Jornal O Norte

João Pessoa, Quinta-Feira, 20 de Novembro de 2008

Dom Aldo Di Cillo Pagotto


Qual alfabetização?

Todos os países emergentes se propõem alcançar a meta educacional com a jornada de dois turnos. Apenas alguns conquistaram essa meta. Se nós, brasileiros, quisermos nos desenvolver de verdade, essa meta deve ser assumida como prioridade absoluta. A escola de tempo integral comporta várias atividades pedagógicas. Inclui informática, temáticas transversais, práticas desportivas e artísticas. João Pessoa já conta com oito escolas desse perfil. Está aí uma excelente temática sugestiva para ser aprofundada pelos parlamentares das nobres Casas Legislativas da Paraíba, colaborando com as orientações das Secretarias de Educação.

Há pré-requisitos a serem enfrentados para se garantir a implantação do modelo ideal de escola fundamental e média. O processo de implantação Da escola de tempo integral é muito exigente. Comporta a capacitação de professores e uma infra-estrutura considerável nos prédios escolares. Nesse processo, deve se considerar a adesão dos pais e sua efetiva participação no planejamento do ensino, aprendizado e habilidades. Em palavras objetivas, trata-se de definir o que a escola deve ensinar e o que o aluno deve aprender, conforme um plano estratégico de curto, médio e longo prazo.

Sabemos que os núcleos familiares possuem um grau cultural sofrível. A escola deve envolver os pais por dois grandes motivos. Primeiro, pelo fato de que os filhos alunos deverão permanecer na escola, enquanto os pais trabalham. Segundo, pelo fato dos pais possuírem níveis discutíveis, por isso mesmo devem participar das orientações ministradas nas escolas. Hoje, os pais carecem de orientações para o próprio desenvolvimento humano, pessoal, familiar e social.

Não deveria consistir em vergonha para ninguém o fato de eu ser pai/mãe, encontrando-me na situação desconfortável de despreparo. Sentindo-me inseguro e não esclarecido como posso orientar meus filhos de forma melhor? Como a escola poderá oferecer orientações para os pais? Entra em cena o serviço voluntário. A escola poderia contar com pessoas disponíveis para assumir essa suplência? As igrejas poderiam mover campanhas e dispor de parcerias para esse trabalho empreendedor, inovador, precursor do verdadeiro desenvolvimento humano. Atualmente, as igrejas possuem canais televisivos que poderiam veicular programas específicos, em parcerias com o Ministério da Educação e com as secretarias municipais.

Nossa sugestão indica algumas parcerias entre o Estado e o MEC, junto a outras instituições públicas ou privadas, contando com apoio efetivo do governo municipal, por sua vez apoiado pela Casa Legislativa, aprovando os investimentos financeiros aplicados com transparência na nobre causa. A implantação da escola de tempo integral não é apenas uma decisão personalizada do prefeito e sim um pleito de competentes formadores e pedagogos.

Na Paraíba, esse ideal deve corresponder às metas do governo do Estado e dos municípios. Entretanto, somente lucrarão êxito se integrarem suas forças nos planos inter-setoriais, implantando processualmente os projetos de escolas de tempo integral. De antemão, sabemos que a maioria dos municípios não possui as devidas condições. Pior ainda, o isolamento dos municípios ou a implantação improvisada, que não sobreviveria.

Antes de implantar, é preciso planejar e garantir sua sustentabilidade. Não se trata de ampliação de tempo e sim de aproveitamento e utilização sábia do tempo e do espaço, para a qualificação dos professores e dos alunos, não olvidando naturalmente os pais, envolvidos no mesmo processo qualitativo. Concluindo, a escola de tempo integral objetiva qualificar crianças e adolescentes, garantindo-lhes uma formação integral e integrada, investindo em resultados para o seu bem e o bem da coletividade.

Dom Aldo Pagotto, Arcebispo da Paraíba
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