Era tanta gente que teria dado para Gregório, Mercinho, Júnior Evangelista e Ronaldinho abrirem a Domus. A mega casa de shows anunciada por Roberto Santiago para o Manaíra Shopping bombaria logo na inauguração. Sim, estou me reportando ao show com Benito di Paula, quarta-feira passada, no MAG Shopping.
O dono das iniciais, Manuel Alceu Gaudêncio, nem precisou providenciar retalhos de cetim para forrar as mesas da Praça de Eventos, pois a platéia ofereceu ao artista uma recepção de seda pura. Foi uma consagração.
Eu fiquei na saudade. Impontual por natureza, contrariei meus hábitos e cheguei cedo ao shopping de Manezim, iMAGinando que iria para a fila do gargarejo, conforme antecipara Leta Zenaide. Qual o quê! Bem antes das 6 e Meia (título do projeto musical), o mezanino do segundo piso já estava tomado por uma fila quilométrica.
Procurei meu amigo Charlie Bronw, quero dizer, Fernando Moura, para consultá-lo sobre a possibilidade de uma mesa, mas Gilson Renato, da Secom municipal, e Emanuel Noronha, daqui de O NORTE, me fizeram tirar o Cavalo Branco (só havia bebido uma dose, na Praça da Alimentação) da chuva: todos os pagantes já estavam em seus lugares. Inclusive Tita, minha irmã, que assistiria em pé à apresentação.
Resignado, fiquei jogando conversa fora com Dona Goreti e meus cunhados Batista e Silvana, e foi aí que me lembrei da histórica apresentação feita por Benito di Paula em João Pessoa, em março de 1975, na inauguração do Centro Administrativo do Estado, em Jaguaribe.
Na época, Roberto Carlos estava no auge do sucesso, o que motivou o governador Ernani Sátyro a autorizar o secretário de Divulgação e Turismo, Otinaldo Lourenço, a mandar contratá-lo para o show de entrega de uma das obras mais marcantes da sua administração. Era o último dia de governo, e Ernani fazia questão de uma festa de arromba.
Otinaldo entrou em contato com o empresário de RC, mas foi informado de que a agenda do cantor estava lotada até o final do ano. Atinou, então, para o nome de Benito di Paula, que também freqüentava com distinção o hit-parede. O secretário foi a Palácio e lá, no gabinete governamental, apresentou o nome do autor de Do Jeito que a Vida Quer, identificando-o como emérito sambista.
Ernani, quando ouviu o nome Benito di Paula, estranhou: "Mas se ele é italiano, como é que canta samba?". Otinaldo corrigiu: "Ele não é italiano, não, governador; é brasileiro". Aí Ernani acreditou que matara a charada: "Ah, doutor Otinaldo, então é o Benedito de Paula. Pode contratar!". O contrato foi fechado e o show com o brasileiríssimo Benito fechou com chave de ouro a inauguração do Centro Administrativo.
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