Os resultados eleitorais mostram, com a sucessão de mandatos eletivos obtidos na Paraíba, que em matéria de política o senador Efraim Morais acerta muito mais do que erra. E acerta não só no tempo das eleições. Seu desempenho, seja como deputado estadual, por duas vezes; federal, por três e agora senador, repercute favoravelmente junto ao eleitorado. Não fosse assim e ele já teria amargado alguma derrota. Até hoje, não esse foi o caso.
Mas ele acaba de cometer um erro. E o erro do senador foi deixar que seu nome freqüentasse a lista dos possíveis candidatos à presidência do Senado no início do ano que vem. Erro, aliás, que seria extensivo a qualquer outro senador que tivesse ou tenha o perfil de oposição ao governo Lula, como é o de Efraim. O PT não haveria de perdoá-lo,
Pois então, bastou que seu nome surgisse como opção à sucessão do presidente Garibaldi Alves para que o bombardeio dos governistas começasse sem pena nem dó. Isto é, com objetivo bem definido e endereço certo. De uma hora pra outra, Efraim passou a freqüentar o noticiário sempre em situações desconfortáveis.
Na última semana, a Revista Istoé encarregou-se de mais um
disparo: produziu uma "reportagem", identificando o senador paraibano
como o "cardeal do baixo clero". O pretexto para tudo isso foi a
criação de novos cargos comissionados no Senado, projeto que
só foi aprovado porque teve a anuência de todos os líderes
partidários e dos demais membros da Mesa Diretora, exceção
do presidente Garibaldi.
Convenhamos que não há mal nenhum em ser cardeal, mesmo que
o clero seja baixo. Não há, porém, como se evitar nesse
caso uma pergunta que não quer calar: se todos aprovaram a criação
desses cargos, se os líderes no Senado estavam de acordo, por que a
revista só cita o paraibano?
A resposta é óbvia: pré-candidato à sucessão de Garibaldi Alves e sendo um dos mais contundentes críticos do governo Lula, Efraim precisa ser combatido já agora, para que a sua candidatura não assuma condições de irreversibilidade. O PT tem seu candidato - a dados de hoje é o senador Tião Viana - e não quer correr o risco de ver o Senado presidido por um ferrenho adversário do governo.
Lançar-se à disputa, antecipadamente, foi o erro de Efraim. Mas, cá pra nós, é um erro no qual incorreria qualquer outro oposicionista que também se apresentasse, ou venha a se apresentar, para a disputa. O PT no Senado, sob o comando da líder Ideli Salvatti, está disposto a tudo, menos a ter um senador "radical", como o representante da Paraíba, na presidência da Casa.
Quem leu a matéria da revista Istoé, percebeu claramente que não se trata de uma reportagem pautada pela redação. São tão fortes os propósitos do ataque que é impossível deixar de ver a ação do PT nesse processo de queimação do nome do senador.
Na Paraíba, a Istoé é conhecida. Conhecida por políticos, jornalistas e leitores comuns. Quase todos a tratam por outro nome. Quanto é difícil o trabalho da imprensa nesses tempos de eleição!
A imprensa da Paraíba e a população de um modo geral vão conviver, neste período eleitoral com um dado novo: trata-se da serenidade com que o desembargador Nilo Ramalho preside o Tribunal Regional Eleitoral, sempre acreditando que a responsabilidade dos candidatos e dos eleitores acabará falando mais alto.
Ele, neste início de campanha, não vê nenhuma necessidade de convocar tropas federais para controlar as eleições. E diz por quê: "As eleições são municipais, o Estado está tranqüilo, não há nada que nos leve a esta convocação. É claro que se em algum município a situação sair do controle nós convocaremos todas as forças, mas por enquanto isto não se faz necessário".
Diz mais o presidente do TRE: "A eleição é uma festa cívica, um momento de grandeza da cidadania e não pode ser confundida com um velório, como há pouco lembrou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Carlos Ayres Brito".
Sobre a influência da imprensa no processo eleitoral, comentou: "Acho que a imprensa da Paraíba se comporta bem e procura evitar os abusos. Isso é bom para todo mundo: para os candidatos, para as instituições e para o eleitor, que é o dono desta festa eleitoral"!
Isso não quer dizer que, diante de abusos, partam eles dos candidatos
ou da imprensa, o Tribunal Regional Eleitoral não reagirá com
o rigor que a lei determina.
Nilo Ramalho pode estar dizendo o óbvio, mas não resta dúvida
que é tranqüilizador ter um presidente da corte eleitoral com
a serenidade que o caracteriza.
É impressionante como a sabedoria está sempre ao lado das
avaliações mais simples que se faz da vida.