Os jornalistas Cristiano Bastos e Leonardo Bonfim estão trabalhando em um documentário que tem como ponto de partida o célebre álbum duplo "Paêbiru", de Zé Ramalho e Lula Cortes, lançado ainda no tempo dos discos de vinil. Esse projeto batizado temporariamente apenas de "Paêbirú" está sendo filmado em quatro cidades brasileiras. Lançado em 1974 o disco suscitou várias lendas, inclusive uma de que Zé Ramalho teria achado ruim que sua foto, na reedição que se pretendia fazer do disco, aparecesse em segundo plano, já que a capa dupla, depois de dobrada apresentaria apenas Lula na parte frontal. Á época os produtores alegavam que Zé Ramalho em destaque teria tonado o disco mais comercial. Os jornalistas Cristiano Bastos e Leonardo Bonfim que estão na direção do projeto preferem não se envolver nessas querelas.
Em 1974, Lula Cortes e Zé Ramalho viajaram para a cidade de Ingá, interior da Paraíba, para ver de perto as inscrições míticas que segundo a lenda teriam sido feitas por seres extra-terrestres ou pelos incas, que ali teriam passado. Outra versão dá conta de que teriam sido seres da pré-história que cunharam mensagens nas Itacoatiaras. Foi justamente a ida de Zé e Lula às Pedras do Ingá que os inspirou a fazer o disco "Paêbiru". O álbum teve a maioria de suas cópias levadas na enchente que atingiu o Recife, em 1975. Teriam restado cerca de 300 cópias, disputadas por colecionadores e fãs, que pagaram até R$ 4 mil por um exemplar. Leandro Bonfim concedeu entrevista exclusiva ao caderno Show na qual fala sobre o que já foi filmado até agora e diz que tem procurado manter contato com Zé Ramalho.
- Olá!, sou Samuel Cavalcanti, músico paraibano, muito prazer!
- Olá, somos o Sr. e a Sra. 'Leitores do Jornal O Norte', mas, o que o traz aqui?
- Bem, na verdade este nosso encontro hoje, embora os senhores ainda não saibam, não é por acaso. Estou aqui para apresentar-lhes uma nova idéia, uma proposta. Os senhores já se deram conta do cenário musical paraibano? João Pessoa tem inúmeros artistas e também recebe com certa freqüência, músicos de todas as partes do mundo, mas, muitas vezes, não há críticas sobre o trabalho realizado, sobre cada som, cada estilo.
Eis então a minha proposta: resenhar sobre a maior diversidade possível de fazeres musicais em nosso solo pessoense, desde os Concertos Sinfônicos até as performances de DJ's e da música popular em geral. Não sei se é um tanto quanto ousado da minha parte, mas a proposta é essa mesmo! Não podemos fechar os olhos e ouvidos à gama diversificada de estilos que acontecem em nossa cidade.
A música voa solta por entre becos antigos, grupos de amigos, igrejas e mosteiros, teatros e praças, e isso precisa ser registrado em palavras e impressões. Como músico, a minha contribuição acontecerá na parte essencial do conteúdo sonoro apreciado, meu esforço será para contar uma história em cada resenha, contar em palavras aquilo que foi ouvido e analisar, à luz da ciência musical, cada proposta artística. Da 'Jampa' nova, de bandas que conquistam os nossos adolescentes, até aos mais saudosos ouvintes que tem, em sua memória, grandes e velhos nomes, podemos citar inúmeros exemplos de gêneros musicais e propostas artísticas sobre os quais valem a pena produzir comentários embasados e, ao mesmo tempo, informativos; comentários que eduquem e que sirvam de baliza para os próprios músicos.
Enfim senhores, esse nosso encontro foi planejado, e espero que seja o primeiro de muitos; há muito pano pra manga e muito assunto para nossos próximos encontros ou, se preferirem, muito som para nossos 'saraus de palavras'. Eles certamente terão como programa, filhos ilustres da terra, que nos brindam com som e sentido, mas também novos nomes, novos rostos; muita música que flui perto de nós poderá ser compartilhada, em impressões e palavras e divulgada para que muitos tenham acesso.
Então está marcado! Em duas ocasiões mensais, estarei aqui para cumprir nosso compromisso. Certamente com isenção e imparcialidade, mas, com sinceridade e umas pitadas de humor (pois não há nada menos interessante que um crítico chato). E fica combinado que os senhores poderão sempre opinar e sugerir sempre que quiserem.
E que o bom e saudoso Mário de Andrade nos abençoe!
inícioSempre houve pessoas empenhadas em evitar guerras, prevenir situações de conflito, preservar a natureza e evitar a proliferação de artefatos nucleares. Mas será que, ainda assim, a insanidade dos homens conduzirá o planeta à sua destruição por conta de guerras nucleares e desequilíbrio ecológico? Será que temos feito esforços adequados para manter a paz entre nações e a habitabilidade deste nosso abrigo comum?
O cientista social Demétrio Magnoli reuniu uma armada poderosíssima para contar a "História da Paz", novo lançamento da Editora Contexto. Nessa legião da paz tem jornalista, historiadores, ex-ministro das Relações Internacionais, doutor em Economia, diplomata, coronel de Estado-Maior, embaixador, doutora em Relações Internacionais e em Ciência Política. Todos grandes especialistas em suas áreas.
O livro "História da Paz" será lançado pelo autor, em João Pessoa, na próxima quinta-feira (24), na Livraria Esquina das Letras, do Zarinha Centro de Cultura (ZCC), localizado na Avenida Nego, 140, Tambaú. Na mesma ocasião será lançada a revista "Interesse Nacional", a mais nova publicação brasileira de debates. O lançamento simultâneo integra a programação extra-oficial do Seminário "O Admirável Mundo Novo dos BRICs", que será ministrado por Magnoli, nos dias 25 e 26 deste mês, no auditório do ZCC. Mais Informações pelo telefone (83) 4009-1130, no site www.zarinha.com.br ou pelo e-mail diretoria@zarinha.com.br.
"Evidentemente, ninguém imagina que basta todos vestirem branco e se dar as mãos para que a paz universal envolva pessoas e animais, montanhas e oceanos", comenta Magnoli. Para ele a paz é muitas vezes resultado de acordos diplomáticos entre líderes. Em "História da Paz", os tratados que edificaram a ordem internacional de uma época ou até mesmo registraram de forma duradoura os conceitos e leis de nações, são destrinchados e analisados pelos autores, desde o século IV até os nossos dias.
Magnoli explica que, por vezes, esses arranjos resultam de divisão de butins. Por vezes, são feitos para humilhar os perdedores. Nem sempre satisfazem a todos. Podem até conter, nos seus termos, indícios de uma nova guerra. "Alguns emanaram de guerras gerais e implantaram uma ordem nova. Outros definiram a natureza, o conteúdo e os limites do poder de impérios e grandes potências. Os ecos de todos eles continuam a repercutir entre nós", ressalta.
"História da Paz" estabelece, de certa forma, um diálogo com "História das Guerras" (Editora Contexto), também organizado por Magnoli e recentemente publicado. Em meio a guerras e situações de conflito, a paz pode surgir como fruto de conquistas, de esforços diplomáticos, conciliação entre poderosos e acordos entre iguais e desiguais.
Enquanto a guerra ganha espaço nos jornais, revistas, épicos no cinema, grandes obras literárias, a paz parece despertar muito menos discussões acaloradas. Só parece. Vontade política aliada à muita, mas muita conversa e diplomacia são responsáveis por negociações que resultaram em acordos que mantiveram o mundo em harmonia. Ou, ao menos, ajudaram a evitar catástrofes.
Em uma época em que os egos e a fome de poder ultrapassavam a civilidade, e Igreja e Estado dividiam o poder, era preciso encontrar uma forma de respeito aos acordos. Os dogmas e as regras religiosas sempre foram mais temidos que as leis impostas pelos soberanos. Entram em cena os Concílios Ecumênicos Medievais, regulamentando o poder da Igreja de Roma.
A Igreja muitas vezes legitimou uma divisão de butins, como é o caso do Tratado de Tordesilhas. No século XVII diversos países viviam suas guerras e ambições. Em a Paz da Westfália o mundo começava a aprender respeitar a soberania nacional, deixando para trás a forte influência da Igreja. A Europa continuava palco de guerras e desejos de conquistas e antes mesmo do delírio de Napoleão chegar ao fim, uma conferência de embaixadores das grandes potências redesenhava o mapa político daquele continente no chamado Congresso de Viena.
E quando as guerras não estavam na Europa, a Europa dava um jeito de ir até elas: a Guerra do Ópio terminou com a assinatura do Tratado de Nanquim.
O continente africano não foi esquecido pelos europeus. A África era sinônimo de riquezas e ali tinha muita a ser explorado: especiarias, pedras preciosas e ouro, entre outras coisas. E entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885 aconteceu a Conferência de Berlim, que reuniu as grandes potências colonizadoras para organizar a ocupação daquele continente.
De volta a Europa, o início do século XX foi brindado com a Primeira Guerra Mundial. E mais uma vez os líderes e diplomatas já estavam de prontidão pensando o pós-guerra. França e Inglaterra, de forma secreta, negociaram e dividiram o Oriente Médio, assinando, em plena guerra. o Acordo Sykes-Picot. Finda a Guerra era assinado, agora de forma oficial, o Tratado de Versalhes.
A Conferência de Bretton Woods é um bom exemplo de como as relações internacionais atuam em meio às crises. Dela nasceu a nova ordem monetária: o dólar, substituindo o desvalorizado ouro.
Yalta, na Ucrânia, recebeu os três principais líderes que ajudaram a derrotar o Nazismo: Churchill, Roosevelt e Stalin. A pauta de discussão era como o mundo trataria a Alemanha a partir dali. Mais tarde aconteceria outra reunião, dessa vez em Potsdam, na Alemanha. As Conferências de Yalta e Potsdam dividiram Berlim em quatro, a Coréia em duas, o Japão ocupado pelos americanos e o Leste Europeu pela União Soviética.
Demétrio Magnoli é sociólogo, doutor em Geografia Humana pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP) e integrante do Grupo de Análises de Conjuntura Internacional (Gacint) - USP. É organizador e co-autor de "História das Guerras" (Editora Contexto).
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