Jornal O Norte

João Pessoa, Quinta-Feira, 28 de Agosto de 2008

Show


Reggae rosa-choque

A cantora e compositora Aline Duran lança o CD "Novo Dia", reconhece que o reggae tem poucas vozes femininas e fala sobre legalização da maconha

Ricardo Anísio
ricardoanisio@jornalonorte.com.br

Aline Duran diz que "o que me atrai na arte é que para entendê-la é preciso entender o mundo e as pessoas. A arte aproxima as pessoas e é para isso que ela existe". Com essa frase politicamente correta ela trabalha na divulgação de seu primeiro CD, "Novo Dia" (Deckdisc, R$ 22,00) e admite que o espaço para as mulheres no universo do Reggae é demasiadamente pequeno. "Não sei se isso decorre de um preconceito, de um machismo inconsciente, mas mesmo a nível mundial sempre foram poucas as cantoras que se destacaram cantando reggae", disse em entrevista ao caderno Show por telefone.

O disco de estréia da cantora-compositora começa com uma faixa de apresentação ("Bem-vindo à Selva") com texto longo que tenta descrever quem é a moça ousada que se enfiou no meio dos 'rastaman' e não está nem aí para algum tipo de discriminação que possa aparecer. "Não creio que haja esse preconceito porque tive o apoio de músicos e do produtor Rafael Ramos para fazer esse disco, mas eu não me intimidaria caso isso acontecesse. Sou ousada e determinada", garante.

"Acho que o fato de existirem poucas cantoras de reggae se deve ao fato de que elas se acomodaram fazendo backing-vocal", tenta montar o quebra-cabeças. Mas Aline cita Rita Marley e Desirée como nomes que chegaram a despontar, embora os ícones ainda sejam Bob Marley, Peter Tosh, Alpha Blondy e Gregory Isaacs entre outros. "Se existe isso, é hora de mudar", diz a sorrir e lembrando: "Eu estou chegando".

Para Aline Duran o purismo não cabe mais em nenhum gênero musical e com o Reggae não é diferente. "Eu introduzo outros ritmos e elementos do Hip-Hop em minha música, além de outros ritmos que considero pertinente em determinada canção. Eu rejeito essa coisa de que você tem de fazer uma música pura, e não creio que a fusão de ritmos seja algo depreciativo".

O leitor deve estar curioso para saber quais as influências de Aline como cantora, mas não vem do Reggae a sua vontade de cantar. "Eu sempre ouvi muita música brasileira e na verdade a cantora que primeiro me chamou a atenção e de quem sou fã foi a Elis Regina". Talvez por isso a música de Duran seja assumidamente jamaicana mas sem aquele ar de pasticho, justamente porque ela tem a mente aberta. Aline admite seu ecletismo pessoal: "Admiro cantores como Dennis Brown, Lauryn Hill, Michael Rose, Damian Marley, entre outros. Tenho várias influências e não tenho um cantor específico no qual me inspiro. O que faço quando estou no palco é me entregar de corpo e alma e passar minha mensagem de forma sincera".

A intérprete lembra que "antes mesmo de começar a cantar eu já compunha, mas em meus shows eu inseri releituras de clássicos de outros autores", lembra Aline Duran. "Mas quando surgiu a oportunidade para gravar esse meu primeiro disco achei que devia recorrer às inéditas, e aí pesaram as coisas que eu mesma havia escrito", informa. "Percebi que era o momento de me mostrar como intérprete e ao mesmo tempo levar ao público meu lado autoral", explica.

SAIBA MAIS

E sobre a cultura jamaicana onde os Rastafari lutam pela legalização da Maconha, o que Aline Duran pensa? "Não acho que seja ainda a hora de legalizar, antes de um debate amplo e sem mitos, mas não recrimino quem usa. O que acho horrível é o tráfico, por isso recomendo a filosofia do plante e use, para não ser moeda de traficante. Sobre a maconha acho que é uma erva como tantas outras e acho interessante o avanço que já tivemos no sentido de não prender e nem autuar o usuário", decreta.

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A arte de encadernar livros

Há 40 anos no ofício, Antônio dos Santos, o Chiola, dá exemplo de como exercer a profissão com amor, zelo e dedicação

A técnica - alguns dizem arte - de restaurar e encadernar livros sempre foi bastante requisitada no mundo inteiro por editores e bibliófilos, desde que, no alvorecer do século 15, o alemão Johann Gutemberg inventou os tipos móveis e imprimiu o primeiro volume da Bíblia. Apesar disso, esta arte ou esta técnica, no Brasil pelo menos, nunca chegou a ser uma grande profissão, no sentido quantitativo do termo, ficando restrita ao domínio de poucos, e o que é pior, correndo o risco, nos dias atuais, de simplesmente desaparecer.

Em João Pessoa, um homem de 57 anos acaba de completar 40 dedicados à profissão de encadernador de livros e revistas, embora domine, também, a arte ou a técnica da restauração, da limpeza e da prevenção. Antônio dos Santos, ou Chiola, como é mais conhecido entre jornalistas, livreiros, estudantes, professores, pesquisadores e diletantes da leitura, começou a trabalhar na área em 1968, motivado pelos constantes lançamentos de suplementos na imprensa e a conseqüente demanda por encadernações.

Chiola começou a ganhar a vida como jornaleiro. O salário era pequeno, mas o contato diário com os jornais e seus assinantes chamou sua atenção para uma novidade: a variedade de suplementos encartados e, nas bancas, o grande número de novas publicações - como a revista Veja e a coleção Medina e Saúde, que saía em fascículos - que os leitores gostavam de colecionar e guardar - encadernados - em suas estantes. "Isso dá dinheiro", pensou o jovem daqueles anos rebeldes.

O encadernador Paulo Soares era amigo de Chiola. Este, já de olho na área, pediu ao primeiro que o iniciasse na técnica. Soares não se fez de rogado e ensinou o que sabia ao amigo. "Aprendi rápido. Fui me aperfeiçoando, ocupando o meu espaço, e as pessoas passaram a requisitar os meus serviços", disse ele, em entrevista ao Show.

Em 1970, por encomenda do então gerente Marcos Noronha, Chiola começou a restaurar as coleções antigas de O NORTE e encadernar as novas, trabalho que faz até hoje. "É um dos trabalhos mais importantes do meu currículo. Foi uma experiência muito enriquecedora ter acesso a esses verdadeiros capítulos da história paraibana, que são as coleções do jornal O NORTE", ressalta ele.

Em 1974, Chiola foi contratado pelo jornal oficial A União, no cargo de encadernador, onde também trabalha até hoje. "Aprendi no peito e na raça. Nunca fiz nenhum curso profissionalizante, mas fui monitor do Serviço Social do Comércio, dando aulas sobre encadernação, o que foi muito significativo para mim", acentua.

O contato com os livros e jornais fez de Chiola um leitor. "Já peguei o hábito de ler. Naqueles livros mais antigos eu procuro aprender o que está escrito; trazer aqueles conhecimentos para dentro de mim através da leitura. Isso é muito importante", comenta. Mas apesar dessa intimidade, o encadernador não montou biblioteca nem tem estante de livros em casa. "Leio apenas os que chegam para restaurar ou encadernar", confessa.

Juízes, advogados, contadores e professores são algumas das categorias profissionais que mais procuram Chiola para restaurar ou encadernar livros. Ele também recebe encomendas de empresas jornalísticas, órgãos públicos e entidades culturais. "Graças a Deus não falta serviço. Trabalho com muito carinho para agradar os clientes. O importante é que eles voltem e falem do meu serviço para os amigos", diz.

Para Chiola, o mais gratificante na sua profissão é quando um cliente manifesta satisfação pelo trabalho feito. "Quando a pessoa pega no livro, gosta do meu trabalho e diz que esse trabalho precisa ser preservado, essa é a minha maior satisfação... eu realmente fico muito contente", destaca.

Chiola não tem dúvidas quanto ao perigo de extinção que ronda a sua profissão. "A profissão de encadernador está ameaçada devido aos novos tempos. As pessoas confundem a encadernação de capa dura com a de espiral. São técnicas diferentes. Elas desconhecem as técnicas e o método antigo, que é melhor e mais importante, tende a desaparecer", observa.

Por amar tanto a profissão que abraçou, Chiola coloca-se à disposição de entidades como Sesc, Senac e Sesi para dar cursos de encadernação e restauração. Amor, zelo e dedicação. Eis o que significa a profissão de encadernador para Chiola.

SAIBA MAIS

Quando o assunto é preço, muitas pessoas pensam que encadernar livros e revistas. Chiola desmistifica isso. Uma coleção mensal de jornais sai por apenas R$ 70. Se for tablóide (metade do tamanho de uma página de jornal normal), fica ainda mais barato: R$ 40. O tamanho ofício (ou A4) custa apenas R$ 22. A restauração de livro custa R$ 10 o volume, e a encadernação de cópias xerográficas, R$ 15. O preço de outros serviços fica a combinar. Os interessados em contratar os serviços de Chiola pode procurá-lo em sua residência (Av. Santos Estanislau, 734, Bairro dos Novaes) pela manhã, ou entrar em contato pelos telefones 83 3233-8086/8806-2886.

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"Meninos, eu vi!"

O professor e poeta Carlos Alberto Jales relembra a experiência vivida em Paris em maio de 1968

Sérgio de Castro Pinto
Especial para o Show

aComo o Repórter Esso, o poeta e professor Carlos Alberto Jales foi testemunha ocular da história: estava no olho do furacão, no epicentro dos fatos que marcaram a rebelião de maio do ano de 1968, em Paris. Fatos que repercutiram em todo o mundo ocidental, inclusive aqui no Brasil, onde os jovens estudantes levantaram barricadas e resistiram bravamente ao regime militar instaurado no país no ano de 1964. Carlos, à época quase adolescente, era aluno do Instituto de Ciências e Desenvolvimento de Paris, quando a Cidade Luz encandeou os seus olhos com a explosão provocada pelos coquetéis molotov e pelo fogo que os estudantes ateavam em tudo o que representasse os tentáculos do poder. Afinal, era "Proibido proibir"! Autor dos livros "Educação: admirável mundo velho" e "Leitura: janelas abertas para o mundo", entre outros, Carlos é professor do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba e poeta contumaz, embora resista em enfeixar os seus poemas em livro. Nesta entrevista exclusiva a O NORTE, ele fala, entre outras coisas, como viu maio de 1968, na França, e como o vê hoje, quarenta anos depois.

Como o jovem Carlos Alberto Jales viu a rebelião de Maio de 68, em Paris?

Vi a Rebelião de Maio de 1968, em Paris, e que se irradiou para o resto da Europa e para outras partes do mundo, como uma resposta dos estudantes, sobretudo universitários, ao estado do bem-estar-social que nasceu após a 2ª Grande Guerra. Paradoxalmente, as universidades, especialmente os estudantes, estavam descontentes com a riqueza da Europa, pois esta riqueza a tinha transformado num continente com alto padrão de vida, em todos os aspectos: social, político, econômico, educacional. Dizia-se na época, que a Europa estava muito gorda e era preciso reduzir esta gordura. Além disso, as primeiras manifestações da crise do Capitalismo se apresentavam: os líderes da economia mundial diziam que a sociedade não suportaria por muito tempo o estado de bem-estar-social, e a universidade francesa em particular, não preparava os estudantes para o competitivo mercado de trabalho dos novos tempos. O processo mundial de globalização ou mundialização de hoje ensaiava seus primeiros passos.

E hoje, como a reavalia?

Hoje, eu percebo os acontecimentos de maio de 68 como um momento em que o ser humano viveu melhor sua condição de animal simbólico. Os estudantes não queriam apenas estudar, mas mostrar que além de produzir, o homem também tinha que usufruir, que se realizar num plano além do cotidiano. Os estudantes não sabiam que não podiam mudar o mundo, não podiam modificar as pesadas estruturas sócio-econômicas de um mundo marcado pela tecnologia, mas tentavam criar uma sociedade mais feliz. Existirá manifestação mais coerente com o "estado de juventude"?

Qual a sensação de ser testemunha ocular - como o Repórter Esso - da história?

A sensação era e é de magia, de um momento privilegiado em que podíamos sonhar. Aquela sociedade sólida, como a européia, aquelas estruturas estáveis que pareciam jamais ser abaladas, eram sacudidas e contestadas a cada instante. Paris vivia um sonho. Manifestações populares, comícios, reuniões, oficinas de trabalho, peças de teatro, sessões de cinema, transformaram o cotidiano desta cidade. Os mais velhos ficavam perplexos, mas aceitavam o comportamento jovem. Nunca uma Primavera fora tão diferente. Era comum que encontrássemos nas ruas, especialmente no Quartier Latin, personagens do mundo cultural como: Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Jean Luc Godard, Belmondo, Políticos como Mitterrand, Pierre Mendès France, brasileiros como Celso Furtado, Josué de Castro, Heron de Alencar. Paris vibrava, Paris fervia. A maior manifestação política do movimento, uma gigantesca passeata de 1 milhão e quinhentas mil pessoas parou a cidade. Os líderes do movimento, como sua figura maior, Daniel Cohn Bendit estavam presentes. Tudo isso eu via e me emocionava. A poderosa 5ª República do General De Gaulle era abalada em seus alicerces. "Meninos eu vi, meninos eu estava lá".

Em artigo no "Correio das Artes", o poeta e ensaísta Affonso Romano de Sant'Anna escreveu: "Já não agüento mais tanta matéria sobre 1968, que alguns chamam de ano que nunca acabou, mas me dá ganas de dizer que é o ano que nunca existiu ou o ano que a gente inventou". Qual a sua opinião sobre esta frase?

É certamente um exagero, talvez um desabafo contra muita coisa escrita e falada por pessoas que não conheceram os fatos de perto. Aqui mesmo, em nossa terra, li e ouvi muita entrevista de pessoas que pegaram carona nas comemorações dos 40 anos de Maio de 1978, autodenominando-se especialistas no assunto. Á parte a frase de efeito de Affonso Romano de Sant'Anna posso dizer sem medo de errar que a "revolução estudantil de maio de 1968 foi um marco no século no século XX. Todas as estruturas da França e até mesmo da Europa foram profundamente abaladas pela utopia daqueles meninos da Universidade de Nanterre, em Paris, centro irradiador do movimento. Ou não é extraordinário um movimento que fez o Presidente-General Charles De Gaulle viajar para a Alemanha, onde estavam sediadas as tropas francesas da OTAN, para pedir seu apoio na repressão à "revolução"? Ou não é um fato notável o apoio que este mesmo De Gaulle recebeu de escritores, artistas, políticos, à frente dos quais estava seu Ministro da Cultura, André Malraux, todos amedrontados com a eminente queda do governo? Será que Affonso Romano nega tudo isto? Houve, claro, uma forte dose de romantismo e voluntarismo de todos nós que vivemos aquela utopia em Paris, mas daí a querer diminuí-la existe um grande abismo.

Você tem saudades dos anos 60?

Com toda sinceridade, eu tenho nostalgia da juventude perdida dos sonhos esmagados, das utopias que provavelmente nunca se realizarão. Mas não é este o destino do homem: caminhar por uma estrada que vê a seus pés? Mais do que tudo, concordo plenamente com Daniel Cohn Bendit, líder da rebelião estudantil. Ao ser indagado, recentemente sobre o que havia sido Maio de 68, respondeu de imediato: "foi a ânsia de viver". (Hoje ele é Deputado na Alemanha pelo Partido Verde). É isto, Maio de 68, foi também para mim a ânsia de viver.

SAIBA MAIS

Carlos Alberto Jales é graduado em Filosofia e Direito, com pós-graduação em áreas como Psicologia Escolar e Ciências da Educação. Foi professor da Universidade Federal do Maranhão, da Universidade Católica e da Faculdade de Filosofia do Recife e, atualmente, leciona na Universidade Federal da Paraíba. Publica artigos em jornais e revistas. É autor dos livros "Educação: Admirável Mundo Velho", "Leitura: Janela aberta para o Mundo", "Sociedade, Educação e Escola: temas (in)controversos" e "Inventação das Horas". Em maio de 1968, era aluno do Curso de Ciências para o Desenvolvimento de Paris, iniciado em 1967, um Centro de Formação e Pesquisa do Movimento Economia e Humanismo fundado por Joseph Lebret.

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Ecocídio na Ilha de Páscoa?

Existem várias teses, quase todas acenam para uma catástrofe ecológica, causada pela exploração abusiva de recursos naturais

Carlos Alberto Azevedo
Escritor e Arqueólogo

A Ilha de Páscoa (pertence ao Chile desde 1888) é, sem dúvida, um dos pontos mais isolados da Terra. Fica distante 3.700 quilômetros da costa sul-americana.

Situada na imensidão do oceano Pacífico, ela é, como afirmou o antropólogo e explorador norueguês Thor Heyerdahl, autor de Aku-aku: O segredo da Ilha de Páscoa (1965), "o lugar habitado mais solitário do mundo. A menor e a mais solitária ilha do globo".

Questiona-se muito o porquê da extinção dessa minicivilização no Pacífico Sul. Existem várias teses, quase todas acenam para uma catástrofe ecológica, causada pela exploração abusiva de recursos naturais. A degradação ambiental na Ilha de Páscoa chegou a ser vista por muitos como uma metáfora do futuro próximo da Terra.

Em 2005, Jered Diamond, geógrafo da Universidade da Califórnia em Los Angeles, lançou Colapso - como as sociedades escolhem o fracasso ou o sucesso. Trata-se de uma obra polêmica, onde ele analisa a decadência do povo rapanui - os habitantes da Ilha de Páscoa. Suas teses se baseiam na ação antrópica negativa. Segundo Diamond, os nativos na obsessão religiosa de construir e transportar moai - figuras megalíticas que eram colocadas em vários altares (ahu) que circundavam a Ilha -, foram os únicos culpados pelo ecocídio.

Hoje, porém, esta tese é contestada. Não se pode responsabilizar os ilhéus pelo colapso da minicivilização de Páscoa, acusando-os pela autoria do terrível desastre que se abateu sobre a Ilha.

Para o antropólogo Terry L. Hunt (ver O colapso dos rapanui, Scientific American, 2007), "os resultados de novas escavações arqueológicas e de estudos de ecologia comparada indicam que essa história (a catástrofe ecológica) tem de ser reescrita".

De fato, ela está sendo reescrita pelo próprio Hunt e por pesquisadores chilenos sob a orientação do arqueólogo Claudio Cristino. A nova linha de pesquisa leva em conta uma constelação de fatores, muitos deles são conseqüências diretas da colonização da Ilha por polinésios e europeus. Sabe-se que "os primeiros colonizadores (os polinésios) trouxeram galinhas e ratos, ambos utilizados como alimentos. Mas os ratos (Rattus exulans), esses roedores prolíferos podem ter sido a principal causa da degradação ambiental". Essa é a hipótese central de Terry Hunt.

Ao invés de ecocídio, prefiro falar de genocídio que, ao longo dos anos, os colonizadores europeus dizimaram os rapanui, reduzindo-os no século XIX a 111 pessoas - anteriormente a população era de 15 mil habitantes. A maioria foi escravizada e levada para o Peru e grande parte dela morreu por conta de epidemias.

Esta é a verdadeira história da Ilha de Páscoa. Ecocídio é uma outra história...

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