Jornal O Norte

João Pessoa, Quinta-Feira, 24 de Julho de 2008

Policial


Crimes de homofobia assustam Associação

VIOLÊNCIA Vinte assassinatos foram registrados do ano passado até agora na Capital e entidade cobra investigação para elucidar casos

Fernanda Medeiros
fernandamedeiros@jornalonorte.com.br

A onda de assassinatos contra homossexuais vem deixando a Associação dos Travestis da Paraíba (Astrapa) em alerta. Do ano passado até agora foram registrados em João Pessoa 20 crimes com características de homofobia. Desses, quatro aconteceram este ano, em um curto período de tempo.

O setor jurídico da Associação vai oficiar à Secretaria de Segurança e Defesa Social a morte do advogado Felizardo Antônio Leite Toscano Ferreira, 40 anos. O corpo dele foi encontrado em um prédio no Bessa, na última terça-feira e o crime tem características de homofobia.

"A nossa maior dificuldade é que a família, muitas vezes, não procura a Associação e não reconhece este tipo de crime", afirmou a advogada Soraya Chaves, do setor jurídico da Astrapa.

A associação afirma que no Nordeste as estatísticas de crimes contra homossexuais aumentam assustadoramente. "Se a gente ficar esperando outras pessoas vão morrer vítima deste ódio, que está se espalhando entre alguns homens que têm algum tipo de relacionamento com homossexuais", frisou a advogada. Em João Pessoa, ela lembra que três casos chamam a atenção pela semelhança como aconteceram as mortes. Há cerca de dois meses o médico Max Frederick Germóglio Macedo, 35 anos foi encontrado morto, dentro do próprio apartamento em Tambauzinho, com 16 facadas. O acusado de cometer o homicídio foi encontrado e está preso aguardando julgamento.

Logo depois do assassinato do médico, um técnico em eletrônica também foi vítima de homicídio praticado com várias facadas. O acusado também é um homem que, possivelmente, teve relações com o técnico.

Assunto ainda é tratado com discriminação pela sociedade

Estudiosos atribuem a origem da homofobia às mesmas motivações que fundamentam o racismo e qualquer outro preconceito. Algumas pessoas consideram que a homofobia é efetivamente uma forma de xenofobia na sua definição mas estrita: medo a tudo o que seja considerado estranho. Esta generalização é criticada porque o medo irracional pelo diferente não é, aparentemente, a única causa para a oposição à homossexualidade, já que esta atitude pode também provir de ensinamentos (religião, formas de governo, etc.), preconceito, informação ou ideologia (como em comunidades machistas), por exemplo.

De acordo com o novo Código Penal português, em vigor desde 15 de setembro de 2007, qualquer forma de discriminação com base em orientação sexual (seja ela sobre homossexuais, heterossexuais ou bissexuais) é crime. Da mesma forma são criminalizados grupos ou organizações que se dediquem a essa discriminação assim como as pessoas que incitem a mesma em documentos impressos ou na Internet. E esta lei aplica-se igualmente a outras formas de discriminação como religiosa ou racial.

No Brasil, além da Constituição de 1988 proibir qualquer forma de discriminação de maneira genérica, várias leis estão sendo discutidas a fim de proibirem expressamente a discriminação aos homossexuais.

SAIBA MAIS

No caso do advogado Felizardo Antônio Toscano, a delegada Ranielle Vasconcelos, titular da Delegacia de Tambaú, disse que está investigando a hipótese de latrocínio já que alguns objetos sumiram do local do crime. Ela contou que o advogado, antes do crime, saiu de um bar na rua da Areia, no Centro de João Pessoa, acompanhado de um rapaz de programa. Até o momento a polícia tem dois suspeitos de ter cometido o crime, mas não revela seus nomes.

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