Jornal O Norte

João Pessoa, Quinta-Feira, 28 de Agosto de 2008

Cidades


Pesquisador da UFPB desafia IPCC

AQUECIMENTO Ernani Sartori alerta sobre a ocorrência de novos fatores que estão agravando o efeito estufa na Terra

Henrique França
henrique@jornalonorte.com.br

Nos últimos anos, cientistas do mundo inteiro têm lançado a seguinte pergunta no ar: por que as chuvas e a umidade estão aumentando em regiões onde os índices de evaporação têm diminuído? Para o pesquisador da UFPB Ernani Sartori, a resposta também está no ar - literalmente. Autor de duas das equações mais exatas do mundo relacionadas à evaporação e transferência de calor, ele tem desafiado "a turma do IPCC" (Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática), como costuma dizer, com seus estudos sobre os fatores que têm agravado o famoso efeito estufa. E faz uma revelação no mínimo polêmica: o principal gás de efeito estufa na terra não é o dióxido de carbono (CO2), mas sim o vapor d'água (H2O).

A conclusão de Sartori está baseada em cálculos, estudos e esquemas descritos no artigo chamado "No Paradoxes" (noparadoxes.tripod.com), onde o pesquisador desafia o IPCC e seu "paradoxo da evaporação" - em que a questão é exatamente o porquê do aumento das chuvas em locais com menos água evaporada. "O problema", diz o pesquisador da UFPB, "é que esse pessoal do aquecimento global só fala no CO2. Eles sabem a influência do vapor d'água nesse processo, mas o desprezam completamente. O raciocínio equivocado não lhes permite explicar, por exemplo, como nos últimos 50 anos houve aumento de nuvens e chuva em vários países do mundo e que esse aumento de nuvens aumenta o efeito estufa. Eles acham que só o CO2 e outros gases é que aumentam o efeito estufa. Só que a concentração de H2O na atmosfera é cerca de 130 vezes maior do que a do CO2, bem como a absorção de radiação infravermelha do H2O é muitíssimo maior do que a do CO2 - os dois parâmetros que realmente importam para essa questão".

Mas, como o vapor d'água, essencial no ciclo hidrológico convencional, tem se tornado tão nocivo à atmosfera? A explicação está baseada no novo ciclo hidrológico descoberto e registrado por Ernani Sartori. Diferente da descrição convencional do ciclo - onde a evaporação da água existente nos rios, nas plantas, na respiração e no solo produz as nuvens no céu e volta à terra em forma de chuva -, o novo ciclo registrado pelo pesquisador adiciona à fórmula tradicional elementos como partículas de poeira e a emissão de gases, especialmente por termoelétricas, com temperatura superior a mil graus centígrados. O resultado, segundo Sartori, é que as nuvens - consequentemente as chuvas - estão se formando não mais apenas pela água natural da terra, mas também desse lixo poluente liberado em grandes quantidades na atmosfera. Até aí já seria assustador, não fosse um novo elemento: as partículas de água estão subindo de carona, digamos assim, nesse detrito que vem sendo jogado na atmosfera.

Por exemplo, se cada um de nós pudesse isolar algumas das milhares de partículas de poeira jogadas diariamente no ar por indústrias e termoelétricas, em todo o mundo, teríamos a chance de ver o que pesquisador viu e registrou. "O que acontece é que as nuvens não são formadas apenas por água, como é costume pensar, mas gotas de água se formam em torno de microparticulas de poeira, se agregam nelas e daí formam as nuvens também", explica. Ou seja: há uma via de mão dupla nesse processo de poluição dos ares, de aumento da densidade das nuvens, no retorno de uma chuva cada vez mais intensa e impura. Não apenas o vapor d'água dos rios e solo seguia seu ciclo carregado de outros elementos impuros como, agora, sabe-se que as próprias impurezas - como as partículas de poeira, por exemplo - carregam consigo gotículas de água. Assim, não apenas a evaporação tem provocado chuvas, mas partículas jogadas na atmosfera também estão contribuindo para a formação de mais nuvens e maior precipitação.

Vilão?

Superficialmente, a afirmação de Ernani Sartori parece jogar boa parte da "culpa" pelo aquecimento global no vapor d'água. Felizmente, é o que apenas parece. Segundo o pesquisador, é importante evitar apontar culpados a partir de seus estudos. "Não existe um só 'vilão' e cada um dos elementos tem sua importância ou contribuição nesse processo. O pessoal do IPCC até hoje só falou em CO2 e agora está se dando conta de que o H2O também é importante e, inclusive, reconhecendo que o ciclo da água esteja alterado e confirmando a minha descoberta do novo ciclo hidrológico". O Carbono, contudo, não deve ter seus efeitos minimizados. "Ele deve continuar a ser considerado, embora tenha uma camada quase infinitamente menor do que a do H2O e sua absorção de radiação infravermelha seja menor do que o vapor d'água", pondera.

O fato é que o CO2 torna-se cumulativo, não conseguindo retornar à terra e aumentando sua concentração cada vez mais. Por isso ele vem sendo apontado como grande causador do efeito estufa. Por outro lado, porém, ignorar o poder da água em provocar umidade e precipitação cada vez maior de chuva não tão pura é um erro primário dos cientistas do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática. "Este novo ciclo terá de mudar todos os livros escolares de toda a humanidade e fazer o mundo entender o planeta de forma diferente de como ele foi visto até hoje. É histórico", enfatiza o pesquisador. Certamente, porém, se Ernani Sartori tivesse que eleger vilões para esse cenário climático desfavorável, ele não hesitaria em apontar como um dos principais causadores do aquecimento as usinas termoelétricas.

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Termoelétricas e o desequilíbrio

PELO HOMEM Pesquisador afirma que usinas térmicas aceleram evaporação e condensação, alterando o ciclo das chuvas

Apontadas como geradoras de 70% da energia elétrica produzida em países de primeiro mundo, as termoelétricas - ou usinas térmicas - são as principais responsáveis pela emissão de gás carbônico na atmosfera. Para Sartori, o problema desse modo de geração de energia é que ele tem desequilibrado o ciclo hidrológico. "As emissões de toneladas e toneladas de partículas sólidas a todo segundo no mundo intensificam a formação de nuvens, porque elas são formadas através da agregação de gotas de vapor d´água condensado em torno de microscópicas partículas de poeira. A atmosfera tem aproximadamente uma quantidade constante de vapor d´água, mas a grande quantidade de gases superaquecidos emitidos para a atmosfera por usinas termoelétricas e outras fontes são liberadas com temperaturas que alcançam mais de 1.000 oC e então a temperatura de ponto de orvalho do ar é alcançada mais freqüentemente e assim mais vapor d´água é condensado em menor tempo. Finalmente, as emissões também contêm toneladas de vapor de água e quando fazem contato com camadas mais frias da atmosfera geram mais água condensada e formam nuvens".

Em resumo, as termoelétricas aceleram o processo de evaporação, alterando o ritmo do ciclo hidrológico. Além disso, o CO2 por elas emitido também carrega consigo microparticulas de água. "Ou seja, o funcionamento, a quantidade de água, a regularidade de águas, a distribuição de chuvas e a velocidade do ciclo hidrológico não dependem mais unicamente dos processos naturais de evaporação e precipitação como concebidos na Criação e entendidos assim até hoje por aquela gente e há, portanto, um novo ciclo hidrológico que já está afetado e modificado por causa de atividades humanas. As altas, crescentes e superaquecidas emissões de gases de termoelétricas e de outras fontes aumentam significativamente a quantidade e espessura de nuvens e, como conseqüência, aumentam o efeito estufa e o chamado aquecimento global e geram diversas conseqüências", alerta o pesquisador.

Mas termoelétricas e indústrias poluentes são criadas pelo homem. Por isso, Ernani Sartori lembra que o ser humano é o grande responsável por tamanha mudança no ciclo natural da terra, incluindo aí as chuvas. "Se o mundo está ficando mais úmido e se nos últimos 50 anos tem evaporado menos, então os processos naturais estão normais. Mas, aí vem uma pergunta: se evapora menos, como então chove mais? É aí onde descobri o novo ciclo das águas e a explicação disso é que mais rapidamente água tem sido tirada do solo e jogada na atmosfera pelo ser humano, bem como aumentada a poluição nos céus. É a mesma situação ou justificativa dada para o aumento do CO2 na atmosfera, por exemplo, o ser humano tem tirado mais e mais rapidamente CO2 e H2O do solo e os jogado no ar. Ambos causam mudanças climáticas!"

Por isso o cientista da UFPB alerta sobre tecnologias capazes de potencializar esse desequilíbrio climático, no Brasil. "Erros de avaliação e não entendimento corretos dos princípios físicos fazem com que agora o País queira ressuscitar a energia nuclear dizendo que ela não emite gases de efeito estufa, porque só emite vapor d´água. Os gases que saem das vastas chaminés dos reatores nucleares a altas temperaturas, porém, são tão antropogênicos (causados pelo homem) quanto o CO2 emitido pelas termoelétricas. E como eles só levam em conta as massas dos gases e não suas temperaturas na formação do efeito estufa, eles erram mais ainda. Os gases que saem de usinas nucleares causam aquecimento atmosférico, aumento de umidade e do efeito estufa".

Sartori exemplifica a influência nociva das usinas nucleares comparando-as a uma bacia com agia colocada em um quarto para umedecê-lo. Ali, ela modifica o clima do cômodo em relação ao outro quarto sem a água. "A situação das usinas nucleares é a mesma, só que obviamente com intensidade tremendamente maior, inclusive por causa das altas temperaturas dos gases. Com mais calor e mais umidade provenientes dos gases, o resultante ar atmosférico mais quente e mais úmido que entra em contato com zonas mais frias da atmosfera faz precipitar mais chuva". Tudo parece girar em torno dos mesmos desafios: emissão de CO2 em excesso pelas termoelétricas, principalmente, aceleração no processo de evaporação e condensação da água, transporte de partículas de H2O na poeira que sobe e contribuindo para a formação de nuvens mais densas e o retorno de uma chuva atípica em intensidade e pureza.

Qual a solução?

Apesar do prognóstico assustador, Ernani Sartori não faz o gênero apocalíptico. O pesquisador admite que pensar no vapor d'água como responsável pelas mudanças climáticas parece deixar a própria ciência e o mundo sem muitas opções de resolver a questão. "Porém, a saída parece difícil e impossível se o mundo for visto como o vêem o IPCC e todo o resto que lida com o tal do aquecimento global. Mas, na minha visão, só tem dois lugares onde as coisas do planeta podem ficar: em terra ou no ar. Se tirarmos mais e mais rapidamente da terra e jogarmos no ar, então haverá um desequilíbrio no ar, pois cada vez haverá mais coisas da terra no ar e isto causará problemas. Então, qual a solução? Se eu disser que ela está no principio de Lomonosov, aí então estarei dando a solução: aquela que se refere ao principio da conservação de massa, por exemplo, 'nada se cria, nada se perde, tudo se transforma'. E por que esta lei é a solução? Porque é preciso nos darmos conta de que tudo no planeta funciona na base de ciclos. É o ciclo da água, da poeira, do carbono, dos outros elementos, etc. Porém, o que for da terra deve ser deixado na terra e não simples e puramente jogado sem qualquer preocupação e aumentar tais quantidades e com suas conseqüências no ar".

Para o cientista que desafia a instância máxima sobre questões climáticas na Terra, a solução está muito mais em ações de conscientização, de reeducação para o mundo do que atrelada a estudos, cálculos e projeções acadêmicas. "Nós já temos tudo em mãos para produzirmos o que precisamos sem utilizar muito mais de outras coisas. O que está faltando mesmo é mais organização e mais solidariedade social pensando na sociedade como um barco só e não com atitudes egoístas. Este terá de ser o único caminho para o mundo - e se não for pelo amor, será pela dor".
(Henrique França)

SAIBA MAIS

Ernani Sartori até poderia ser confundido com um profeta das questões climáticas mundiais. Mas suas "previsões" são fruto de estudo científico, observações apuradas e números, muitos números. Gaúcho radicado na Paraíba há pelo menos 20 anos, Ernani Sartori estudou, antes de se dedicar às verificações sobre o novo ciclo hidrológico, sobre assuntos como destilação solar, secagem solar e coletores solares. Entre outros registros memoráveis, ele é autor da equação mais exata do mundo para o cálculo da evaporação, descoberta em 1987, um desenvolvimento que quebra e modifica o rumo desses cálculos e entendimentos que existem desde a década de 1880. Além disso, é ainda o autor da equação mais exata do mundo para o cálculo da transferência de calor de uma superfície plana, um novo paradigma que altera os cálculos nessa área, que duram mais de 50 anos.

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História de um Líder - Parte II

Orris- Sonho e Angústia

Quando Augusto Belmont escreveu o seu "Orris", na edição de 27 de agosto de 1911, em O Norte, havia perdido, há pouco mais de dois meses, sua jovem esposa Albertina, de apenas 18 anos, vitimada por uma febre que a matou em 24 horas, segundo noticiou o Jornal em sua primeira página. Como Orris, seu amigo Augusto vivia momentos de angústia e dor, mas não se conteve em reconhecer no amigo as razões manter-se afastado do Estado diante de fatos políticos que já prenunciavam dias de hostilidades. Augusto era filho de Manoel Belmont Filho e nascera em Araruna, sendo à época em que escreveu este artigo um renomado jornalista e professor de latim e, como o amigo que homenageava, participante das rodas intelectuais da época e amigo fraterna fé. Segue o "Orris", como publicado na edição original:

Orris

Na geração moderna, sem nenhum favor é Orris Soares o que se deve considerar uma das mais vigorosas revelações do jornalismo brasileiro.

Conheço-o de longa data, isto é, desde os seus verdes anos até o seu expandir alviçareiro na imprensa parahybana. De longe venho acompanhando, com simpathia reflectida, as phases do seu espírito, superiormente equilibrado.

Neste meio social, que não é lá muito apropriado aos labores intellectuaes o jovem patrício se patenteiou um temperamento feliz e um bello caracter, de rara energia de vontade, desdobrando-se, fortemente nas campanhas mentaes, que engrandecem a alma da sociedade.

Iniciou-se aqui, nas lettras, com as melhores disposições do espírito, naquella escola de civismo do Club Benjamim Constant, verdadeiro reduto de enthusiasmo republicano, manifestando qualidade de orador, era uma esperança vê-lo a discorrer, nos jurys históricos, sobre os granes vultos da evolução social brasileira.

Muito moço ainda era um apaixonado conhecedor da vida dos homens mais em destaque na agitada política nacional.

Eleito, várias vezes, presidente do Club Benjamim Constant, Orris Soares pos em evidencia capacidade directora, já comemorando solenemente as festas nacionaes, já fazendo collocar uma placa de mármore na fachada do sobrado onde nasceu Peregrino de Carvalho, o jovem martyr da revolução de 1817.

Também, sob a sua operosa presidência, nesse grêmio foram mantidas algumas aulas de humanidade, para preparo dos seus associados. Nesse caracter, a ação do infatigável patrício foi muito fecunda em medidas de real alcance cívico.

Tempos depois, havendo se calourado no Lyceu Parahybano, em 1901, se não me fallece a memória, seguiu a matricular-se na Academia de Direito do Recife. Neste meio, continuou a illustrar o espírito nas paginas acadêmicas e a fazer armas no ´Jornal Pequeno", escrevendo Applaudidas chronicas theayraes.

Ahi, sempre manifestou uma natureza calma e jovial, com subtilezas de chronista alegre, o que lhe valeu a estima geral dos seus collegas.

Em fins de 1906, tendo conquistado o lugar de bacharel, retornou à Parahyba, onde, não querendo mergulhar o espírito na monotonia da magistratura, começou a cogitar na fundação de um orgam de publicidade. Aspirava um jornal moderno, libérrimo, porta-estandarte do próspero povo parahybano e fomentador da cultura em nosso meio provinciano.

Às vezes, com o seu bonito ideal, Orris Soares se me afigurava um utopista e um inexperiente, achando difícil que elle conseguisse montar, nesta capital, um jornal de legítimos interesses sociaes.

Mas, afinal, realizou sua esperança. Em meados de 1907, veio à lume "O Norte", jornal anciosamente esperado pelo publico. Foi um verdadeiro acontecimento.

O ilustre patrício venceu, logo à primeira investida.

Na sua elaboração diária, Orris Soares começou a desdobrar múltiplas aptidões intellectuaes, traçando desde o artigo de fundo, o folhetim, a chronica-leve, a critica racional dos assuntos administrativos, até as noticias mecânicas de reportagem... Portador e muito tino, quando abordava uma questão, era inesgottavel em recursos vários, e, quanto mais custosa lhe parecia a victoria, tanto mais fértil lhe era o espírito e maior a energia do seu querer.

E "O Norte" foi grande e profícuo, sob a sua meritória direcção, continudo a viver ainda hoje, como orgam imparcial e neutro e inquebrantável propulsor da prosperidade collectiva.

O ano passado, o digno coestaduano decidiu-se a fazer uma viagem a Europa, afim de tonificar o espírito e retemperal-o, para novas lutas, com a acquisição de mais sólido conhecimento. Lá foi, e passando em Lisboa, não se esqueceu de publicar na "Época" um belo artigo, demonstrando a necessidade de serem mais apertados os laços das relações entre os escriptores luso-brazileiros.

Após um anno de ausência no Velho Mundo, há poucos dias regressou à pátria, passando no Recife, com destino ao Rio de Janeiro. Fez muito bem o esperançoso conterraneo em não voltar ao estéril meio parahybano. Ahi, na capial do paiz, é que deve ter logar "a completa eclosão de seu talento. Com as luzes adquiridas nos grandes centros da civilização europea, Orris Soares poderá applicar-se ao jornalismo largo e à política da diplomacia brasileira".

E, então, seu gesto digno de seu caracter, terá de olhar, com desprezo para essa linguagem "reúna" da soldadesca da litteratura política do pais, que não irrita e, antes, provoca um riso de compaixão nas naturezas organizadas.

Porque a sua missão é ser útil ao nosso formoso Brazil, orgulho resplandecente da América Latina.

Deixará que floresçam, à vontade, os espinheiros dessa triste litteratura e que se agucem os 'chique-chiques" do ódio e da incompetência, para usar, aqui, uma expressão sertaneja.

Orris! "Astro peregrino", que tanto brilhastes nos horizontes das puras cogitaçõs, sobe, muito mais ainda !

Augusto Belmont
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