato acontecido com o carimbo da história

José Euflávio

Repórter

joseeuflavio@jornalonorte.com.br

O Norte botou o pé no batente dos 100 anos e mantém uma qualidade que o faz um jornal de tradição, na Paraíba: a credibilidade.

É disso que vive este jornal. Há quase um século uma notícia publicada em O NORTE traz o carimbo da verdade, do fato acontecido, da coisa pretérita. E já nasceu assim. Fundado pelos irmãos Orris e Oscar Soares, O NORTE é uma espécie de continuação do grande jornal que a Paraíba teve em todos os tempos: O Comércio, de Arthur Achiles.

Achiles fundou O Comércio em 1901, mas uma crise financeira e a perseguição política o sepultou sete anos depois, provocando revolta em todos os que admiravam o grande jornal da Paraíba. Entre esses inconformados estavam os irmãos Soares.

Na virada do século XIX para o XX, Oscar Soares é um comerciante bem sucedido, na Paraíba, homem de negócios, com visão de futuro.

Seu irmão Orris, não. É um intelectual respeitado, teatrólogo, escritor e jornalista.

Aliás, sobre Orris existe o seguinte fato: ele escreveu um prefácio para a primeira edição do Eu, de Augusto dos Anjos. Cem anos depois, em todas as edições do livro, nenhum editor teve a coragem de excluir o texto deste grande paraibano. E olha que não são poucos os críticos a falar bem do livro de Augusto ao longo desse tempo.

O NORTE é fruto da visão empresarial de Oscar e do tino e da capacidade intelectual de Orris e, já no nascedouro, diz ao que veio: "um jornal a serviço da Paraíba". Que bela sentença!

Era visão dos dois irmãos Soares: um jornal a serviço do comércio paraibano, das grandes idéias dos paraibanos, jornal de combate ao cangaço que manchava o nome do Estado.

Moderno

O Norte nasce moderno. É o primeiro jornal da Paraíba que rompe com a tradição daqueles tempos. O jornal era feito por articulistas que pegavam os fatos e davam as suas impressões sobre os mesmos. Um amontoado de opiniões. Foi este jornal, aqui na Paraíba, o primeiro a dá importância a notícia. A notícia da forma como conhecemos hoje: sem a opinião pessoal do redator. Na redação, foram mantidos os articulistas, cada um escrevendo suas opiniões sobre fatos, mas o grosso do jornal era a notícia seca, pura, sem adjetivos... É essa a diferença entre O Norte e os outros jornais. Desde a sua criação ele tem o compromisso de noticiar sem escamotear, sem criar fatos, sem poupar os personagens e sem inventa-los. Notícia lida em O Norte é fato acontecido com o carimbo da história. Por isso, este é um jornal a serviço da Paraíba e da sua gente...

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A moda e o glamour das festas dão lugar às palavras

Goretti Zenaide se coloca do outro lado para falar dos 98 anos de O NORTE

A lição de casa hoje é diferente. O editor Joanildo Mendes me pede para deixar um pouco de lado a crônica social e de moda, para escrever um artigo de vinte e poucas linhas sobre os 98 anos do Jornal O Norte, como fizeram os mestres das escritas Gonzaga Rodrigues, Martinho Moreira Franco, Agnaldo Almeida, Nonato Guedes e Giovanni Meirelles. Ou seja, entrei numa fria...

Para começar, acho que nenhum veículo de comunicação chega aos 98 anos sem mais nem menos. Se chegou é porque soube se manter na vanguarda desde 1908, época em que foi fundado, ao abrir espaço para a ampla reportagem em vez dos folhetins transcritos dos jornais portugueses e franceses daquela época, quebrando os velhos padrões do jornalismo provinciano de então.

É claro que não temos mais o romantismo de antigamente quando um bom jornalista valia mais pelo orgulho que sentia ao realizar um furo de uma reportagem.

O jornalismo hoje se tornou mais técnico e, graças à internet, as notícias chegam hoje às redações com a mesma velocidade da luz, muitas vezes para vários veículos ao mesmo tempo, cabendo a cada um de nós saber tirar proveito da notícia e deixá-la mais atrativa e interessante para o leitor.

O que vale hoje em dia é avaliar todas as informações disponíveis, manipulando-as com riqueza, profundidade e ótica surpreendente.

Mas, isso não acho que o jornalismo deixou de ser romântico.

Ainda é, principalmente para esse Senhor Velhinho de 98 anos, que sempre está nos ensinando a viver cada dia mais apaixonada pelo que faz, aprendendo com o seu passado, saboreando o presente e amando um futuro promissor.

Goretti Zenaide
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Você lê e acredita

Ao longo desses 98 anos, O NORTE foi testemunha, personagem e privilegiado posto de observação da cena político-social da Paraíba. Cumpriu sempre o papel que lhe coube, informando a sociedade paraibana sobre tudo o que aqui ocorreu neste quase um século.

Testemunhou revoluções, revoltas e conquistas. Protagonizou campanhas de interesse coletivo, assumiu posições em momentos graves da nossa história e sempre emergiu destas batalhas com a marca que o leitor ainda hoje o identifica: a credibilidade.

Foram várias as equipes que aqui exerceram o melhor jornalismo.

Citar nomes é perigoso porque há sempre o risco da omissão, mas talvez pudéssemos representar todos eles na figura ímpar de José Leal, o seu velho diretor da nova fase iniciada nos anos 50.

Assim como teve centenas de jornalistas contribuindo para a sua história, o jornal também teve um número razoável de slogans. “A Paraíba e O Norte se entendem” foi um deles. Mas todos podem ser hoje resumidos no slogan atual: “Você lê, você acredita”. Está aí o que faz diferença.

Na conjuntura atual, o jornal consegue manter a credibilidade como seu maior patrimônio. Sob o comando do superintendente Cecílio Fonseca, um mineiro que veio para ficar e já é paraibano, O NORTE passa por um processo de reformas internas que vão aprimorar ainda mais a sua forma e o seu conteúdo.

Devo dizer que fui chamado para coordenar este projeto, mas questões absolutamente pessoais não me tornaram possível cumprir a missão. Entretanto, continuo aqui, torcendo pela equipe, colaborando no que for possível e convicto – permanentemente convicto – de que O NORTE, quando mancha de letras as suas páginas, o faz com as tintas da verdade.

Agnaldo Almeida
Colunista de Política
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O Jornal como ele é

Conheça como funcionam todos os setores do Jornal O NORTE

Lucilene Meireles

Repórter

lucilenemeireles@jornalonorte.com.br

O primeiro passo para que cada edição de O NORTE possa começar a existir é saber o que está acontecendo na cidade, no estado, no Brasil e no mundo, ou seja, a pesquisa. A partir daí, surgem as pautas, que orientam e informam o repórter sobre o assunto a ser investigado e o enfoque da matéria. Com ela em mãos, o profissional vai à cata da notícia, junto com o fotógrafo, visitando lugares e entrevistando as fontes. De posse dos dados e informações, é hora de voltar para a redação, dar alguns telefonemas e por as mãos na massa - ou melhor, no teclado - engenhando a melhor forma de transformar todo o material apanhado em um texto objetivo e claro.

Parece fácil, mas às vezes, dá um pouquinho de trabalho. Quem é jornalista sabe das dificuldades e de quantas vezes se ouve um "não está", "está em reunião", "viajou", "não tem celular", "não vem hoje", "está de férias" ou "está doente". No entanto, são os obstáculos que acabam dando emoção, instigando a uma constante busca. Todo repórter tem consciência de que as dificuldades são barreiras que não permitem que o trabalho se torne entediante.

Assim, à medida que vão ficando prontas as matérias, artigos, colunas, editorial, títulos, subtítulos, legendas, fotos, e após passar pelos editores de Geral, Cidades, Policial, Cultura, Esportes, TV, Informática, Veículos, entre outras editorias, a produção vai sendo distribuída nas páginas do jornal. É o momento da diagramação, que tem uma equipe criativa, cuidadosa e preocupada em produzir páginas com um visual sempre diferente, que chame a atenção, facilitando e instigando a leitura.

Terminadas estas etapas, o jornal é encaminhado para o parque gráfico localizado na sede do Diário de Pernambuco, que faz parte do Grupo Associados, em Recife, onde são impressos os exemplares. E aí começa outra fase do trabalho: a montagem e distribuição.

Diversos setores, formados por profissionais dedicados e competentes, são responsáveis para que, diariamente, o jornal O NORTE chegue cedinho às mãos dos leitores com informação de qualidade e, acima de tudo, credibilidade. A Circulação, por exemplo, junto ao setor de Telemarketing, cuida das vendas avulsas do impresso, vendas por assinatura e cobranças. Na Gerência de Tecnologia, é produzida a arte do jornal, além dos anúncios, pré-impressão, internet e manutenção da informática. O setor Comercial, por sua vez, vende espaços comerciais, num processo moderno e de grande importância para a empresa. Já a equipe dos Classificados, recebe e organiza anúncios diversos através do balcão ou por telefone.

Além destes, a Gerência de Marketing, coordenada por Sílvio Ricardo, também desempenha atividades fundamentais para o avanço e crescimento do jornal. "Com exceção do papel principal do setor, que é cuidar da imagem da empresa, nós elaboramos projetos de grande alcance, como o Leitor do Futuro, que já beneficia várias escolas das redes pública e privada, e que está sendo ampliado, para incentivar cada vez mais os alunos a desenvolver o gosto pela leitura, através da análise e interpretação de textos publicados semanalmente nas edições do jornal", disse.

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Personagens da história

Alfredo Bernardo e Hirley Carvalho desempenharam seu trabalho em diversos setores de O NORTE e se orgulham do que fazem

Ana Carolina Abiahy

Repórter

carolabiahy@jornalonorte.com.br

Neste aniversário de O NORTE, muitos funcionários merecem mesmo parabéns, pelas décadas de vida dedicada à empresa. É o caso de Hirley Carvalho de Sousa, que é responsável pelo almoxarifado há três anos, e de Alfredo Bernardo da Silva Filho, que faz a taxação para o setor financeiro. Eles passaram por diversos setores e funções, mas permaneceram com a mesma dedicação ao trabalho e o companheirismo com os colegas.

Hirley conta que ingressou em 1976 para trabalhar em uma atividade que nem existe mais: ela era emendadora. O trabalho dela era colar as letras que corrigiam erros encontrados nos textos do jornal. Na primeira impressão do jornal, as revisoras verificavam os erros existentes. "Se tivesse conserto com S e fosse concerto com C. O digitador digitava a letra que era impressa naquele mesmo tamanho e a função da gente era colar por cima da palavra", explica Hirley. Ela era emendadora durante as madrugadas e outra equipe cuidava disso durante o dia, com as primeiras páginas que ficavam prontas.

Segundo Hirley, a atividade colaborava muito para a qualidade do jornal. "Existiam menos erros ortográficos. Também tinha a função das revisoras que hoje não existe mais em jornal nenhum. Era um trabalho bem artesanal", comenta. Ela ficou um ano nessa função que exigia muito cuidado e detalhamento.

A partir daí, foi ser auxiliar do Departamento Pessoal, onde ficou durante três anos. "Você já deixa as amizades de um setor e passa para outro, onde vai conhecer mais gente e fazer novos amigos", destaca Hirley. No DP, Hirley passou por uma situação de crise da empresa no ano de 1980, quando 36 pessoas foram demitidas. "Foi um susto. Uma empresa que ia bem, naquele tempo demitir 36 pessoas chamava atenção. Hoje, parece até pouco. Dei baixa em 35 carteiras. A última seria a minha, aí, eles é que tiveram de fazer", relembra.A saída aconteceu em maio de 1980 e ela ficou sete meses em casa, com a filha pequena, que hoje tem 27 anos e lhe deu um neto de três anos. "O outro filho, eu tive aos 39 anos, o que era menos comum", conta. Hoje, ele já está com 14 anos e mora com ela, que é separada. Em dezembro de 1980, Hirley voltou para O NORTE, onde permanece até hoje, apesar de já estar aposentada há dois anos. "Vou ficar até quando quiserem porque ficar em casa ociosa não vai ser bom não", frisa.

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O NORTE sempre foi vencedor

Funcionários antigos destacam trabalho em equipe e lembram da força que o jornal exerce ao longo dos anos na Paraíba

Após a volta para a empresa, Hirley Carvalho cuidou do faturamento. Durante 10 anos seguintes, ela ficou entretida com pagamentos. "Era o jornal de maior circulação. Quem era de O NORTE tinha passagem livre em qualquer lugar. Mas, acredito que a empresa vai voltar a crescer ainda mais, tem nome. Já passamos por situação difícil, mas com essa turma boa, sempre vencemos e vamos continuar unidos", destaca Hirley.

Ela disse que sua função favorita na empresa foi a do faturamento. "Eu assumia tudo sozinha, contas a pagar. Eram 180 notas por dia, datilografava tudo. Era auxiliar de tesouraria e depois fui nomeada tesoureira. O trabalho antes exigia mais mão de obra, mas acho que a gente trabalha tanto quanto antes, continua se esforçando", comenta, Hirley, que antes trabalhava em lotéricas e no comércio.

Alfredo Bernardo também iniciou a carreira, com carteira assinada em O NORTE, em 1972. Naquele tempo, o prédio era na rua Duque de Caxias, onde hoje funciona a Finivest. "Era com linotipo, rotativa plana, uma máquina enorme do tamanho dessa sala", relembra Alfredo. Ele começou a trabalhar na circulação, onde ficou por quatro meses. Depois, foi para a contabilidade, onde fazia a mecanografia, palavra antiga para lançamentos contábeis. Ele diz que se sente mesmo um dos construtores da empresa, pois esteve presente quando o prédio atual estava sendo erigido. "Passamos a ter off-set a frio. Fomos pioneiros. Aqui, era um dos melhores do Nordeste. Em Natal, só tinha impressão a quente", relembra. Em 1977, Alfredo ficou responsável pelo Departamento Pessoal onde permaneceu até 1996.

Hoje, ele auxilia os setores de cobrança e do comercial. Ele taxa os anúncios, para que não haja problemas de publicidade sem ser paga.

"Gostava mais da contabilidade", comenta.

No próximo ano, Alfredo já pode se aposentar, contando o tempo em que ficou no Exército também. Antes de ingressar em O NORTE, aos 24 anos, ele já trabalhava no comércio, mas sem qualquer garantia. Ele disse que pretende continuar na empresa. "O NORTE é uma potência.

Jornal de nome, forte, tem tradição. Muita gente não perde o hábito de ler. A tendência é melhorar cada vez mais", prenuncia. Ele diz que sente saudade do tempo que a boemia reinava nas redações. "As amizades eram fortes. Tinha quem trocasse o dia pela noite.

Grandes figuras, a gente ouvia o comentário no outro dia. Cecílio Batista criou a charge aqui na Paraíba, com Zé da Silva, que era um personagem, os outros imitaram depois", conta. Ele disse que não acompanhava as farras porque já era casado e tinham os três filhos. A saudade dos companheiros continua até hoje.

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“Esse jornal tem muita sorte”

Adroaldo da Silva, o tão conhecido Cocada, é o motorista mais antigo de O NORTE e com ele o Jornal caminha pelas ruas à fora com muito bom humor

Ana Carolina Abiahy

Repórter

carolabiahy@jornalonorte.com.br

Mago, esse jornal tem muita sorte". "Mô, tu morre e o jornal fica".

Qual foi a repórter ou fotógrafo de O NORTE que nunca ouviu essas frases em momentos de aflição durante as pautas diárias? São lemas de Cocada, apelido de Adroaldo da Silva, motorista da redação, em suas décadas de observação sobre a longevidade do jornal. Nota explicativa para quem não é da redação ou não conhece a figura quase folclórica: Mô, diminutivo de amor, é como Cocada chama a todas nós e Mago é como ele chama os homens, mesmo quem não é magro.

O NORTE parecia já estar no destino de Cocada. Afinal, ele nasceu e se criou na rua João Amorim, no Centro de João Pessoa, uma das avenidas que dão acesso ao prédio do jornal. "Aqui, onde é o jornal, na Pedro II, era uma vacaria, um sítio. Tomei muito leite aqui e tinha um poço de água mineral", lembra. Mas, quando Cocada entrou para a empresa, ela ainda funcionava em outro prédio, na avenida Duque de Caxias. Isso foi por volta de 1956 e Cocada tinha 18 anos.

Ele iniciou como entregador de jornal e Office-boy. Depois ficou como "agente", lidando com assinaturas e distribuição. "Eu vendia três mil jornais por dia. Isso era na época de Chatô e O NORTE era o mais vendido. Tinham outros três agentes que ficavam fazendo perseguição, dizendo que eu tomava a freguesia deles porque vendia mais jornal do que todo mundo", envaidece-se Cocada.

Indaguei a Cocada o que era a melhor coisa daquele tempo e a resposta arranca dele uma gargalhada. "O melhor de tudo é que eu era solteiro. Se tivesse lucro era bom, se não tivesse, era tudo a mesma alegria. Sempre tinha dinheiro no bolso. Ainda tinha uma tia minha que ajudava", revela. Ele lembra que naquele tempo o trabalho começava às quatro da madrugada e a impressão em linotipo ia até uma da manhã. "Só tinha um repórter policial", conta.

Supervisor de gazeteiros

Essa foi a primeira fase de Cocada em O NORTE porque, como todo herói, enfrentou vilões que determinaram sua saída. Nesse tempo, ele era como um supervisor dos gazeteiros. "Os gazeteiros fizeram um boicote. Venderam os jornais, ficaram com tudo e disseram que não tinham dinheiro. Eu contei tudo ao superintendente Aluísio Moura. Sai na Kombi cobrando das pessoas das assinaturas, uns me pagaram, outros não. Liquidei a conta com meu dinheiro. Fui ameaçado de morte pelos gazeteiros. Mesmo assim, disseram para eu sair, porque os outros tinham raiva, porque eu vendia mais que eles. Tá vendo, mô, como eram as coisas", desabafa acerca da saída em 1960.

A partir daí, Cocada foi para o Banco Indústrial de Campina Grande, chamado por Júlio Rique. "Fiquei trabalhando aqui. Tratando da correspondência. Me chamaram porque eu tinha um bom relacionamento na sociedade.

Muitos anos de batente e contos

O Banco Indústrial fechou e ele foi chamado para o Banco do Estado.

"Naquele tempo, tinha pouca gente que sabia como era banco. Eu fui escolhido até para fazer curso de Recursos Humanos, fiquei em segundo lugar. Fiquei lá 14 anos até que o banco fechou", conta Cocada. Ele ainda trabalhou no Banco do Brasil, já como motorista, "mas não era oficial".

Nos primeiros anos da atividade de bancário, Cocada aproveitou boas farras. Durante alguns trajetos, ele me revelou que levava os gerentes para cabarés em Santa Rita ou Bayeux e já deixava tudo armado para as esposas deles não descobrirem. Ele deixava no carro roupas limpas para que os bancários se divertissem à vontade entre os perfumes e bebidas. Depois, eles tomavam banho e vestiam o mesmo paletó, como se nada tivesse acontecido.

Mas, isso tudo foi antes de Cocada se casar com Lucidalva Araújo da Silva. "Casei aos 28 anos. Ela era órfã de pai e mãe, quer dizer, ainda é, né? Conheci e me casei em três meses", conta. Eles estão juntos até hoje, morando no bairro da Torre, junto com um cunhado, a filha e a neta de um ano. Ele tem 10 netos e o mais velho tem 14 anos. São três filhas e o filho Frank Sérgio, que mora no Rio de Janeiro.

Cocada voltou para O NORTE em 1981 e permanece até hoje, vindo até durante as férias. Entre as muitas histórias para contar, pergunto a ele a situação mais engraçada e ele disse que ela aconteceu com nossa atual chefe de redação, Nara Valuska. "Foi com Nara. Ela era novata, caladinha, nunca via a pessoa ter tanta paciência. Ficou quatro horas rodando de carro e não conseguiu fazer matéria nenhuma. Naquele tempo, eram 12 repórteres e um só carro. O tempo de deixar e buscar um e outro, deu a hora de voltar e ela nem conseguiu chegar. Voltou para a redação sem matéria", conta, rindo.

Nara acrescenta que tudo se passou na Veraneio, apelidada de baleia vermelha.

Ação e suspense em cada trajeto

A história mais perigosa foi a surra que ele levou de policiais militares.

"Foi durante uma revolta dos PMs. Eles estavam atrás de aumento e estavam concentrados na Praça Pedro Américo. Ovídio estava lá tirando foto, não sei se eles notaram que era do jornal. Um cara agarrou Ovídio, deu um tapa e tomou a máquina. Eu fui lá e dei um murro. Ai, mô, veio um enxame, bem uns 20, batendo em mim. Murro, pontapé, tapa. Só me livrei porque um coronel passou e pediu para largar. Eles ainda queriam quebrar o carro e esse homem não deixou", relata. A história ocorreu por volta de 1982. "Nessa época, todos apanhavam". O susto foi tão grande que Cocada foi dirigindo até Santa Rita. "Cocada, tu tá indo pra Santa Rita, gritou Ovídio. Acho que só escapei porque sabia uns golpes de karatê. No outro dia, vim trabalhar", conta Cocada.

Ele conta que é muito apegado à redação do jornal e por isso nunca quis mudar de setor. "Acho que esse jornal é muito abençoado por Deus. Vai durar muitos e muitos anos ainda", prevê Cocada. É por isso que ele não deixa de repetir seus bordões. O editor de geral, Girlan Idalino, conta que tem saudades do tempo em que andava com Cocada a cata de notícias e que aprendeu a admirar o amor que ele sente pela família.

"Cocada é uma das pessoas mais especiais para mim no jornal, apesar de nunca ter dito isso diretamente para ele. Quando o local da matéria era longel, Coca falava bastante da vida pessoal dele, das ex-namoradas e das histórias vividas com elas na Grande João Pessoa", lembra Gil. "Chamava atenção o carinho que Coca sente pelos netos. Isso me comovia”, destaca.

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Rumo a O Norte

Dos 98 anos de existência do jornal O NORTE, oito deles contaram com a minha singela contribuição. Na primeira vez que trabalhei nos Associados, em 1995, a convite do amigo e guru, jornalista Agnaldo Almeida, à época diretor de redação do jornal, tive o prazer de assumir a chefia de redação e contribuir com a informatização do jornal. Trabalhava como uma espécie de cozinheiro-chefe, em uma cozinha formada por uma equipe forte e determinada que sempre procurou fazer o melhor “prato” para servir ao exigente cliente/leitor.

Após cinco anos de trabalho na redação, deixei os Associados para retornar no início de 2003, para dessa vez ser o editor chefe do jornal, a convite do amigo superintendente Cecílio Fonseca. O desafio foi bem maior que o anterior, mas aos poucos começamos a dar uma nova feição a esse velho moço de 98 anos.

E foi rumo a O NORTE que eu me encontrei profissionalmente. Passei nestes últimos 20 anos, como todo jornalista nômade que o é, pelos batentes dos jornais O Momento, A União, TVs Cabo Branco, Tambaú e O Norte, rádios Universitária e Arapuan FM, revistas Veja, Em Dia e A semana, além das assessorias de imprensa da Saelpa e do Incra. Mas no meu currículo profissional faltava esse retorno às redações desse jornal que sempre me acolheu tão bem e que é uma verdadeira família para mim.

Aos poucos nós estamos resgatando a força que esse veículo quase secular sempre teve em todo o estado. Com o apoio da direção da empresa e com a garra dos amigos da redação, profissionais competentes e interessados em sempre fazer o melhor, estamos seguindo no caminho certo, rumo a O NORTE que todos sempre desejamos chegar. Fecho essa edição especial na certeza de mais um trabalho cumprido, feito com carinho para o leitor.

Joanildo Mendes
Editor chefe
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